abril 15, 2008
· Arquivado na categoria Construção Poética
Ho/je-eu/ que/ro/ fa/zer/ o/ meu/ car/na/val 1-3-6-9-11A
Se-o/ tem/po/ pas/sou/ es/pe/ro 2-5-7G
Que/ nín/guem/ me/ le/ve-a/ mal 2-5-7A
Mas/ se-o/ sam/ba/ quer/ que-eu/ pros/si/ga 3-6-8G
Eu/ não/ con/tra/ri/o/ não 2-5-7A
Com/ sam/ba-eu/ não/ com/pro/ bri/ga 2-5-7G
Do/ sam/ba/ */eu/ não/ a/bro/ mão 2-5-7-9A *
A/ma/nhã/ nin/guém/ sa/be 3-6G
Tra/ga/ me-um/ vi/o/lão 1-4-6A
An/tes/ que-o-a/mor/ a/ca/be 1-4-6G
Tra/ga/ me-um/ vi/o/lão 1-4-6A
Tra/ga/ me-um/ vi/o/lão 1-4-6A
An/tes/ que-o-a/mor/ a/ca/be 1-4-6G
Ho/je/ na/da/ me/ ca/la-es/te/ vi/o/lão 1-3-6-9-11A
Eu/ fa/ço-u/ma/ ba/tu/ca/da 2-5-7G
Eu/ fa/ço-u/ma-e/vo/lu/ção 2-5-7A
Que/ro/ ver/ a/ tris/te/za/ de/ par/te 1-3-6-9G
Que/ro/ ver/ o/ sam/ba/ fer/ver 1-3-5-8A
No/ cor/po/ da/ por/ta-es/tan/dar/te 2-5-8G
Que-o/ meu/ vi/o/lão/ vai/ tra/zer 2-5-8A
A/ma/nhã/ nin/guém/ sa/be 3-6G
Tra/ga /me-u/má/ mo/re/na 1-4-6G
An/tes/ que-o-a/mor/ a/ca/be 1-4-6G
Tra/ga /me-u/má/ mo/re/na 1-4-6G
Tra/ga /me-u/má/ mo/re/na 1-4-6G
An/tes/ que-o-a/mor/ a/ca/be 1-4-6G
Ho/je/ pe/na/ se/ri/a-es/pe/rar/ em/ vão 1-3-6-9-11A
Eu/ já/ te/nho-u/má/ mo/re/na 2-5-7G
Eu/ já/ te/nho-um/ vi/o/lão 2-5-7A
Se-o/ vio/lão/ in/sis/tir/ na/ cer/ 3-6-8G
ta-A/ mo/re/na-ain/da/ vem/ dan/çar 3-6-8A
A/ ro/da/ fi/ca-a/ber/ta 2-4-6G
E-a/ ban/da/ vai/ pas/sar 2-4-6A
A/ma/nhã/ nin/guém/ sa/be 3-6G
No/ pei/to/ de-um/ can/ta/dor 2-5-7A
Mais/ um/ can/to/ sem/pre/ ca/ 3-5-7G
bee-Eu/ que/ro/ can/tar/ o-a/mor 2-5-7A
Eu/ que/ro/ can/tar/ o-a/mor 2-5-7A
An/tes/ que-o-a/mor/ a/ca/be 1-4-6G
Foram 39 versos dispostos em 3 estrofes com 13 em cada.
Percebam o trabalho do poeta nas sílabas poéticas no uso do termo “violão”. Na maioria das vezes foi pronunciado com três sílabas, mas em uma ocasião com apenas duas, exatamente no verso anterior do Anáclese que permitiu a manutenção do espaço de duas átonas entre as tônicas.
Chico acentuou várias vezes de forma modificada, mas o curioso ocorreu no 7° verso da primeira estrofe, observado com /*/entre a 3ª e a 4ª sílabas, pois houve uma pausa interna e proposital no verso, algo semelhante ao chamado “Samba de Breque”.
O propósito da pausa suspeito estar num misto das construções Poética e Filosófica: 1- Alterar o natural metro mantendo o ritmo poético. 2- Dar uma idéia de que conhecia as raizes do samba, tinha a forma própria de compô-lo e não iria aderir aos modismos da Bossa Nova, como fizeram outros colegas seus na época.
Percebam o que poderia ser feito em tal verso:
Com/ sam/ba-eu/ não/ com/pro/ bri/ga
Do/ sam/ba-eu/ não/ a/bro/ mão
A construção poética ficaria bem mais equilibrada, já que manteria identidades em métro e ritmo, mas perderia o charme do “breque”, que manteve o ritmo e alterou o metro.
Foi proposital mesmo. Preferiu correr o risco.
Os recados de Chico, tanto a colegas quanto à imprensa, sempre foram dados nessa forma.
Fala sozinho até hoje, mas Amanhã Ninguém Sabe…
Segue abaixo a relação das qualidades e quantidades dos versos presentes na obra.
16 (hexassílabos) Heróicos Quebrados, sendo 4 Agudos e 12 Graves.
12 (heptassílabos) Redondilhas Maiores, sendo 7 Agudos e 5 Graves.
6 (octossílabos ), 4 Simples e 2 Quebrados de Arte Maior, sendo 3 Agudos e 3 Graves.
2 Eneassílabos Simples, sendo 1 Agudo e 1 Grave.
3 Hendecassílabos Simples e Agudos.
a
del.icio.us isto!