Agora Falando Sério – Análise de Texto
Anterior – > http://mpbsapiens.com/minha-historia-analise-de-texto/ |
| Quando Chico deixou a Itália e voltou para o Brasil, tencionava manter-se |
| exilado, já que o seu exílio interior começara ainda por aqui, bem antes de |
| torná-lo oficial com a viagem à Itália. |
http://mpbsapiens.com/sem-fantasia-auto-exilio-analise-de-texto |
| As razões que tinham causado à fuga para o seu interior, persistiam por aqui. |
| Não haviam sumido, pelo contrário, aumentado ao se estenderem à MPB de |
| forma mais acintosa, desrespeitando até a uma possível ética, que havia entre |
| os compositores musicais de então. |
| A palavra de ordem era Engajamento. Chico já demonstrara anteriormente |
| não gostar de se envolver com tais movimentos “populares”. Participara da |
| chamada Passeata dos 100 Mil, em 1968, já de forma forçada, e ao voltar |
| percebeu que a coisa havia piorado, pois novos grupos, sociais ou musicais, |
| exigiam que ele tomasse alguma posição menos neutra diante dos quadros. |
| Exigia-se dele uma postura mais Socialista, o que interiormente o desagradava, |
| pois ele sabia bem dos motivos que o obrigaram a viajar para a Itália, porque |
| além da fuga pelo exílio interior, tal viagem se prestara também à troca de |
| gravadoras, de RGE para Philips, cujos trâmites exigiam dele muito mais |
| atenção Capitalista do que Socialista. Tudo aquilo era uma grande mentira, |
| uma festa, um faz de conta; e ele reagiu assim: |
| Vídeo de alineregis |
| Agora falando sério |
| Eu queria não cantar |
| A cantiga bonita |
| Que se acredita |
| Que o mal espanta |
| Dou um chute no lirismo |
| Um pega no cachorro |
| Um tiro no sabiá |
| Dou um fora no violino |
| Faço a mala e corro |
| Pra não ver banda passar |
| Agora falando sério |
| Eu queria não mentir |
| Não queria enganar |
| Driblar, iludir |
| Tanto desencanto |
| E você que está me ouvindo |
| Quer saber o que está havendo |
| C´o as flores do meu quintal |
| O amor-perfeito traindo |
| A sempre-viva morrendo |
| E a rosa cheirando mal |
| Agora falando sério |
| Preferia não falar |
| Nada que distraísse |
| O sono difícil |
| Como acalanto |
| Eu quero fazer silêncio |
| Um silêncio tão doente |
| Do vizinho reclamar |
| E chamar polícia e médico |
| O síndico do meu tédio |
| Pedindo para eu cantar |
| Agora falando sério |
| Eu queria não cantar |
| Falando sério |
| Agora falando sério |
| Preferia não falar |
| Falando sério |
| Falando sério… |
| A imprensa, pertencente aos seu patrões das gravadoras, incitando o povo |
| contra o governo militar, torcendo os significados das letras de composições |
| como Disparada, por exemplo, e Chico preocupado com o sumiço da |
| Banda e do Realejo cotidiano cultural paulistano. |
http://mpbsapiens.com/a-banda-analise-de-texto/ |
http://mpbsapiens.com/o-realejo-analise-de-texto/ |
| A Tropicália falando do monumento no Planalto Central do país, com novas |
| tentativas de arranjos musicais, e Chico cantando Carolina, na ultrapassada |
| forma de Samba-Canção. No fundo, aquela posição contrastante dele, diante |
| das novas “tendências musicais” fomentadas pela imprensa, era uma última |
| tentativa de não se perder as raízes culturais brasileiras, que permitiram até à |
| MPB atingir tamanha popularidade: |
http://mpbsapiens.com/carolina-t/ |
| Eu quero cantar o Amor |
| Antes que o Amor Acabe. |
http://mpbsapiens.com/amanha-ninguem-sabe-analise-de-texto/ |
| Pouco importava o que ele já dissera anteriormente, como nos versos acima. |
| A ordem era mudar para a chamada Vanguarda e desconsiderar à |
| Retaguarda, mas isso era uma insensatez, pois qualquer Futuro só é possível |
| quando se conhece o Presente, que representa à soma dos Passados. |
| Chico estava cercado por mídia, governo, povo e colegas: |
| Eu quero fazer silêncio |
| Um silêncio tão doente |
| Do vizinho reclamar |
| E chamar polícia e médico |
| O síndico do meu tédio (prédio) |
| Pedindo para eu cantar |
| Analisemos o que foi escrito no texto acima, que apresenta, originalmente, o |
| termo Tédio, ao invés de Prédio, como consta no seu song-book da cia. das |
| letras. Ele cantou o primeiro, mas nas letras oficiais, posteriores à original do |
| quarto Lp, o primeiro das Philips, surge o segundo. |
| Chico sempre gostou de brincar com isso. Cantou Tédio para nos confundir, |
| porque sabia que, automaticamente, cantaríamos Prédio, pois Síndico é algo |
| muito mais comum a Prédio do que Tédio; mas também tem um outro lado na |
| questão, pois o texto praticamente determinaria o Médico como o tal Síndico |
| do Tédio, e isso poderia pegar mal. |
| A censura das letras do Chico era muito maior pela sua assessoria do que |
| pela oficial dos militares. O texto deleera controlado por duas censuras, |
| e isso talvez tenha sido um dos maiores males literários que nos causaram, |
| pois em benefício da falsidade da prudência perdeu-se a originalidade do |
| pensador, mas a honestidade poética dele sempre o trai, pois é muito |
| difícil ele cantar numa forma diferente da original. |
| - Fala Sério! |
Próxima – > http://mpbsapiens.com/onde-e-que-voce-estava-analise-de-texto/ |
.


































