fevereiro 16, 2008
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A Primeira Vilã Assumida
A próxima composição do manuscrito foi A Rita. Integrante do primeiro Lp, segundo o cancioneiro, feita em 1965.
A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela, meu assunto
Levou junto com ela
E o que me é de direito
Arrancou-me do peito
E tem mais:
Levou seu retrato
Seu trapo, seu prato,
Que papel!
Uma imagem de São Francisco
E um bom disco de Noel
A Rita matou nosso amor
De vingança, nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão.
O cancioneiro difere do manuscrito, no registro do segundo verso da segunda estrofe, dando a ela um verso a mais: “De vingança”. O que o autor fez no original foi usar um recurso poético que lhe permite transferir parte do conteúdo sintático de um verso para outro, acima ou abaixo. É o dito Cavalgamento, vide vírgula no centro do verso abaixo.
Percebe-se que Chico, desde Você Não Ouviu, usa tornar os seus personagens femininos levianos. Por exemplo, A Rita leva todo o jeitão de arquétipo de uma futura composição chamada A Rosa.
Meio suspeita a história de “São Francisco de Rita”, mesmo porque, talvez para complicar ainda mais o “meio de campo”, quando “Rita” Pavoni esteve pelo Brasil, na década de 60, trazia em seu repertório a composição, cujo título, traduzido para o Português, é “Não é Fácil Ter Dezoito Aninhos”, que a própria Rita dizia ser dedicada a um antigo namorado dela, brasileiro, que conhecera na Itália quando menina, no final dos anos 50.
Curiosamente, Rita também surgiu, repentinamente, no Estádio do Pacaembu, SP, para assistir a um jogo do São Paulo F.C. pelo campeonato paulista, acompanhada por um “jovem cantor” brasileiro.
A sua agenda por aqui previa apresentações com um recém surgido grupo musical chamado Jovem Guarda, liderado por Roberto Carlos, com quem fez algumas apresentações que marcaram mais a sua estada no Brasil.
A vinda dela pra cá só era mais um truque promocional de aproximação das músicas brasileira e italiana, desde o final dos anos 50 e princípio dos 60, com o surgimento de nomes como Nico Fidenco (Legata A Um Granelo Di Sábia), Sérgio Endrigo (Io Che Amo Solo Te) e, na época, aproveitando o embalo de um famoso filme chamado “O Candelabro Italiano”, cuja música principal foi a linda e conhecida “Aldilá” (abstração do termo Além).
Posteriormente, com o estreitamento maior dos laços musicais ítalo-brasileiros, Roberto Carlos foi convidado por Sérgio Endrigo para cantar uma canção, de sua autoria, chamada “Canzone Per Te”, que acabou vencedora do Festival de San Remo.
Já havia por aqui a maciça presença de todo um elenco de cantores italianos, tais como Bobby Sollo (Uma Lacrima Sulviso), Pepino Di Capri (Roberta – Champagne), Pino Donagio (Io Che Non Vivo).
Gianni Morandi, ficou mais famoso pela composição “Era Um Ragazzo Che Come Me Amava Beatles e Rolling Stones” posteriormente receberia uma versão em Português, cantada originalmente, creio, pelo conjunto “Os Incríveis”, depois por Jerry Adriani e mais recentemente pelo “Engenheiros do Hawaí”.
Voltando à Rita Pavoni, sugiro a vocês compararem os textos, feitos na mesma época, das composições Não É Fácil Fazer 18 Aninhos – Fortíssimo – Da Te Mi Um Martelo; pois então, complicando ainda mais o “jogo”, poderão até cantar:
Aldilá (lá no além) de la volta infinita
Aldilá de la vita…
Em São Paulo, o time de coração do Chico é tão tricolor quanto o Fluminense no Rio.
Ele morava na Rua Buri, em Sampa, no bairro do Pacaembu, bem atrás do estádio.
A Rita Pavoni dedicou a composição dos 18 Aninhos a um namorado brasileiro que tivera na Itália, quando menina, no final dos anos 50.
A família Buarque de Hollanda voltou da Itália no final dos anos 50.
- Quem seria o desconhecido cantor brasileiro que acompanhou a consagrada estrela num jogo do São Paulo no princípio dos anos 60?
- Façam as suas apostas, pois, quanto a mim, “Um passarinho me cantou que a boa brisa lhe soprou que vem aí Bom Tempo …”
Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos (1964)…
del.icio.us isto!