A Rita-Análise de Texto

 

 

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                            A Primeira Vilã Assumida 

A próxima composição do manuscrito foi A Rita. Integrante do primeiro Lp, segundo o cancioneiro, feita em 1965.                                 

A Rita levou meu sorriso                           
No sorriso dela, meu assunto                               
Levou junto com ela                                  
E o que me é de direito                            
Arrancou-me do peito                               
E tem mais:                         
Levou seu retrato                            
Seu trapo, seu prato,                                  
Que papel!                           
Uma imagem de São Francisco                          
E um bom disco de Noel                           
                                              
A Rita matou nosso amor                         
De vingança, nem herança deixou                                  
Não levou um tostão                                  
Porque não tinha não                                 
Mas causou perdas e danos                                
Levou os meus planos                               
Meus pobres enganos                               
Os meus vinte anos                        
O meu coração                               
E além de tudo                               
Me deixou mudo                             
Um violão.                            

O cancioneiro difere do manuscrito, no registro do segundo verso da segunda estrofe, dando a ela um verso a mais: “De vingança”. O que o autor fez no original foi usar um recurso poético que lhe permite transferir parte do conteúdo sintático de um verso para outro, acima ou abaixo. É o dito Cavalgamento, vide vírgula no centro do verso abaixo.            

Percebe-se que Chico, desde Você Não Ouviu, usa tornar os seus personagens femininos levianos. Por exemplo, A Rita leva todo o jeitão de arquétipo de uma futura composição chamada A Rosa.        

Meio suspeita a história de “São Francisco de Rita”, mesmo porque, talvez para complicar ainda mais o “meio de campo”, quando “Rita” Pavoni esteve pelo Brasil, na década de 60, trazia em seu repertório a composição, cujo título, traduzido para o Português, é “Não é Fácil Ter Dezoito Aninhos”, que a própria Rita dizia ser dedicada a um antigo namorado dela, brasileiro, que conhecera na Itália quando menina, no final dos anos 50.

Curiosamente, Rita também surgiu, repentinamente, no Estádio do Pacaembu, SP, para assistir a um jogo do São Paulo F.C. pelo campeonato paulista, acompanhada por um “jovem cantor” brasileiro.

A sua agenda por aqui previa apresentações com um recém surgido grupo musical chamado Jovem Guarda, liderado por Roberto Carlos, com quem fez algumas apresentações que marcaram mais a sua estada no Brasil.

A vinda dela pra cá só era mais um truque promocional de aproximação das músicas brasileira e italiana, desde o final dos anos 50 e princípio dos 60, com o surgimento de nomes como Nico Fidenco (Legata A Um Granelo Di Sábia), Sérgio Endrigo (Io Che Amo Solo Te) e, na época, aproveitando o embalo de um famoso filme chamado “O Candelabro Italiano”, cuja música principal foi a linda e conhecida “Aldilá” (abstração do termo Além).

Posteriormente, com o estreitamento maior dos laços musicais ítalo-brasileiros, Roberto Carlos foi convidado por Sérgio Endrigo para cantar uma canção, de sua autoria, chamada “Canzone Per Te”, que acabou vencedora do Festival de San Remo.

Já havia por aqui a maciça presença de todo um elenco de cantores italianos, tais como Bobby Sollo (Uma Lacrima Sulviso), Pepino Di Capri (Roberta – Champagne), Pino Donagio (Io Che Non Vivo).

Gianni Morandi, ficou mais famoso pela composição “Era Um Ragazzo Che Come Me Amava Beatles e Rolling Stones” posteriormente receberia uma versão em Português, cantada originalmente, creio, pelo conjunto “Os Incríveis”, depois por Jerry Adriani e mais recentemente pelo “Engenheiros do Hawaí”.

Voltando à Rita Pavoni, sugiro a vocês compararem os textos, feitos na mesma época, das composições Não É Fácil Fazer 18 Aninhos – Fortíssimo – Da Te Mi Um Martelo; pois então, complicando ainda mais o “jogo”, poderão até cantar:

Aldilá (lá no além) de la volta infinita
Aldilá de la vita…

Em São Paulo, o time de coração do Chico é tão tricolor quanto o Fluminense no Rio.

Ele morava na Rua Buri, em Sampa, no bairro do Pacaembu, bem atrás do estádio.

A Rita Pavoni dedicou a composição dos 18 Aninhos a um namorado brasileiro que tivera na Itália, quando menina, no final dos anos 50.

A família Buarque de Hollanda voltou da Itália no final dos anos 50.

- Quem seria o desconhecido cantor brasileiro que acompanhou a consagrada estrela  num jogo do São Paulo no princípio dos anos 60?

- Façam as suas apostas, pois, quanto a mim, “Um passarinho me cantou que a boa brisa lhe soprou que vem aí Bom Tempo …”

Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos (1964)…
                      
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  del.icio.us isto!

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