A MPB Não Morreu
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A MPB não morreu e tampouco se encontra em estado de hibernação. Mudaram apenas os motivos para fazê-la, o que é bom, e a qualidade cultural de quem ainda tenta alguma coisa com ela, o que é ruim.
Toda Música que esteja voltada somente a um conceito de luta, idealística ou não, deixa de ser Música Popular e vira um hino.
Há muita confusão conceitual sobre a dita MPB dos anos dourados, cujo auge ocorreu nos anos 60 e 70 do século passado,onde se destacaram partes das obras de Chico Buarque e Geraldo Vandré, como música de protesto contra militar, engajamentos vários e rótulos outros.
Qualquer texto se baseia em algo observado pelo redator que, subjetivamente, descreve o observado em prosa ou, no caso dos dois, em versos.
Dois fotógrafos do nosso comportamento social viram, de repente, suas músicas virarem hinos de boiadas, engajadas pela imprensa, que propagava tais associações no entendimento popular, mesmo tendo tentado, como Vandré o fez em Disparada, alertar-nos dessas possíveis manipulações.
Ambos sabiam que aquela “Troca de Tutores”, ocorrida na década de 50, quando sairam os europeus do D. Pedro I e entraram os americanos do JK; era extremamente maléfica para as nossas raízes culturais, já que os anteriores eram apenas agiotas, mas os novos já chegaram entusiasmados com o Machado atuando na nossa Árvore Cultural.
Chico até tentou, em 1968, dar-nos uma idéia do que acontecia com ele nos bastidores da fama, com a peça Roda Viva, mas o Vandré, preferindo ficar na dele, apenas usou o final da peça, onde Chico nos ofereceu “flores, flores e flores”, para dar um recado ao colega: “Prá Não Dizer Que Não Falei Das Flores”.
Os novos Anjos e Capetas do Chico Silver mandaram-no para a Europa, no que foi apelidado de auto exílio na Itália, previsto, inclusive, na própria peça, onde pôde oficializar a troca de patrões: Largava a RGE do marinho americano e voltava ao seio europeu ancestral da Philips holandesa.
O Machado continuou agindo, de forma cada vez mais eficaz na Idiotização Dirigida, até chegarmos à MPB atual, que continua sendo música, popular e brasileira; já que apresenta alguns acordes melódicos.
Todavia, aquela troca de gravadoras, serviu como uma espécie de referencial histórico para a MPB, pois coincidiu com a vontade dos europeus recuperarem o Brasil como “praça comercial”, ou Kahal; fica ao gosto do usuário.
O histórico de tal recuperação é cheio de lances românticos, como o ressurgimento de um partido dos trabalhadores, iniciado nos anos 40 pelo pai do Chico, na figura de um metalúrgico do ABC nos anos 80.
Tal romance durou até que, finalmente, os figurinistas europeus conseguiram vestir e revestir uma camisa de sua grife no Cabide Brasília, que, pelo visto, e para a sorte da nossa cultura, continuará seguindo as tendências da moda européia.
Tenho um site onde tento, de alguma forma, além de manter acesa a chama histórica da MPB, mostrar as bases da Ciência Poética, que a idiotização dirigida subtraíu dos conteúdos escolares da disciplina Língua Portuguesa.
A grande procura dos jovens me permite dormir tranquilo. O bastante para sonhar que, em algum lugar do Futuro, a MPB bem escrita renasça pelos mesmos, já compositores.
Basta que cada um faça a sua parte. E o MPB Sapiens agradece por não falar sozinho, já que esta porta escancarou honestamente. Não a fechem.
Dalton.
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