Archive for novembro, 2011

Ópera do Malandro – Introdução

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INTRODUÇÃO

 

Luz no produtor, de smoking, à frente da cortina fechada

 

PRODUTOR

Prezados espectadores, boa noite. Alguém já disse que, quando o artista sente a necessidade de explicar sua arte ao público, um dos dois é burro. É excusado dizer que não pretendemos arremessar semelhante adjetivo sobre a distinta platéia. Quanto a nós, mesmo correndo o risco de endossar tal qualificação, achamos por bem dirigir-lhes algumas palavrinhas à guisa de introdução. Eu pessoalmente, como produtor deste espetáculo, devo dizer que ele representa uma nova vereda para a nossa companhia teatral. Acredito que é tempo de abrirmos os olhos para a realidade que nos cerca, que nos toca tão de perto e que às vezes relutamos em reconhecer.E a nossa companhia chegou à conclusão que é chegada a hora e a vez do autor nacional, esse profissional sempre às voltas com intrincados problemas que o impedem de se comunicar mais amiúde com seus conterrâneos e, não raro, de viver dignamente do ofício que um dia resolveu abraçar. Pois bem. Após longa e persistente pesquisa, logramos encontrar uma peça de autor ainda inédito em nossos palcos mas que goza de palpável prestígio nas chamadas rodas de malandragem da noite carioca. E estou certo de que não há desdouro algum para o curriculum da companhia que aqui represento em montar esta “Ópera do Malandro”, cujo autor eu gostaria de chamar neste momento ao palco. Com vocês, João Alegre! (João Alegre entra no palco vestido de malandro carioca)  Boa noite, João! Devo dizer que Alegre abriu mão dos seus direitos autorais relativos ao espetáculo desta noite, permitindo que a bilheteria revertesse integralmente para as obras caricativas da Morada da Mãe Solteira que, como todos sabemos, é uma organização que vem prestando inestimáveis serviços à nossa sociedade. E neste instante eu tenho o prazer de chamar ao palco a presidente da Morada da Mãe Solteira, sra. Vitória Fernandes Duran…Onde está dona Vitória? Ah, sim, lá vem vindo ela…Os senhores que contribuíram para o brilho desta noitada beneficente certamente conhecem as muitas virtudes da senhora Vitória.Boa noite, dona Vitória! (pede aplausos)

VITÓRIA

Muitíssimo obrigada! Saibam todos que o orgulho é todo meu em ter esta chance de vincular o nome da Morada da Mãe Solteira ao de uma companhia que só tem feito abrilhantar o Teatro com “T” maiúsculo em nosso país e no exterior!

PRODUTOR

O que o público provavelmente não conhece é o talento dramático de dona Vitória. Sim senhores! Tenho o gosto de anunciar que nesta noite tão especial o nosso elenco contará com a generosa participação da própria senhora Vitória Fernandes Duran! Em pessoa e ao vivo! (Black-out)

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PRÓLOGO

A cortina permanece fechada; luz, em João Alegre que batuca numa caixinha de fósforos; a orquestra entra aos poucos

João Alegre canta “O Malandro 1″:

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O Malandro em Quadrinhos – Chico Buarque

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Música - O Malandro 1

Intérprete(s) – MPB4s) – Mo

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TURNO

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aaO malandro, na dureza

aaSenta à mesa do caféaaaaaBebe um gole de cachaçaaaaAcha graça e dá no pé…

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aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaDe passagem pela caixa

aaO garçom no prejuízoaaaaSem sorriso, sem freguêsaaaDá uma baixa no Português

a

O galego acha estranho

aaQue o seu ganhoaaaaaaaaaaPega o lápisaaaaaaaaaaaPassa os danos

aatá um horroraaaaaaaaaaaaasoma os canosaaaaaaaaapro distribuidora

a

aaaaaMas o freteaaaaaaaaaaavê que ao TodoaaaaaaaaaHá engodo nos papéisa

a

aaE pra cima do alambiqueaaaaaaDá um trambiqueaaaaaaaade cem mil réisa

a

aaO usineiro, nessa lutaaaaaaaaaaGrita à ponteaaaaaaaaaaaaaque o partiua

a

aaNão é idiota, trunca a notaaaaaaaaaaaaaaaLesa o Banco do Brasila

a

aaNosso banco tá cotado

aaNo mercado exterioraaaaaaEntão taxa a cachaçaaaaaaA um preço assustadorA

(Família Rotschild)Aa

RETURNO

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aaaMas os Ianquesaaaaaaaaaacom seus tanquesaaaaTêm bem mais o que fazera

a

aE proíbem os soldadosaaaaaaaaaAliadosaaaaaaaaaaaaaaaaaade bebera

a

aaA cachaça tá parada

aaRejeitada no barrilaaE o alambique tem chiliqueaaaContra o Banco do Brasila

a

aaaaaaO usineiroaaaaaaaaaaafaz barulhoaaaaaaaaaCom orgulho de produtora

a

aMas a sua raiva cegaaaaaaaaaaDescarregaaaaaaaaaaaaaaaano carregadora

a
aEste chega pro galegoaaaaaaaaaNega arregloaaaaaaaaaaaaaa cobra maisa

a

aaaaaaA cachaçaaaaaaaaaaaaaatá de graçaaaaaaaaaaaMas o frete como é que faz?a

a

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaEntão deixa congelada

aO galego tá apertadoaaaaPro seu lado não tá bomaaaaaaaa mesada do garçom

a

aaaO garçom vêaaaaaaaaaaaaao malandroaaaaaaaaaaSai gritando: -Pega ladrão!a

a

aE o malandro autuadoaaaÉ julgado e condenadoaaaaaaCulpado pela situação.a

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaU.P.I.

Breque na orquestra; black-out

 

O Malandro 1 é a música de abertura da Ópera do Malandro, que foi aos palcos no final dos anos setenta.

Parece tão atual!

 

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Comentário (1) »

A Tradição Oral e o Atavismo

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Enquanto as palavras de pais e filhos definem a Tradição Oral, o Atavismo paira na cumplicidade dos Silêncios.

 

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http://letras.terra.com.br/paulinho-da-viola/710290/

O Filho Que Eu Quero Ter (Vinícius de Moraes)

 

 

 

 

 

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Rock Brasileiro – Raízes IV

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Anterior -> http://mpbsapiens.com/rock-brasileiro-p3/

Como a Jovem Guarda estava perdendo o interesse, tanto pelos festivais de MPB, que geravam vários programas dela na Record durante o resto da semana sob o comando de Blota Jr. ou Randal Juliano, houve uma nova tentativa da emissora em recuperá-la com o surgimento de outro ídolo romântico para fazer frente ao Roberto Carlos.

Ronnie Von chegou com tudo, em nova versão de música de um Beatles mais recente, pois enquanto Renato e Seus Blue Caps cantavam versões mais antigas, Ronnie cantava uma do posterior LP Rubber Soul. Havia mais do que um “Revólver” (LP dos Beatles) entre eles:

http://letras.terra.com.br/the-beatles/176/traducao.html

http://letras.terra.com.br/ronnie-von/757433/

Mas a presença de Ronnie não foi o bastante para segurá-la no ar por muito mais tempo.

Voltando aos conjuntos que nela se apresentavam, havia muitos contrastes de qualidade entre eles. Embora eu não tenha encontrado um vídeo do conjunto The Bells dos anos 60, fui surpreendido por uma boa novidade, além do observado nesse respeitado programa, Perdidos na Noite,  comandado por Fausto Silva, que depois virou faustão da globo:

http://www.youtube.com/watch?v=5bAGutN28Bo

Porque, além do conjunto da época possuir o mesmo Rock Essencial dos primórdios, conforme esse mistão de Ray Charles, Chubby Checker e Bill Haley apresentado, os originais integrantes tiveram o cuidado de transmitir as experiências para os mais jovens, talvez parentes, cuja troca de informações nos estilos de distintas épocas pode ser notada neste próximo vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=BR6ZLFtH5cw&feature=related

Um original do Doors com gaita de Canned Heat e Creedence Grapevine acelerado, só que melhorados na execução, com um excelente instrumental por detrás, constituindo um feliz caso de Tradição Oral no Rock Brasileiro.

http://www.youtube.com/watch?v=x_picMsSZVA&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=93S_l0qZrXA

Esse tipo de rock, por não parecer-se nem um pouco com o que a Jovem Guarda de então fazia sobre os palcos, durava muito pouco nela, mas mostrava que se por um lado o nosso rock perdera muito da essência bravia, por outro continuava vivo, ainda que no underground da garagem familiar.

Por falar em Underground Íntimo, é nele que costumam nascer coisas como esta:

http://mpbsapiens.com/opera-almas/

Depois disso fica difícil continuar tratando do Rock Brasileiro pela Jovem Guarda. Faltaria citar muita gente, como Vanderley Cardoso, Jerry Adriani, Rosemary etc; que agora se torna impossível de comentar, mas apenas citar:

http://www.youtube.com/watch?v=vGH387-1e9k

http://www.youtube.com/watch?v=4QyoRMb57wc

Semelhante ao que um dia fizera com Os Iguais na Jovem Guarda, a Record cometeu outro desatino ao colocar Roberto Carlos para disputar o Festival de MPB de 1967, com o samba-canção Maria, Carnaval e Cinzas:

http://www.youtube.com/watch?v=h-Y_ZjWpFEQ

Não era a praia do cara, e a reação do público foi só uma óbvia consequência da infeliz iniciativa da emissora. O samba do Paraná até que era gostoso e bem escrito, mas a coisa ficou totalmente distorcida.

A década de 60 também ficou marcada pelo intercâmbio cultural entre Brasil e Itália. Astros como Nico Fidenco, um famoso cantor romântico da música italiana, resolvendo dar batida de rock na sua música, conseguiu um interessante trabalho de Rock Romântico Orquestrado no princípio dos anos sessenta:

http://letras.terra.com.br/nico-fidenco/174074/

Vindo em seguida um trio de roqueiros, Rita Pavoni, The Rockes, Gianni Morandi e, finalmente, um outro romântico, Sérgio Endrigo. Todos tinham as suas músicas de sucesso transitando muito bem nas rádios brasileiras.

http://letras.terra.com.br/rita-pavone/64293/traducao.html

http://letras.terra.com.br/the-rokes/681538/

http://letras.terra.com.br/gianni-morandi/392448/traducao.html

Essa música do Gianni Morandi logo recebeu uma versão brasileira, cantada originalmente por Os Incríveis e posteriormente por Engenheiros do Havaii:

http://letras.terra.com.br/os-incriveis/47830/

A música foi um dos últimos trabalhos dos Incríveis na formação original. Pouco depois o baterista Netinho, já ausente nesse vídeo, esteve afastado de cena por um tempo. Sua volta aos palcos se deu pela união a um outro ex-Incríveis, o Aroldo; com quem formou um novo conjunto: Casa Das Máquinas, com um rock misto do antes em Incríveis com o pós que buscava um vocal Led Zeppelin, o que chamaram de Rock Progressivo:

http://letras.terra.com.br/casa-das-maquinas/316088/

http://letras.terra.com.br/led-zeppelin/65307/traducao.html

Retomando e finalizando o assunto da influência italiana na música brasileira, o romântico Sérgio Endrigo:

http://letras.terra.com.br/sergio-endrigo/172914/

Sendo amigo pessoal de Chico Buarque, Endrigo, fazendo uso de um mesmo truque que Chico usara em 1966, com A Banda, que implicava na música ser cantada antes por Nara Leão e depois por ele, o autor, sob o argumento de dar à música uma originalidade não muito nítida na primeira interpretação. O truque era claro: Cantar a música duas vezes seguidas e, fatalmente, ganhar maior memorização da letra pelo público.

Em 1968, Sérgio Endrigo chamou o Roberto Carlos para cantar Canzone Per Te, inscrita no Festival de San Remo, Itália. No festival, cantava  primeiro o Roberto e depois ele, o autor. Não deu outra. Além do povo cantar junto na final e ganhar o festival, colocou a diplomacia cultural lá em cima:

http://www.youtube.com/watch?v=67ZvL74QDTw

http://www.youtube.com/watch?v=r5SaLIqtVYA

Roberto continuou cantando por aqui, foi assumido pela globo e manteve o grande sucesso anterior e merecido na música brasileira. Contribuíu com alguma coisa para o desenvolvimento do rock brasileiro, mas, infelizmente, assim como a Jovem Guarda deu emprego a muita gente boa do rock, também representou uma espécie de penitenciária romântica para o rock essencial, que por ser mais selvagem merecia constante vigilância.

Que o Rock Policiado dava mais grana ao partir para o Romantismo, não há qualquer dúvida, mas não há dinheiro que pague o prazer de um Momento da Inspiração para o compositor, em qualquer gênero musical, ainda que certa harmonia surja debaixo do chuveiro, obrigue o cara a sair do banho ensaboado e se enxugar cantando a sequência de notas para não perdê-la até chegar ao fiel instrumento.

A Jovem Guarda teve o seu inegável valor, mas, hoje, não há como enxergá-la de outra forma que não esta:

http://www.youtube.com/watch?v=puWLFHypdoY

Mesmo com a Jovem Guarda ativa nos domingos, Sampa nunca deixou de apresentar bailes em salões como Aeroporto, Clube Pinheiros, Casa de Portugal etc; onde tanto o povo do Rock Essencial quanto do Romântico costumavam se apresentar. Novos conjuntos surgiam, já com instrumental bem mais poderoso do que o dos primeiros conjuntos de Rock Instrumental.

Embora alguns grupos se apresentassem nos salões acima citados, de alguma forma acabaram adotando o salão do Círculo Militar como a nova Casa do Rock em Sampa. Dentre os conjuntos que se apresentavam no Círculo, havia Os Mutantes, citados na postagem anterior com Banho de Lua.

Foi numa dessas “domingueiras” no Círculo Militar que Gilberto Gil encontrou Os Mutantes, e é bem possível que o nome da composição tenha surgido de tal encontro, já que o Círculo Militar fica no Ibirapuera e junto dele há o Parque do Ibirapuera, famoso também por na década de sessenta ter servido para que os imigrantes nordestinos, recém-chegados ao sudeste, pudessem armar barracas e acampar até arrumarem um teto.

Em tais acampamentos era comum ocorrerem disputas entre pernambucanos e baianos, por questões que envolviam desde a propriedade de um bode até as de honra. Não seria anormal que o enredo do Gilberto Gil tivesse se desenvolvido no Parque do Ibirapuera, com os escandalosos jornais “Última Hora” ou “Notícias Populares” lançando manchetes matinais do tipo:

“Domingo de Sangue no Parque: Ciúme foi a razão do cuel homicídio!”:

http://www.youtube.com/watch?v=Zbv3M-AdxC0

Nesse mesmo festival de MPB, Caetano Veloso conseguiu a quarta colocação com a música Alegria, Alegria, também acompanhado por um conjunto de rock, só que argentino: Os Beat Boys, cujo chefe era Tony Osanah, que após encerrar sua participação no conjunto montou outro chamado Raízes de América:

http://www.youtube.com/watch?v=4tzSETbQcJk

Os Mutantes continuaram a sua normal trajetória no rock. No ano seguinte, aproveitando o sucesso de um revolucionário filme, 2001, Uma Odisséia no Espaço, colocaram esta música como carro-chefe do LP:

http://www.youtube.com/watch?v=BiueXI_PIkA&feature=related

Sem que pudessem imaginar, essa execução dos Mutantes, em “Caipirrock”, acabaria tornando-se uma espécie de profecia nos destinos do rock brasileiro alguns anos mais tarde. Aquela debochada interpretação caipira acabaria vendo anos após a invasão das famosas duplas sertanejas no espaço musical brasileiro, à partir de Chitãozinho & Xororó com o seu primordial Fio de Cabelo, secundada por colonizações de Rap, Funk etc.

Isso jogou o Rock Brasileiro num estado tal, que hoje vê passivamente Shakira e Ivete Sangalo apresentando uma espécie de “Sambaxé Music”, no mesmo palco usado por Elton John num festival chamado Rock (?) In Rio.

http://www.youtube.com/watch?v=dnEPqUbFlfE

http://www.youtube.com/watch?v=iXsdGIAut4Q&feature=related

Voltando aos Mutantes Profetas, o conjunto se desfez pouco tempo depois com o adoecimento do Serginho. Rita Lee seguiu famosa na carreira solo, e o ex-Arnaldinho virou o Arnaldo Antunes, que ainda meio preso ao passado formou um novo grupo chamado Os Titãs. Convém lembrar que tal nome foi usado pela mitologia grega para rotular os deuses ancestrais: os Titãs Cronos, Oceano, Hiperíon etc; que foram sucedidos pelos Olímpicos da turma de Zeus, Apolo, Hades e também etc.

http://letras.terra.com.br/rita-lee/94/

http://www.youtube.com/watch?v=4Nb7B1N-fdk

Mas esse mesmo rock brasileiro, que futuramente pulsaria na forma mutante de Titãs, pôde antes disso testemunhar em 1969 a um grande Manifesto do Rock, contra toda aquela manipulação que sofria por parte da Indústria da Fama, vista no Brasil com o nome Jovem Guarda.

Além de contribuir fortemente com o Rock, a chegada dos Beatles trouxe também uma espécie de Formato Ideal do Sucesso. Embora tenha surgido, ainda na Inglaterra, manifestações contrárias a esse tipo de ação:

http://www.youtube.com/watch?v=pAOQkSFTKMw

Não demorou muito para a fama chegar e os caras começarem a cantar isto:

http://www.youtube.com/watch?v=3a7cHPy04s8

Os próprios Beatles, cientes do mal extra que a sua arte causava ao Rock, já haviam se manifestado de forma divertida sobre a questão, ao se sepultarem oficialmente e renascerem com outro nome e noutra gravadora, Aple. A gozação ficou maior ainda com os dizeres, inscritos na blusa listrada da menininha, abaixo e à direita dos presentes ao funeral: Welcome The Rolling Stones!

Obs. Caso não tenha ficado nítido aqui, é só editar a foto noutro lugar que o recado estará lá.

 

http://www.youtube.com/watch?v=eN9NfYC3HC0

Leva de brinde uma “pequena ajuda dos amigos”.

Guardando as proporções, e semelhante ao que acontecera conosco com a Jovem Guarda, o restante do universo musical enfrentava o mesmo com a Beatlemania. Roqueiros de todo o mundo sentiam o problema. Tal sentimento crescente acabou explodindo no Festival de Woodstock em 1969, com as seguintes marcas filosóficas:

1 – O Rock precisava se libertar das amarras comerciais da propaganda:

http://www.youtube.com/watch?v=fA51wyl-9IE

2 – Aquela “Pequena Ajuda Dos Amigos”, solicitada pelos Beatles, deveria ser lembrada. Não por um americano, mas por alguém do reino britânico, com a voz que lembrasse Ray Charles muito mais agressivo pela memória:

http://www.youtube.com/watch?v=ZBR0T3f7tUw

3 – Antes de ser cantado, o Rock nascera na luz dos instrumentos musicais, a partir das felizes variações do Ritmo numa Bateria:

http://www.youtube.com/watch?v=dLDalZ4-53g

Um posterior encontro do roqueiro irlandês de Woodstock com o ídolo americano:

http://www.youtube.com/watch?v=gffIRHTGVac

4 – Para ser salvo das interferências da Indústria da Fama, o Rock Essencial tinha de voltar às origens e ser revisto pouco mais de dez anos após. O que teria mudado?

http://www.youtube.com/watch?v=LFpfureaCVs

Mesmo que Woodstock tenha oferecido ao mundo uma série de mensagens outras, como a de Jimi Hendrix, sobre o sentimento nacionalista americano, por exemplo; foram essas as quatro principais que extraí de tal festival, por tudo que observara ocorrer com o Rock, tanto no Brasil quanto no exterior desde o seu imaginário surgimento oficial por Ray e Bill.

Embora o festival tivesse dado o seu recado de protesto contra a Indústria da Fama em 1969, deixou como exemplos aproveitáveis muito mais das possibilidades instrumentais do que das filosóficas, já que os mesmos industriais das gravadoras aproveitaram muito bem o que as guitarras soaram em Woodstock,  para logo após atacarem novamente com as mesmas estratégias anteriores. Veja os exemplos de guitarra muito bem encaixados no comércio de discos:

http://www.youtube.com/watch?v=g_JPELY_mSw

http://letras.terra.com.br/bread/5759/

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Rock Brasileiro – Raízes III

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Os Iguais duraram pouco tempo, mas um deles voltaria posteriormente à Jovem Guarda já na carreira solo: Antonio Marcos:

http://www.youtube.com/watch?v=bbsNPb-A1Po&feature=related

Uma das coisas notáveis da música brasileira é o parentesco que certas canções apresentam, numa espécie de “lindo romance familiar”. Com a Jovem Guarda não foi diferente, vejam porque:

http://www.youtube.com/watch?v=gKkrZ2eo4l0

Ou, talvez exagerando um pouco:

http://www.youtube.com/watch?v=yAoYKqjfhNk&feature=related

Como a coisa toda pertencia à mesma Família Romântica da Jovem Guarda, Antonio Marcos ficou famoso por protagonizar um romance que acabou se transformando no “Casal da Jovem Guarda” com a chegada de Vanuza:

http://www.youtube.com/watch?v=RX1QGMFp9FE

Antonio Marcos e Vanuza formaram um lindo casal por bom tempo no ar, mas ocorreram desdobramentos que pouco cabem neste documentário. Houve um outro casal artístico, também formado na Jovem Guarda de forma interessante.

Ronnie Cord tinha firmado as suas raízes no rock pela rebeldia dos rachas paulistanos da Augusta. Erasmo Carlos tinha deixado a idéia de conquistador. Surgiu então, vindo direto dos pampas gaúchos, a mescla dos dois primeiros na forma de Eduardo Araújo, com um rock transbordante de energia, cuja interpretação vocal remetia o rock aos anos cinquenta, num estilo meio Chuck Berry. Ele É O Bom:

http://www.youtube.com/watch?v=Sv8XehRa-cg

http://www.youtube.com/watch?v=6ofD9t_sULM

Independente da gozação na letra debochada, a chegada de Eduardo Araújo foi uma tremenda Injeção de Rock, numa Jovem Guarda que tendia cada vez mais para o meloso romantismo de Roberto Carlos, pois, só a frieza analítica do agora permite avaliar que, além de buscar o rock essencial dos anos 50 com Chuck Berry, caso Eduardo Araújo tivesse um instrumental mais potente, nas mãos de um guitarrista mais valente, poderia muito bem estar associado a futuros rocks, surgidos fora do Brasil, e nesta forma:

http://www.youtube.com/watch?v=AlP-PXnwM3w

Eduardo Araújo não durou muito tempo na Jovem Guarda, mas ficou o bastante para ganhar um romance e depois sumir do mapa, já que o seu rock essencial não era muito “apropriado” às intenções do programa. Sua posterior dama foi Silvinha:

http://www.youtube.com/watch?v=a-3GU6r6zt0

Pra quem gostar de maiores explicações acerca dos romances entre Antonio Marcos-Vanuza, e Eduardo Araújo-Silvinha, sugiro procurar nas seguintes revistas: Manchete, ou Fatos & Fotos, ou mesmo O Cruzeiro; porque numa dessas, e daquela época, haverá um espaço chamado: Mexericos da Candinha; que fazia uma espécie de cobertura dos Bastidores da Jovem Guarda. Como não tinha o hábito de ler tal coluna, não me lembro de qual revista era, e tampouco o jornalista responsável, mas até isso foi cantado no programa pelo Rei:

http://www.youtube.com/watch?v=wLfjXeJBMxg

Voltando aos artistas que deram um valor mais artístico do que social à Jovem Guarda, começo citando a chegada das duplas. Uma das primeiras, e talvez a única composta por cantor e cantora, foi Leno e Lilian, também os primeiros da Jovem Guarda a cantar música mais voltada às diferenças observadas nas classes sociais:

http://www.youtube.com/watch?v=2hpL5d65bDw&feature=related

Mas Leno & Lilian também seguiam os protocolos do programa com isto:

http://www.youtube.com/watch?v=yQd334Z8sps&feature=related

As duas músicas de maior sucesso sucesso da dupla praticamente contavam as razões pelas quais havia nascido e inevitavelmente se separaria, como de fato ocorreu pouco tempo depois.

Depois vieram Os Vips:

http://www.youtube.com/watch?v=ETn1GB3jSGI&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=bAKIjDUsdsY&feature=related

Logo após o surgimento dos Vips, vieram Deny e Dino:

http://www.youtube.com/watch?v=xzZCwdmDziY&feature=fvsr

http://www.youtube.com/watch?v=QT1eRpFxOlo

À partir de Deny e Dino nota-se que, se por um lado a melodia do rock melhorara um pouco, por outro as letras tendiam ao empobrecimento. Esse aspecto último, o das letras pobres, começou a mostrar-se também nas músicas de certos conjuntos musicais.

Havia uma receita com os seguintes passos:

1- Tentava-se conseguir uma entrevista ao vivo em alguma Rádio com boa audiência, onde anunciava-se o compacto para breve lançamento. O bom era conseguir algo com Miguel Vacaro Neto.

2- Com um pouco de sorte, cavava-se uma participação na famosa “Vitrola Mágica”, um programa da Rádio Bandeirantes, feito direto nas ruas e comandado pelo radialista Enzo de Almeida Passos, autor da música Negue.

3- Se o texto fosse em outra língua, fatalmente o cantor teria de tentar enfiar a música numa Rádio, cujo nome creio ter sido Capital, que tinha um programa em que o radialista traduzia cada verso da música simultaneamente à execução.

4- Lançamento do disco. Não confundir com prova de Atletismo, embora muitos daqueles discos poderiam ser “arremessados” sem qualquer peso na consciência.

5- Apresentação do cantor na Jovem Guarda.

Para vender o sucesso nas lojas de disco, os títulos das músicas precisavam ter algo de bem chamativo.

Houve uma vez em que o nome de um rock chamou-me a atenção. Imaginava que o título, Muro de Berlim, associado ao nome Brazilian Bitles, pertencesse a um rock pesadíssimo. Como eu já conhecia e aprovara o conjunto nos bailes, pedi ao atendente para escutá-lo na loja de discos, antes de comprar.

Depois entendi porque o cara da loja me enrolou tanto antes de colocar o disco para eu ouvir. Claro que resultaria em produto não vendido. Vejam o que era o Brazilian Bitles naturais. Atentar para o detalhe da “pequena câmera” transitando pelo palco, que dava um certo ar de “Malvadeza Espacial”, pela semelhança com as naves:

http://www.youtube.com/watch?v=3wDELJQnsUA

Pensando melhor, e sem querer ofender, acho que aquela “Engronha Tanseunte” é alguma Máquina do Tempo filmando uma tentativa de releitura vesga do What I Say, do Ray Charles:

http://www.youtube.com/watch?v=65FOQpQpSwc

Como não achei um vídeo sequer daquela pobre música, com a letra ainda mais “carente” do que a melodia, cujos autores nem me dera o trabalho de na ocasião pesquisar, pude agora, décadas após, constatar o seguinte:

Num dos vídeos aparece o Roberto Carlos como autor. Noutro, aparece como sendo de Erasmo Carlos. Em nenhum dos dois casos o vídeo está disponível. Foram amigos até nisso. Assumiram isoladamente aquela coisa sofrível que tiveram a infelicidade de construir, e a venderam a um conjunto que buscava fama usando os nomes de ícones da Jovem Guarda.

Para não comprometer o amigo, cada qual assumiu a coisa como própria. Já não se fazem mais amigos como antigamente, embora letrinhas doentes, como essa, sim.

Como diria Bóris Casoy: “É uma (pausa) Vergonha”.

Muro de Berlim (Roberto Carlos e/ou Erasmo Carlos)

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Até o céu se rebelou
Quando viu minha história de amor
Feliz eu era um dia
Tinha tudo o que queria
De repente fiquei sozinho
Sem carinho , sem ninguém
a
O muro de Berlim
Entre eu e meu bem ,
Cortaram a alegria do meu coração
Como se corta uma fatia de pão
a
Deus tenha pena
E traga meu amor pra mim
Em Berlim , em Berlim ,
Em Berlim , em Berlim
a

Como velhas águas sujas nunca moveram o Rock Essencial Brasileiro, finalizo esta segunda parte deixando-o descansar sobre águas turbulentas internacionais:

http://www.youtube.com/watch?v=DXF5lVpN1ys

 

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