Archive for novembro, 2010

A Relatividade de Einstein Na MPB

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Já postei anteriormente alguns ensaios da influência dos estudos de Einstein na MPB. Na ocasião, citei parte da obra do Gilberto Gil, que batizei como  Fase Relativista do Gil, trabalhada por mim à partir de um conto: Amarra o Teu Arado A Uma Estrela.

http://mpbsapiens.com/amarra-arado/

Outras composições vieram além dessa nas postagens, e todas  se encontram ligadas por endereços semelhantes, o que facilita à sequência do estudo, de acordo com a cronologia das canções envolvidas.

Como outros compositores da MPB, dentre os quais o Chico Buarque, também sugeriram terem trabalhado com os estudos de Einstein nas letras, para o assunto não ficar meio no chute, resolvi tentar dar uma breve descrição dos mesmos, mais voltada a dois aspectos principais:

A Relatividade Visual do ser humano, e algo batizado pela ciência com o nome de Paradoxo do Tempo.

O primeiro relacionado às questões de distâncias, ou Espaços. O segundo, um pouco mais complicado, vem da comparação dos Tempos de dois distintos observadores: O da plataforma de um trem e o de um ocupante do mesmo.

A Relatividade visual, ao depender da distância, de quem observa para o objeto observado, é simples e direta:

- Quando perto da coisa, temos uma idéia menos ilusória do seu tamanho. Quando longe da coisa, temos a ilusão visual de algo menor. Nada tem um tamanho Absoluto, pois se colocarmos a coisa próxima ao nariz ela dará a ilusão de ser imensa.

A coisa tem um tamanho relativo e adequado à altura de quem a observa, só isso. Se a distância horizontal da coisa for a de 1,7om, igual à da altura dos olhos de um observador com 1,70 de altura, dará a ele a visão menos ilusória, que não será igual à de outro observador com 2 metros de altura, cuja distância ideal da coisa seja os mesmos 2 metros.

O tamanho da coisa é ilusório por ser Relativo:

Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje mundo é muito grande
Porque Terra é pequena

(Parabolicamará-Gil)

Os dois primeiros versos sugerem a idéia anterior à primeira visão da Terra à partir de uma nave espacial. Os dois últimos versos já se referem a uma idéia posterior da humanidade à respeito do fato.

Tudo o que era enorme para uma criança, à proporção em que ela cresce na altura, vai ficando cada vez menos menos assustador.

Quanto à comparação dos diferentes Tempos de dois observadores, temos que partir da idéia do observador 1 estar num veículo em movimento, e do observador 2 estar do lado de fora do mesmo veículo. Para o primeiro, tudo o que se movimenta está do lado de fora, mas para o segundo, quem está em movimento é o veículo do primeiro.

Imaginemos que, no veículo, há um carona, com uma lata de cerveja, devidamente esvaziada, na mão, e a pessoa resolve brincar de jogá-la para cima dentro do veículo. A lata subirá e descerá ao seu alcance tantas vezes quantas ele jogar.

Suponhamos agora que, num dado momento, o cara resolva brincar de jogar a lata para o alto com as mãos pra fora do veículo. Quanto maior for a velocidade do veículo, menor será a chance do cara pegar novamente a lata.

Não tem esse papo de que o vento é que empurrou a lata pra trás, mas foi a lata que saiu da realidade do veículo e entrou na realidade de fora dele, onde a velocidade é diferente, o que faz com que o Tempo e o Espaço também sejam, já que Espaço = Velocidade x Tempo.

Foi a partir dessa idéia que Einstein bolou o seu Paradoxo do Tempo da seguinte forma:

Colocou num trem um passageiro que tinha o hábito de sempre comparar os relógios das estações com o seu de pulso. Em outras viagens, constatara que a administradora da ferrovia era muito fiel, quanto aos acertos dos relógios das estações. Sempre exatos. Então começou a fantasia real:

Para a conta ficar redonda, Einstein trabalhou com múltiplos de 60, quantia fundamental do cálculo de Tempo, nas observações, pois o seu trem viajava 240.000 quilômetros em um segundo, logo, a velocidade era a de 240.000 km/seg. Para saber quanto isso significa em nossos padrões de  quilômetros por hora, basta multiplicar os 240.000 por 3.600, que é o número de segundos contidos em uma hora. 

As estações servidas por aquele Expresso Einstein distavam 864 milhões de quilômetros umas das outras. Comodamente, o viajante ajustou o seu relógio com o da estação e, pelos infalíveis relógios delas, as estações, tal distância entre as mesmas foi cumprida em uma hora, viajando à velocidade de  240.000 km/seg..

Espaço a ser percorrido – 864.000.000 de quilômetros

Velocidade do trem 240.000 km/seg.

Se Espaço = Velocidade x Tempo, temos:

Tempo = 864.000.000/240.000 = 3.600 seg.= 1 hora.

Ao chegar na outra estação, o passageiro do trem percebeu que o seu relógio atrasara 24 minutos. Ficou intrigado e foi conversar com o fiscal da estação, que disse:

- Isso sempre acontece por aqui. Esse trem sempre atrasa os relógios dos passageiros!

- Outro dia mesmo coincidiu do trem passar direto, mas, no momento em que cruzava à minha frente, as portas se abriram e levei um baita susto, com uma luz que formava um triângulo bem grande! A visão durou 10 segundos com aquela luz subindo e depois descendo à esquerda!

- No mês passado descobriram que foi obra de um espírito de porco, que colocou um espelho no teto do vagão e ficou brincando com uma lanterna em direção ao espelho do teto! Cada louco com a sua mania…!

 O viajante, que até então suspeitara dos relógios, pensou um pouco e disse:

- Ah bom! Agora está explicado!

Sem entender o papo do viajante, o chefe da estação foi conferir os bilhetes dos demais passageiros para que o trem pudesse seguir viagem.

Mas o que teria dado ao viajante a certeza de que os dois relógios estavam perfeitos, embora apresentassem aquela diferença de 24 minutos em uma hora?

Como ele já tinha brincado no trem com uma lata de cerveja, deduziu o seguinte:

-O dono da lanterna brincou com a luz indo ao espelho e voltando para a mesma lanterna, mas o chefe da estação não viu a coisa assim, pois estava do lado de fora do trem. E o que ele viu foi isto:

O trem viajava numa alta velocidade e o susto durou 10 segundos para que a luz da lanterna alcançasse o espelho do teto e voltasse para o chão do vagão, numa posição à esquerda da fonte. Sabendo-se que a luz viaja a uma velocidade de 300.000 km/s, aquele feixe de luz, viajando durante metade dos 10 segundos, percorreu 1.500.000 km da lanterna ao espelho, e outro tanto, dos outros 5 segundos, do espelho ao chão.

                              B (espelho)                                direção do trem————>

(chão) C                  d                      A (lanterna)      <— direção do feixe de luz

Se considerarmos a lanterna como o ponto A, o espelho do teto como ponto B, e o chão do vagão, aonde o feixe de luz terminou, como ponto C, teremos um triângulo isósceles, onde AB = BC = 1.500.000 quilômetros.

Como o trem viajava a uma velocidade de 240.000 km/s, basta multiplicar a velocidade pelo tempo do susto, 10 segundos, para deduzir que a base do triângulo, AC, é igual a 2.400.000 quilômetros.

Tudo havia ficado muito mais fácil, pois o viajante pôde calcular a altura do vagão aplicando o velho Teorema de Pitágoras num dos dois triângulos retângulos que formaram o grande isósceles nos 10 segundos de viagem da luz, onde a hipotenusa AB tem os 1.500.000 kms resultante dos 5 segundos de luz. Um dos catetos é metade da base AC do grande triângulo, representada por Ad, 2.400.000/2= 1.200.000 km e, finalmente, como o quadrado da hipotenusa é a soma dos quadrados dos catetos, descobriu que a altura do vagão era de apenas 900.000 quilômetros.

Triângulo Retângulo:

hipotenusa -> AB = 1.500.000 km.

cateto 1 -> Ad = 1.200.000 km.

cateto 2 -> Bd = ?

Se AB^2 = Ad^2 + Bd^2

Bd ? = Raiz de (AB^2 – Ad^2) = 900.000 km.

- Mas péraí! Como a luz subiu, refletiu e desceu, ela teve que andar 900.000 km pra ir até o teto e outros tantos pra voltar, o que totaliza 1.800.000km!

Se dividirmos essa distância pela velocidade da luz da lanterna, 300.000km/seg., teremos apenas 6 segundos de brincadeira no trem para os 10 segundos de susto do chefe da estação.

Vel. da Luz -> 300.000 km/seg.

Altura do vagão = 900.000 km. x 2 = 1.800.000 km.

1.800.000km./300.oookm/s = 6 seg.

Como surgiu a relação 6/10, e o relógio da estação marcava uma hora exata, 60 minutos x 6/10 = 36 minutos, que explicam os 24 minutos de diferença no relógio do viajante, pois 36 + 24 = 60 minutos = 1 hora. 

 Isso mostrou a Einstein que, quanto maior fosse a velocidade do trem, maior seria a diferença entre os relógios da estação e do viajante, o que permitiu a ele desenvolver a sua famosa Equação do Tempo, onde, por exemplo, num trem que viajasse a 0,9999 da uma velocidade da luz, por exemplo, uma hora da estação equivaleria a 1 minuto do viajante.

De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação
De avião o tempo de uma saudade
Pela onda luminosa, leva o tempo…

(Parabolicamará)

A letra diz que pela onda luminosa leva o tempo de um raio, mas aí o Gil, talvez para fazer média com o balaio da Rosa, pisou na bola, pois a coisa é muito mais veloz do que aquela brincadeira adolescente, de ver um raio, contar quantos segundos depois chegou o som, multiplicar o tempo pela velocidade do som e calcular, triunfante, à distância aonde aquele raio caiu.

O buraco é muito mais abaixo, ou acima, depende da nave do viajante, pois o Tempo também é Relativo.

Na próxima postagem, O Xote da Navegação, poderei mostrar, sem essa parafernália de contas, de que forma o Chico colocou tudo isso numa ingênua letra de música. 

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Rima da Diferença

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A crença pretensa da indiferença
É a presença da doença que não pensa

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Rima do Velho Côco

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Aquém piraquém
Porém além Matusalém

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Aprender A Fazer Poemas 2

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http://mpbsapiens.com/aprender-a-fazer-poemas/

O MPB Sapiens nasceu da minha vontade de escrever um livro sobre a obra do compositor Chico Buarque. Depois, pela grana que se gastava para fazer o livro, pelos problemas legais que o mesmo poderia me causar e pela facilidade que um blog, ou site, oferecia; optei pelo site.

Por ser uma obra com textos escritos em versos, vi a necessidade de colocar no site postagens ilustrativas dos elementos da Ciência Poética, para que os leitores pudessem ganhar um alcance melhor dos textos dele.

Passado um tempo, percebi que a carência maior dos estudantes estava mais voltada para a Versificação do que para a obra propriamente dita. Foi quando postei o Aprender A Fazer Poemas e, logo depois, o Como Fazer Um Poema Com Rimas.

http://mpbsapiens.com/como-fazer-poema-com-rimas/

Em ambas as postagens, vocês, leitores mais assíduos, geralmente têm os mesmos problemas para começarem a fazer os seus poemas. Resolvi então colocar as minhas últimas correspondências com vocês aqui, como postagem do site, para que possam, à partir delas, começarem a tirar as suas primeiras dúvidas que, como já disse, são comuns à maioria dos leitores.

Faço isso por dois motivos:

1- Preciso continuar com a idéia inicial, que é a de contar uma breve história da obra do Chico Buarque e, por extensão, a da MPB que a cerca.

2- Como sou um profissional autônomo, tenho de trabalhar para defender o leite das crianças e o cigarro do marmanjo.

Dá para perceber que o nosso problema maior é o meu tempo, que tem de ser suficiente para atender ao número crescente de interessados no aprendizado de poemas, de continuar com as demais postagens sobre MPB, e trabalhar para o sustento próprio.

Uma das soluções para isso seria conseguir parceiros comerciais. Tive alguns interessados em parcerias, mas brecamos no mesmo problema:

O espaço destinado ao aprendizado, ficando cheio de botões de propaganda ao redor, acaba fazendo com que o aluno, numa vacilada qualquer do mouse, vá para outra página e se distraia da atenção principal, que é a do aprendizado.

Esse é o maior problema da internet: a Dispersão, que acaba sempre dando à pesquisa do assunto uma idéia superficial e ninguém aprende a coisa direito.

Este site tem como objetivo maior a Cultura e a Educação, não o Comércio. Cultura e Educação não se vende ou se compra. Se dá gratuitamente ou, quando muito, se troca na forma de aluno e professor!

Portanto continuarei por aqui, informando-os com o tempo que me reste, mas também posso fazê-lo numa Cooperativa Da Poesia, que seria uma espécie de blog próprio, aberto e administrado por qualquer um ou mais  leitores que, juntos, estejam dispostos a me pagar um Salário Mínimo; o que me permitiria não ter de usar parte do tempo como profissional autônomo em outro local.

Essa Cooperativa Da Poesia poderia, ao contrário daqui, ter ao redor a propaganda comercial que a sustentasse, ou mesmo ser um clube com associados.

A sugestão está dada. Qualquer dos leitores que se interesse, para simplesmente aprender em conjunto, ou mesmo ganhar dinheiro com ela, e leve a idéia da cooperativa adiante, que me procure.

Vamos às correspondências:

 Assunto 1:

eu preciso de um comentário menos culto para um trabalho!!!Mas esse comentário ta mto bom!!!

Resposta:

Sugiro que você copie a postagem daqui num arquivo de texto seu, classifique os assuntos que considere menos cultos e reescrêva-os com as próprias palavras.

Dessa forma você fixa mais a interpretação do texto original, ao mesmo tempo em que dá a ele uma essência descritiva mais apropriada à escola.

Não conte a ninguém e colha os bons resultados. Juro que esse papo morre por aqui.

Vai firme! Grato pela visita e volte sempre.
Dalton.

Assunto 2:

 eu queria saber como eu faço um poema..
poorq eu naum consigo liberar oq sinto pra escreve um poema

Resposta 1:

Vou sugerir a você o mesmo que já sugeri a outros leitores anteriores:

Todo poema é um texto normal ajustado para versos. O importante é começar escrevendo textos curtos e exercitar a transformação deles em poemas.

Escreva aqui algo que esteja precisando pôr pra fora, e tentarei ajudá-lo a transformar o texto em poema.

Grato pela confiança e volte. Estarei esperando.
Dalton.

Assunto 2 – Continuação:

Obrigado amigo,,..
aki esta um mini texto issu foi oq eu consegui falla
que eu so um garoto muito indeciso, sei qual e o certo e o errado mesmo assim eu erro,, amo quem naum deveria amr e as pessoas eu deveria amr eu naum consigo ama las da maneira correta.

Resposta 2: 

Em primeiro lugar, o texto tem de ser escrito corretamente. Não com essa grafia de internet, herdada de uma época (uns 20 anos atrás) em que, pela falta dos sinais de acentuação, se usavam recursos como EH para escrever É, ou NAUM para escrever NÃO, ou mesmo PQ. para PORQUE e VC. para VOCÊ.

Eu entendo que a “moda” pegou, mas perca esse vício e veja como esse seu último recado deveria ter sido escrito:

Obrigado amigo.
Aqui está um mini texto. Isso foi o que eu consegui falar (escrever):
Que eu sou um garoto muito indeciso, sei qual é o certo e o errado, mas mesmo assim eu erro.

Amo quem não deveria amar, e as pessoas que eu deveria amar eu não consigo amá-las da maneira correta.

Corrigindo isso a coisa fica muito mais fácil.

Creio que na história da MPB os compositores já tenham tratado da maioria dos assuntos pessoais,  como esse seu, de insegurança amorosa. Veja:

Mágoa, mágoa
Meu coração está magoado
Pois quem eu quero não me quer
Amar!
E quem me quer eu não mereço
Magoar!

Esses versos pertencem a uma música cantada pelos The Golden Boys há uns 45 anos atrás. Procure lá no yotube que você deverá achar.

Leia atentamente a letra e tente escrevê-la, a seu modo, numa espécie de paródia. Exercite isso e depois volte aqui para me contar. Estarei esperando.

Grato pela confiança e volte.

Dalton.

 

Como vocês podem reparar, eu não tenho qualquer trava de cópias no site. Todos podem copiar as postagens e usá-las como bem entender. A única coisa que peço, como já pedi numa postagem anterior,

http://mpbsapiens.com/aos-navegantes-do-mpb-sapiens/

e na resposta do Assunto 1, é que reescrevam os textos com as próprias palavras antes de editá-lo, pois incomoda ver um texto meu, com outro nome embaixo, e ainda por cima ganhando com ele uma grana vinda de um monte de parceiros comerciais. Apenas isso.

Paralelamente a essa atividade toda descrita, há um futuro Dicionário de Rimas sendo feito, e que, uma vez terminado, também virá para o site para melhor ilustrá-los.

Grato pela atenção.

Dalton.

 

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Paul Mc. Cartney e a MPB

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Essa relação  entre os  Beatlles, dos quais Paul Mc Cartney era um dos principais mentores, e a MPB, embora se aparente como totalmente estranha, possui traços comuns bem significativos  para o nosso histórico  musical por dois motivos:

1- A MPB é mais antiga, mas tanto a sua fase áurea como os Beatles pertencem aos anos 60, época em que os nossos compositores prestavam mais atenção no que os seus colegas estrangeiros diziam em suas músicas.

2- A agilidade mental daquela gente da época era muito maior do que as das gerações anteriores e posteriores, quando, aparentemente do Nada, escreviam as suas letras que, como qualquer texto escrito, e em qualquer época, tinham alguma observação como base descritiva.

O caso mais explícito da relação MPB/Beatles ocorreu na obra de Gilberto Gil com dois pontos bem claros:

1- A música, Chuck Berry Fields Forever, num trocadilho explícito com a música Strawberry Fields Forever, dos Beatles.

Vídeo de beatles4ever70

Vídeo de anacanasoficial

2- No show “Unplugged”, Gil canta a música Realce, que possui, de forma nítida e repetitiva nos acordes do arranjo, o solo musical principal de Day Tripper, dos Beatles, só que, ao invés da guitarra do George Harrison, o solo é feito pela flauta transversal do Lucas Santana, ou pelo contrabaixo do Arthur Maia.

A letra de Day Tripper, à exemplo de Realce, é uma colcha de retalhos de momentos breves e instigantes.

Vídeo de TheQuarrymen58

 Vídeo de Mardosom

Já, a relação que vejo entre a obra do Chico Buarque e a dos Beatles é mais conceitual e subjetiva, onde, mais uma vez, me limito a duas observações:

1- Na composição Penny Lane, Lennon e Mc Cartney descreveram um local imaginário. Talvez até exista aquela cidade, ou lugarejo, nas cercanias de Liverpool, terra natal deles, mas a descrição territorial se resume ao que os dois enxergam, e enfatizam:

Penny Lane is in MY ears and in MY eyes

Penny Lane está nos MEUS ouvidos e nos MEUS olhos

Muitas das músicas do Chico apenas sugerem os Motes, enquanto a cabeça dele pode ter viajado por outras estradas nos motivos do texto. Muita mulher aparente das letras pode ser substituída pela grande musa dele: A MPB, ou a MÚSICA, assim como a famosa Joana da obra, motivo até de peça teatral, como Gota D´Água; leva todo o jeitão de ser o violão, ou mesmo a composição musical dele, para os quais ele é o próprio cafetão, que enriquece às custas dessas imagináveis mulheres.

Guardadas as devidas proporções subjetivas, ou fantasias, eu diria:

Eu bem que mostrei a ela
O tempo passou na janela
E só Penny Lane não viu

Por sinal, Carolina foi feita um pouco depois de Penny Lane.

2- Esta possibilidade é mais clara do que a anterior, porque, pouco tempo depois de uma ocorrência artística com os Beatles, Chico escreveu a peça Roda Viva, cuja essência trata da adequação da obra do artista pela mídia.

Os Beatles, à exemplo do Chico, mas com dimensões bem maiores, também foram submetidos a uma intervenção vista em Roda Viva, que levou o grupo a grandes batalhas judiciais com os empresários, e que resultou na troca de gravadoras: Odeon por Apple. A primeira, americana, a segunda, inglesa.

Nessas batalhas disputou-se até a propriedade do nome The Beatles. Conclusão:

O grupo não poderia mais usar tal nome nos seus posteriores trabalhos.

Foi quando tiveram a idéia de mudar, ainda que por pouco tempo, o nome do conjunto enquanto durasse aquela palhaçada jurídica toda.

E assim surgiu “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”

 Vídeo de AuthorizedRock

Esse novo nome dos Beatles era pura gozação, pois na própria capa, que sugere a um enterro deles, há também, os divertidos dizeres estampados na camiseta, com faixas horizontais,  da menina que está à direita e abaixo dos personagens do funeral na foto:

-Welcome The Rolling Stones!

Os Rolling Stones sempre foram os concorrentes históricos dos Beatles na Inglaterra, e posteriormente no mundo, mas nunca tiveram tanta amplitude musical, e talvez nem o talento necessário para tal.

A nova gravadora dos Beatles, Apple, embora tivesse todo um aparato de Anjos e Capetas, vistos por Chico em Roda Viva, pertencia ao grupo, e não àquela corja de oportunistas, que são os comuns patrões dos artistas em geral.

O conjunto recuperou a propriedade do nome Beatles na justiça dos negócios e, à partir de uma gravadora própria, pôde viver até os seus últimos dias, infelizmente encerrados previamente pelos desentendimentos internos dos rapazes de Liverpool.

À partir da peça Roda Viva, a carreira do Chico sofreu mudanças, onde, à exemplo dos Beatles, trocou uma gravadora tutelada por americanos, a RGE do grupo globo, pela Philips, tutelada pelos europeus, mas não virou, como os Beatles, o patrão dele mesmo.

Algum tempo depois largou a Philips e tentou a Ariola, que tinha nos bastidores administrativos a presença de Ronaldo Bôscoli, um respeitável nome artístico da MPB. 

 
Mesmo apresentando esse dado mais confiável, de alguma forma, e não se sabe com certeza qual, Chico colocou, no mesmo LP gravado com tal sêlo, o Almanaque, a música A Voz do Dono e o Dono da Voz, que retrata, de forma divertida, às mesmas situações vividas por ele na troca de RGE por Philips e, atualmente, tem a obra trabalhada pelas conveniências comerciais entre americanos e europeus, envolvendo assuntos, que por já terem sido  postados e repostados neste site se tornariam maçantes se repetidos.

Vídeo de felisberto1

Aquele passo pioneiro, denunciado por Chico em Roda Viva, mas efetivado pelos Beatles na forma de gravadora própria para gravar os seus discos, por envolver muito dinheiro não pôde ser bem aproveitado pelos demais artistas, todavia, foi à partir dele que, com mais imaginação do que grana, os artistas brasileiros começaram a criar as chamadas “Fulano, Produções Artísticas Ltda.”, onde puderam se proteger um pouco mais do abuso lucrativo dos oportunistas da mídia.

Isso não isenta a culpa do artista de um possível preço abusivo dos seus produtos,  como CDs, DVDs e Shows; pois existe um ditado que é bem mais velho do que tudo visto até aqui:

“Diga-me com quem andas e eu direi se vou junto!”

Os Beatles têm muito mais de MPB do que podemos imaginar à grosso modo.

 beatles-sgt-peppers-lonely-heart-club-band

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