Archive for dezembro, 2009

Bolsa de Amores – Análise de Texto

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Bolsa de Amores foi feita em homenagem ao cantor Mário Reis, que ficou
mais conhecido como o “Bacharel do Samba”, pois além da trajetória artística
era formado em Direito. Nos anos 30 era comum acontecer esse tipo de 
coisas, de, embora artista, o indivíduo continuar os estudos noutras áreas,
talvez pela própria insegurança financeira que a carreira artística oferecia.
 
Na época do rádio, só os chamados vozeirões faziam maior sucesso. Mário
talvez tenha sido um dos primeiros cantores com voz mansa a ter alguma
fama, pois de alguma maneira agia no interior das mulheres, já cansadas da
Sociedade Patriarcal a que se submetiam em tais tempos idos, e esse talvez 
tenha sido o mote para Chico escrever essa letra e dedicar a ele.
 
Chico tem um costume de, às vezes, compor a música inspirado pela figura
de um determinado cantor. O caso mais notável desse costume se mostrou na
composição Bastidores, feita para a voz de Cauby Peixoto.
 
Já no caso do Mário Reis, a letra foi uma espécie de gozação, pelo fato do
cantor também ter ficado famoso pela “Elegância Malandra” nas interpretações
musicais, simulando muito bem uma roupagem distinta sobre a intenção pra
lá de cafajeste. Algo assim como Moreira da Silva, o popular “Kid 
Morangueira, cantando o repertório do Francisco Alves, ou do Silvio Caldas:
 
Comprei na bolsa de amores
As açoes melhores
Que encontrei por lá
Ações de uma morena dessas
Que dão lucro à beça
Pra quem sabe
E pode jogar
 
Mas o mercado entrou em baixa
Estou sem nada em caixa
Já perdi meu lote
Minha morena me esquecendo
Não deu dividendo
Nem deixou filhote
 
E eu que queria
De coração
Ganhar um dia
Alguma bonificação
Bem que dizia
Meu corretor
A moça é fria
Ao portador
 
Umas e Outras foi a composição que marcou o início da atenção do Chico
voltada à prostituição. Em Bolsa de Amores essa atenção ficou melhor
encaixada ao assunto pelo fato de ser mais direta no texto, posto que em 
Umas e Outras a prostituição se referia mais à vida artística dele do que ao
cotidiano social nosso.
http://mpbsapiens.com/umas-e-outras-analise-de-texto/
Mais adiante veremos a peça Gota D´Água, em que Chico adaptou uma
tragédia grega ao cotidiano carioca, fazendo o assunto girar ao redor da
relação entre o cafetão Jasão e a prostituta Joana. Dessa forma, a música
Bolsa de Amores caberia tranquilamente em algum espaço da peça, num 
possível diálogo dos cafetões Jasão e Cassetão, se Chico assim o quisesse.
 
A composição não foi gravada em nenhum dos Lps. Oficiais do Chico, e isso
talvez justifique a ausência de qualquer vídeo na internet. Se algum dos leitores
tiver alguma gravação dela, peço a gentileza de entrar em contato comigo.
 Ver – > http://mpbsapiens.com/a-rosa/
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Cordão – Análise de Texto

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As duas Censuras – do governo militar e dos patrões – começaram a pegar
no pé do Chico muito mais quando ele voltou do auto exílio do que antes dele.
Se, por um lado, a sua música poderia ser entendida como incitadora das
massas populares, por outro, as gravadoras estavam mais preocupadas com
as vendagens dos discos.
 
Infelizmente não encontrei nenhum vídeo para anexar à postagem, portanto
aqui vai a letra da composição. Todavia, se algum dos senhores, leitores, tiver 
a possibilidade de produzí-lo, Cordão faz parte do quinto LP oficial dele:
 
Ninguém
Ninguém vai me segurar
Ninguém há de me fechar
As portas do coração
Ninguém 
Ninguém vai me sujeitar
A trancar no peito a minha paixão
 
Eu não
Eu não vou desesperar
Eu não vou renunciar
Fugir
Ninguém
Ninguém vai me acorrentar
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir
 
Ninguém
Ninguém vai me ver sofrer
Ninguém vai me surpreender
Na noite da solidão
Pois quem
Tiver nada pra perder
Vai formar comigo o imenso cordão
 
E então
Quero ver o vendaval
Quero ver o carnaval
Sair
Ninguém
Ninguém vai me acorrentar
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir
Enquanto eu puder cantar
Alguém vai ter que me ouvir
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder seguir
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir
Enquanto eu puder…
 
Reparando bem, o texto da composição Cordão é uma continuação do que o
mesmo sintetizara em Apesar de Você. Qualquer texto, corrido ou em versos,
é uma Reação, cuja Ação é um sentimento anterior, do escritor ou do poeta,
brotado do seu cotidiano social.
http://mpbsapiens.com/apesar-de-voce-analise-de-texto/
Devemos evitar julgar a certa música do Chico isoladamente, pois ele, como
qualquer poeta, é escravo do verso e sempre volta a um assunto anterior pela
suspeita de não tê-lo terminado.
 
A revolução militar ainda estava lá, censurando, mas não podemos esquecer
que os Anjos e Capetas da peça Roda-Viva também estavam lá, manipulando
as carreiras dos artistas, e o que Chico recrutou em Cordão não foi somente
o povo cantando livre, mas os demais compositores, que o deixaram falando
sozinho quando resolveu denunciar àquela armação da mídia, anteriormente
na peça Roda-Viva, cantando junto.
http://mpbsapiens.com/peca-roda-viva-introducao/
 
Diria que o texto de Cordão deve ter voltado à cabeça do Chico, anos após,
no musical infantil Os Saltimbancos, quando escreveu este pensamento:
 
Todos nós num mesmo barco
Não há nada pra temer
Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos Juntos somos fortes
Não há nada pra temer
 
 
Próxima – > http//mpbsapiens.com/
 

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