Archive for outubro, 2009

Construindo O Poema

http://mpbsapiens.com/aprender-a-fazer-poemas/
 
Vida que passa…
Vida que é para ser vivida…
Ser sentida, absolvida.
Era para ser assim, porém!!!
Vida trabalhosa, prazerosa,
Aos olhos dos vizinhos.
 
Esse é um poema, passado a mim num comentário da Priscila, para que ganhe
moldes de Poema Regular ou Irregular, submetido às regras da Ciência
Poética. Analisemos os versos:
 
Vi / da / que / pas / sa
 
Este primeiro verso não tem qualquer outra possibilidade métrica. Tem quatro
sílabas e, pelo jeito, está acentuado nas sílabas 1 e 4.
No segundo verso temos duas possibilidades métricas:
 
Vi / da / que / é / pa / ra / ser / vi / vi / da – 9 sílabas
Vi / da / que-é / pa / ra / ser / vi / vi / da – 8 sílabas
 
No terceiro verso temos três possibilidades métricas por dois motivos:
 
1- Há uma possibilidade de contrair, em Crase, a última sílaba do termo
Sentida, com a primeira do seguinte Absolvida; numa só Sílaba Poética.
2 – O termo Absolvida pode ter duas possibilidades métricas: Ab/sol/vi/da e
A/bi/sol/vi/da; podendo apresentar 4 ou 5 sílabas, o que chama Diérese.
 
Ser / sen / ti / da / ab/ sol / vi / da. – 7 sílabas
Ser / sen / ti / da / a / bi/ sol / vi / da. – 8 sílabas – Diérese
Ser / sen / ti / da-ab/ sol / vi / da.- 6 sílabas – Crase a+a
Ser / sen / ti / da-a / bi / sol / vi / da.- 7 sílabas – Crase + Diérese
 
Nos demais versos não há qualquer possibilidade outra de métrica:
 
E / ra / pa / ra / ser / as / sim, / po / rém!!!  – 9 sílabas
Vi / da / tra / ba / lho / sa, / pra / ze / ro / sa,  – 9 sílabas
Aos / o / lhos / dos / vi / zi / nhos. – 6 sílabas
 
Fazendo alguns ajustes no texto, encontrei essa possibilidade em Versos
Regulares (mesmo comprimento).
 
Es / sa / vi / da-a / li / e / na / da
Que / se / vi / bra-e / a / lu / ci / na
É / / a / vi / da / pas / sa / da
A / lim / po / pra / ser / vi / vi / da
Sen / ti / da-e / a / bi / sol / vi / da
 
Se / e / ra / pra / ser / as / sim
Tra /ba / lho / sa-e / pra / ze / ro / sa
Por / que / há / vi / zi / nho-em / pro / sa
Sem / se / quer / sa / ber / de / mim?
 
Ou, em Versos Irregulares, obtive uma outra possibilidade, que mesclou a
minha primeira estrofe regular, com uma segunda estrofe, irregular, mas que 
apresentou coerência métrica e rítmica , ao combinar versos com 9 e 6 sílabas.
Perde-se um pouco nas Rimas, mas ganha-se em impacto textual:
 
Es / sa / vi / da-a / li / e / na / da
Que / se / vi / bra-e / a / lu / ci / na
É / / a / vi / da / pas / sa / da
A / lim / po / pra / ser / vi / vi / da
Sen / ti / da-e / a / bi / sol / vi / da
 
E / ra / pa / ra / ser / as / sim, / po / rém!!!
Vi / da / tra / ba / lho / sa,/ pra / ze / ro / sa,
Aos / o / lhos / dos / vi /zi /nhos.
 
O segredo está em sempre Escandir o texto original, observar as chances de
se formar Sílabas Poéticas, pelas regras das fusões sonoras das sílabas
gramaticais, apresentar um modelo métrico coerente e, principalmente, ao
ler em voz alta, acentuar corretamente às sílabas tônicas que se escolheu para
determinar o Ritmo Poético, conhecido também por Cadência.
 
Sugiro a vocês um estudo das sílabas poéticas que utilizei na adaptação do
texto original, é sempre bom exercitar escansão e nomenclatura.
 

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Jobim-Getz-Bach e a Tradução

O título desta postagem, quando interpretado de forma Absoluta, é uma das
maiores mentiras literárias, porque uma composição musical, dotada de um
poema repousando num leito melódico, possui uma plasticidade infinita de
considerações, que por serem Relativas a cada ouvinte, impedem a qualquer
tradução plena dos sentimentos resultantes.
 
Essa composição de Tom Jobim, O Grande Amor, quando interpretada da
forma vista, com um instrumental gabaritado a traduzindo em melodia, faz
com que o suposto analista, obrigado a escutá-la por várias vezes seguidas
para pegar todos os detalhes do acasalamento Poesia-Melodia, começe a
se confundir depois de um tempo.
 
Por mais que considere à letra da música, depois de algumas vezes ouvindo,
sente que o cantor está sobrando, ou talvez, e sem exageros, até manchando
à beleza da execução.
 
Minha especialidade é a análise literária da composição musical, mas, mesmo
contrariado, me vejo obrigado a descansar os meus instrumentos de análise
à proporção em que escuto novas vezes à composição, com a melodia
deixando de ser o leito do poema para se tornar o leito onde repousará os
instrumentos básicos, para que os novos instrumentos solistas continuem à
trajetória do que inspirou o Jobim, por ocasião da primeira feitura.
 
Contrabaixo, bateria, piano e violão se tornam o novo e confortável leito que
irá receber o Sax Tenor de Stan Getz solando. De repente, todo aquele floreio
do Getz dá vez ao piano do Jobim solando. Ambos estabelecem a um 
diálogo que, depois de um tempo, nos leva a esquecer até que ambos os
instrumentos são tocados por homens, que já perderam os nomes diante
da majestosidade melódica de Sax e Piano.
 
É justamente nessa fase, em que somem os instrumentistas e aparecem só
os instrumentos, que conseguimos enxergar àquela finíssima linha de ligação
artística, que permitiu à anterior harmonia se recriar em múltiplas outras,
alternando o nosso sentimento entre querer que não acabe mais, com a
constante curiosidade nossa quanto à apoteose daquela Arte pura.
 
Desqualificar a presença da voz do João Gilberto no encontro seria uma 
injustiça, já que serviu para lembrar que aquilo grandioso um dia tentou-se
traduzir pela pequenez da linguagem verbal.
 
Suspeito até que, antes das composições musicais receberem os seus poemas
como tripulantes dessas Naves de Sonho, as melodias tivessem sim recebido
as vozes humanas, mas sem palavras. Apenas assim:
Vídeo de sitgesfestival
 
Existem alguns instrumentos musicais por trás das vozes, mas a maioria dos
sons vêm delas no Prelúdio No.12 em Fá Menor, de Bach, enquanto em 
Largo, também de Bach, praticamente desaparecem, diante do maravilhoso
solo feminino com os demais vocalistas, suavemente, embalando o entoar
da solista.
Vídeo de Vihor189
 
A apoteose que Getz deu à composição anterior, guardadas as devidas 
diferenças entre um sax tenor e uma cantora soprano, se identificou com
Largo em algum lugar do tempo fora do relógio.
 
Fico imaginando, para o Jobim, a violência conceitual que foi submeter a
melodia à letra, para que, juntas, se transformassem em composição musical.
Todo artista gosta de ser entendido por todos, e dessa forma Jobim se viu
obrigado a colocar uma letra na melodia, talvez, porque mesmo a ele 
fugisse a compreensão.
 
E aquela simples composição musical do Jobim, com a presença de sax tenor
de Stan Getz se transformou numa recriação musical de rara felicidade, á
qual pouco resta a dizer, sob o risco da enganosa palavra ser insuficiente.
Vídeo de declique
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Operário Em Construção – Análise

Quando criança, Chico Buarque tinha a mania de ficar escutando, por um
vão de porta propositalmente deixado, as conversas do pai com amigos.
Um dos que mais visitava o historiador Sérgio Buarque era Vinícius de
Moraes, que usava mostrar ao amigo os poemas que fazia.
 
É muito provável que ambos tenham conversado várias vezes sobre um
poema específico, dotado da seguinte introdução em prosa:
 Vídeo de edilsonfoto
…E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de
tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
 
 - Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue
e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu!
 
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
 
 - Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e
só a Ele servirás!     ( Lucas, cap. V, vs. 5-8 )
 
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
 
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia…
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
 
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
Que tudo naquela mesa
 - Garrafa, prato, facão - 
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
 
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
 
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
 - Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
 
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
 
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
 – “Convençam-no” do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
 
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
 
 – Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
 
 – Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
 – Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
 
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.
 
 
Uma das primeiras composições do Chico foi Pedro Pedreiro. Alguns anos
mais tarde ele escreveu as composições Construção e Deus Lhe Pague.
 http://mpbsapiens.com/pedro-pedreiro-analise-de-texto/
O verso preferido de Chico, para a grande maioria das composições da
sua vasta obra, foi o Redondilha Maior (7 sílabas), o que acabou lhe dando
o apelido de Chico Redondilha.
 
Operário em Construção foi feito inteiro em Redondilhas Maiores. Não
estranhem as aparentes diferenças nos comprimentos de versos imediatos,
tais como:
 
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
 
Vejam porque:
 
Não / sa / bi / a / por / e / xem / plo
Que-a / ca / sa / de-um / ho / mem-é-um / tem / plo
Um / tem / plo / sem / re / li / gião
 
Quando escrita, a sílaba mem-é-um aparenta ser impossível de ser dita
num único tempo poético, mas pela fala idiomática a coisa fica normal.
 
Sugiro a vocês uma Escansão do poema inteiro para ver se há algum erro
no que eu disse sobre ter sido feito inteiro em Redondilhas Maiores. Não
analisei o poema todo, apenas suspeitei à uniformidade nos versos.
 
Na história da MPB, não foi só o Chico que se utilizou dessa obra do
Vinícius para fazer as próprias. Em Disparada, os versos:
 
Aprendi a dizer Não!
Ver a morte sem chorar
 
Dão a dica de onde ele foi buscar a idéia, do operário, que mesmo 
apanhando, aprendeu a dizer Não e mantinha a palavra.
 
O Zé Ramalho também fez um pra lá de uso do poema do Vinícius na
sua composição Cidadão, que veremos logo adiante.
 
Nenhuma construção pode ser erguida sem que alguém a planeje e compre
o material necessário. Na construção civil, muitos dos operários do ontem
são os patrões do hoje, que aprenderam a planejar e comprar material.
 
Como Sonho Poético, as lições do Operário em Construção se justificam,
mesmo sendo os patrões do ontem os operários do anteontem. Nada mudou,
só algus patrões lembram que foram operários, outros não.
 
 - Vai-te Satanás!
 
 
Próxima – > http://mpbsapiens.com/cidadao/
 

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Leoni e As Rimas Leoninas de Eco

 

 Vídeo de silcunha
A MPB é cheia de possibilidades nas Construções Poéticas da letras, mas, 
para que os efeitos poéticos possam ser relevantes, é necessário ao poema
repousar numa melodia compatível com ele.
 
A composição Garotos II, de Leoni, é um bom exemplo do acasalamento da
melodia ao poema. Não é uma melodia clássica da MPB, mas a letra não
deixa nada a desejar quando compara às que normalmente analiso.
 
Procurarei dar cores às rimas de eco da composição para realçá-las, mas é
fundamental que se escute às pronúncias da interpretação, pois sabemos que,
antes da Sílaba Gramatical escrita, vem a sílaba Poética declamada.
 
Seus olhos e seus olhares
Milhares de tentações
Meninas são tão mulheres
Seus truques e confusões
Se espalham pelos pêlos
Boca e cabelo
Peitos e poses e apelos
Me agarram pelas pernas
Certas mulheres como você
Me levam sempre onde querem
 
refrão
Garotos não re sis tem
Aos seus mis térios
Garotos nunca diz em não
Garotos como eu
Sempre tão espertos
Perto de uma mulher
São só garotos
 
Seus dentes e seus sorrisos
Mastigam meu corpo e juízo
Devoram os meus sentidos
Eu já não me importo comigo
Então são mãos e braços
Beijos e abraços
Pele, barriga e seus laços
São armadilhas e eu
Não sei o que faço
Aqui de palhaço
Seguindo seus passos
 
Refrão
 

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Teorema Familiar

Pensamento:

- Um Filho que não criou Asas é um eterno Mala que não cria Alças!

(16/10/09 – 11:20 hs.)

Corolário:

“A toda Ação corresponde uma Reação igual e contrária”

(Isaac Newton – data e hora imprecisos)

 

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