Poesia Espanhola – Análise Poética
| Por ser tão Latina quanto a italiana, a portuguesa, a francesa, ou mesmo a |
| romena, a Poesia Espanhola obedece às mesmas regras de Versificação das |
| demais. |
| As sílabas poéticas, embora com sonoridades ligeiramente diferentes das |
| pronunciadas em Português, obedecem às mesmas regras das fusões |
| silábicas gramaticais já vistas, com as Métricas determinadas pelas mesmas |
| quantidades, os Ritmos Poéticos obedecendo aos mesmos compassos dos |
| Pés de Verso binario, ternário ou quaternário; o mesmo ocorrendo com as |
| Rimas, cujo virtuosismo diferencia os poetas tanto aqui quanto nos países |
| vizinhos de Língua Espanhola, que deu origem ao chamado Castelhano. |
| Separei uma composição do poeta cubano Silvio Rodrigues, que por ter pele |
| branca, num país cuja maioria é de pele negra, sofreu alguma segregação |
| racial, além de ter o pensamento limitado pelo regime de Fidel Castro, como |
| o próprio texto da composição o sugere em sátira: |
| Vídeo de mcmluna |
| Vivo en un pais libre |
| Cual solamente puede ser libre |
| En esta tierra en este instante |
| Y soy feliz por que soy gigante |
| Amo a mujer clara |
| Que a mi me ama |
| Sin pedir nada |
| O casi nada |
| Que no es lo mismo |
| Pero es igual |
| Y si esto fuera poco |
| Tengo mis cantos que poco a poco |
| Muelo y rehago habitando el tiempo |
| Como le cuadra lo hombre despierto |
| Soy feliz |
| Soy un hombre feliz |
| Y quiero q me perdonen |
| Por este dia los muertos de mi felicidad |
| - Como traduzir ao que foi dito no texto escrito? |
| Essa é a grande dúvida, se apenas lermos o texto. Se tentarmos pronunciá-lo |
| em voz alta perceberemos, pelos sons das sílabas poéticas, que as palavras |
| ganham um parentesco muito maior com as da língua portuguesa. É isso |
| mesmo: – A Poesia aproxima às linguagens distanciadas pelos caracteres |
| alfabéticos dos textos. Assim: |
Obs. Sílabas tônicas em vermelho |
| Vivo en un pais libre |
| Vi / vo-e / num / pa / is / li / bre |
| A contração de EN + UN, que no português virou NUM, por circunstâncias |
| locais exige que sejam escritos separadamente. Ocorreu uma formação |
| de sílaba poética interessante, pois o termo EN teve o E contraindo com a |
| sílaba anterior e o N contraiu com o som da posterior numa espécie de |
| Crase Nasal que formou o nosso NUM. Muda pouco para o verso escrito |
| em português: |
| Vivo num país livre. Só o V ficou diferente na jogada. |
| Cual solamente puede ser libre |
| Cual / so / la / men / te / pue / de / ser / li / bre |
| O Cual é o nosso mesmo Qual escrito de outra forma e com o mesmo som. |
| O Solamente é o nosso Somente estilizado. Tente pronunciar rapidamente o |
| termo Solamente. O A sumirá e ficará o som de Solmente. Puede é quase |
| o mesmo som do Pode em português. “Só lamento” se você não conseguir |
| entender. |
| Esse verso já apresenta um pouco mais de dificuldade para ser escrito em |
| português, dentro da mesma métrica (9 sílabas). Para deixá-lo igual é |
| necessário dar um reforço do tipo: |
| Que-a / qui / so / men / te / po / de ser / li / vre |
| Usei o Que-aqui já de olho no texto do verso seguinte: |
| En esta tierra en este instante |
| O En tem o mesmo som de EM e quer dizer a mesma coisa. O resto é igual, |
| mas ficaria melhor assim: |
| Em / es / ta / ter / ra-e / nes / te-ins / tan / te |
| E assim deve ser feito na composição inteira. Sempre lendo em voz alta. Farei |
| a Escansão dos versos originais e colocarei a versão em Português abaixo. |
| Perceberão pequenas diferenças nas escritas e grande semelhança nos sons |
| das palavras: |
| Vi / vo-e / num / pa / is / li / bre |
| Vivo num país livre |
| Cual / so / la / men / te / pue / de / ser / li / bre |
| Que-aqui somente pode ser livre |
| E / nes / ta / tier / ra-e / nes / te-ins / tan / te |
| Em esta terra-e neste instante |
| Y / soy / fe / liz / por / que / soy / gi / gan / te |
| E sou feliz porque sou gigante |
| A / mo / a / mu / jer / cla / ra |
| Amo a mulher clara |
| Que-a / mi / me / a / ma |
| Que-a mim me ama |
| Sin / pe / dir / na / da |
| Sem pedir nada |
| O / ca / si / na / da |
| Ou quase nada |
| Que / no-es / lo / mis / mo |
| Que não é-o mesmo |
| Pe / ro-es / i / gual |
| Porém é-igual |
| Y / si-es / to / fue / ra / po / co |
| E se-isto fôra pouco |
| Ten / go / mis / can / tos / que / po / co-a / po / co |
| Tenho meus cantos que pouco-a pouco |
| Mue / lo-y / re / ha / go-ha / bi / tan / do-el / tiem / po |
| Penso-e reajo-habitando-o tempo |
| Co / mo / le / cua / dra-e / lom / bre / des / pier / to |
| Como o-enquadra-o homem desperto |
| Soy / fe / liz |
| Sou feliz |
| Soy / u / nom / bre / fe / liz |
| Sou um homem feliz |
| Y / quie / ro / que / me / per / do / nen |
| E quero que me perdoem |
| Por / es / te / di / a / los / muer / tos / de / mi / fe / li / ci / dad |
| Por este dia os mortos em mim, felicidade |
| Notem que poucas dúvidas ficaram entre os sons das pronúncias. O H do |
| termo Homem tem o mesmo valor do H de cá iniciando palavras. Nenhum. |
| No Espanhol, a expressão Un Hombre é dita sempre U Nombre. |
| Outro dado interessante deste estudo surge na expressão Muelo Y Rehago, |
| cuja tradução é Penso e Reajo. Pro espanhol, que nem para nós, é comum |
| chamar o cérebro também por Miolo, já que é o que fica dentro da cabeça. |
| Sendo assim, tanto lá como aqui, quando se quer alertar a alguém sobre um |
| evento, que embora lógico, ainda não tenha sido notado pela pessoa, é |
| comum usarmos a expressão: |
| - Usa o Miolo! Apontando o dedo para a cabeça. |
| Lá, a coisa assumiu ares mais oficiais com o infinitivo Miolar como sinônimo |
| de Pensar. Isso pode parecer estranho, mas não é impossível. Algumas |
| linguagens africanas associam até aos significados de Pensar e Cozinhar, já |
| que, à dona de casa, que passa horas num fogão, só resta Pensar. |
| Pelos poemas, as diferenças entre as línguas portuguesa e espanhola |
| praticamente desaparecem pelos sons. O que complica tudo é quando temos |
| de interpretar ao que foi escrito por caracteres alfabéticos. |
| Quanto aos motivos que levaram o poeta a qualquer sentimento de rejeição |
| racial ou política, essas diferenças também ficam pequenas diante da Poesia. |
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