Archive for agosto, 2009

Preciso de Ajuda

Caros Leitores e Usuários:
 
Depois de muito pensar à respeito do que faço aqui, resolvi pedir uma 
discreta ajuda aos senhores em dois posts anteriores dirigidos aos
Navegantes Sapiens.
 
Tenho um farto material cultural a ser fornecido neste espaço, mas o
equipamento que tenho para fazê-lo é primário. Muito do que já postei
poderia vir melhor ilustrado por vídeos. Tentei até buscar no Yotube alguma
ajuda nos últimos posts.
 
Creio terem atendido parcialmente aos propósitos culturais, mas, além de
eu estar me usando de algo pertencente a outras pessoas, nem sempre o
conteúdo apresentado é o que eu veria como ótimo.
 
Por exemplo, nas últimas postagens que fiz, acerca do parentesco entre a
MPB e o Jazz, vídeos como o do Laurindo Almeida com o Modern Jazz
Quartet, por exemplo, poderiam estar muito melhor trabalhados na qualidade
do som, bem como na duração da música.
 
No LP Original, que tenho e guardo com zelo, o Samba de Uma nota Só é
muito mais do que foi apresentado, bem como todo um trabalho acerca do
mesmo parentesco, que tenho comigo com igual zelo, se encontra travado
pela falta de vídeos.
 
Aí já não é uma simples questão de qualidade do vídeo, mas da existência
dele disponível no Yotube, por exemplo. Muitos dos LPs, fitas de rolo,
cassete e cartucho foram lançamentos exclusivos e editados em poucos
volumes.
 
Quando citei o Vibrafon como evolução do Xilofon, pelo The Modern Jazz 
Quartet, não disse que só o Milt Jackson o executava. Garimpei, ao longo
dos anos, pérolas de Lionel Hampton, Red Norvo; que inclusive apresentam
sequências harmônicas ritualísticas do Xilofon Vodum.
 
Citei só Can, Getz e Mulligan entre os muitos saxofonistas do jazz que
trabalharam com MPB, mas muita gente ficou de fora, como Coltrane,
Ben Webster, Dexter Gordon, Paul Desmond etc., além de quartetos e trios
como Chet Baker e Dave Brubeck; contrabaixistas como  Mingus e Brown, 
que também aproximaram às culturas musicais.
 
Eu gostaria de poder dispor de tempo e equipamento para colocar tudo isso
gratuitamente neste espaço, com direito a cópia etc; como tem sido até
hoje, e sem aquele monte de links comerciais ao redor, que na maioria das
vezes não condizem com a essência cultural do espaço, além de dispersar a
atenção de quem queira estudar.
 
Cultura não é Shoping Center e faz tempo que o vice-versa. Sonho como
os senhores, e imagino à maioria das pessoas providas de boa bagagem
cultural desde que iniciei no magistério. Apenas não concordo com os
moldes Industriais e Comerciais que a Educação ganhou ao longo dos
continentes pela ação, no mínimo irresponsável, com que a imprensa usou
transmitir as culturas aos povos nas últimas décadas.
 
Existe toda uma sorte de desigualdades sociais pelo mundo afora? Claro
que existe, mas ao invés de só ficar noticiando a essas coisas desagradáveis,
por que não se buscar às soluções que as corrijam sem ter que se insistir
na lembrança cotidiana das mesmas?
 
É só isso o que pretendo para este espaço, mas para torná-lo melhor necessito
de ajuda. Não a esmola eventual que sugeri aos senhores anteriormente, mas
algo estável o bastante a permitir que o faça da melhor maneira proporcional 
aos meus alcances físico e intelectual.
 
Algum dos senhores tem alguma idéia mais prática acerca da Lei Rouanet,
destinada a tais incentivos culturais e artísticos, que surgiu no governo?
 
Algum dos senhores, do Brasil ou de fora, sabe de alguma ONG que se
identifique com tais propósitos e esteja disposta a colaborar comigo sem
grandes estardalhaços visuais no espaço visível do site?
 
Preciso de alguma ajuda nesse sentido, pois é extremamente deselegante
pedir esmolas, que nunca foram solução para qualquer pobreza do mundo.
 
Grato.
Dalton (administrador)

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Sapiens Didático

 
Venho reparando que os senhores, navegadores do Sapiens, têm buscado
em muito maior quantidade nas visitas, tanto no Brasil quanto fora dele, às
noções básicas de Versificação pelos elementos da Ciência Poética.
 
Para um poema ser construído, basta um motivo para tal, o que apelidamos
com o termo Mote, que é uma abreviação de Motivo. Ele pode ser feito em
uma forma mais séria que essa abaixo, quando provido de uma carga 
sentimental própria como Mote, ou simplesmente como um exercício no
trato com as palavras, que busquei colocar em forma didática:
 
Sem
Saber
Se irei
Satisfazer
Somente-ao poema
 
Semeando a pena
Só com amenas palavras
Surrupiados sentimentos
Sapecados e cheios de travas
Saberei ser tão nobre no momento?
 
Supondo nas sílabas tonicidades
Será que posso-enfim saber constituir
Sabiamente nesses versos que não têm idades
Sementes para-à poesia poder reconstruir?
 
Sua-história abalada pelos tempos do-agora
Satisfeitos com as suas limitações fúteis
Soberbamente desprezando-ao que outrora
Serviu como bases poéticas úteis
 
Serenando-essa arte do poeta
Simplesmente munir qualquer verso
Saudável na forma completa
Sonhando com seu reverso
Supondo-o firmamento
 
Ser um carrossel
Só descrevendo-o
Seu corcel
Sorvendo-o
Séu (?)
 
Perceberão que a Construção Poética usou todos os comprimentos de verso.
Do Monossílabo ao Bárbaro e retornou ao primeiro findando o poema.
 
O Verso Bárbaro, que tem 14 sílabas, é considerado o Verso Limítrofe entre
a Poesia e a Prosa, posto que a Ciência Poética determina as 14 Sílabas 
Poéticas como o máximo de um poema.
 
Tanto é verdade que, quanto aos Pés de Verso, temos no máximo o dito
Verso Heptâmetro, que contém 7 Metros.
 
Estando o limite da poesia nas 14 Sílabas Poéticas, e tendo o menor Metro, 
ou Pé de Verso, dois tempos rítmicos, forte e fraco, o Hepta (7) Metro é o
máximo que um verso pode ter, e o Unímetro (1 Metro) o mínimo, mesmo 
tendo este último somente uma Sílaba Poética, pois o seu tempo fraco está na
pausa obrigatória que finda o verso.
 
Vejam a Geometria Poética da construção do poema:
 
1 2 3 4 5 6                  
Sem                            
Sa ber                          
Se i rei                        
Sa tis fa zer                      
So men te-ao po e ma                  
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10          
Se me an do a pe na                
com a me nas pa la vras              
Sur ru pi a dos sen ti men tos            
Sa pe ca dos e che ios de tra vas          
Sa ber rei ser tão no bre no mo men to        
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14  
Su pon do nas la bas to ni ci da des      
Se que-as sim pos so en fim cons ti tu ir      
Sa bia men te nes ses ver sos que não têm i da des  
Se men tes pa ra-à po e si a se re cons tru ir  
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14  
Su a-his ria a ba la da pe los tem pos do-a go ra
Sa tis fei tos com as su as li mi ta ções teis  
So ber ba men te des pre zan do-ao que ou tro ra    
Ser viu co mo ba ses po é ti cas ú teis      
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14  
Se re nan do-es sa ar te do po e ta        
Sim ples men te mu nir qual quer ver so          
Sau vel na for ma com ple ta            
So nhan do com seu re ver so              
Su pon do-o fir ma men to                
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10          
Ser um car ros sel                    
des cre ven do-o                    
Seu cor cel                        
Sor ven do-o                        
Céu                            
1 2 3 4 5                    
 
Esse conceito, da Poesia findar na décima quarta sílaba poética, caiu em
desuso à partir do que a Poesia Italiana fez com o desenvolvimento posterior
do Verso Bárbaro, surgindo novas configurações métricas e rítmicas. Aqui
pelo Brasil, vejam o que o Chico fez nos versos de Almanaque:
 
Ô/me/ni/na /vai/ver/nes/se-al/ma/na/que/co/mo-é/que-is/so tu/do/co/me/çou
 
A sílaba tônica de almaNAque é a décima, e no comeÇOU temos a vigésima.
Ocorre que tanto o VER, quanto o TU são a sexta e a décima sexta sílabas
do verso.
 
A Ciência Poética diz que o verso decassílabo, acentuado internamente na
na sexta sílaba, recebe o nome de Heróico; sendo portanto o verso acima
um par de Heróicos em seguida.
 
Aí é que entra a gozação do Chico. Basta ler os textos dos versos, que se
apresentaram com tal comprimento, para constatar:
 
 - Só um Super-Herói poderá responder às questões propostas nos versos.
 
Para se construir um poema, não basta um sentimento como Mote. Tem-se
que gostar do que está fazendo, e as palavras são um divertimento pra lá
de saudável diante do cotidiano atual. Basta desligar a televisão e esquecer
o noticiário, pois aí, ao invés das tristezas dele, se ganha a alegria do próprio
descobrimento verbal.
 
 - Pode crê!
 

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Agradecimentos Aos Navegantes Sapiens

Quando pedi uma ajuda aos Navegantes do MPB Sapiens para mantê-lo
isento das propagandas comerciais ao redor, que confundem os conteúdos 
culturais, fí-lo desta forma:
http://mpbsapiens.com/aos-navegantes-do-mpb-sapiens/
 
…Quando forem executar àlguma operação financeira em cxs. eletrônicos 
dos bancos, ou da internet, lembrem deste que os serve com alguma ajuda, 
que se torna efetiva diante de um depósito qualquer na conta abaixo:
 
Cx.Econ. Federal ag.2152 operação 013 – cc 00042465-4 – Dalton B.S.
 
Recebi algumas colaborações que me permitiram maior tempo para as 
postagens, portanto sou grato aos que as fizeram, renovo ao pedido anterior
e agradeço às possíveis ajudas futuras nesta nova, e talvez inédita, forma de
Permuta Cultural.
 
Dalton.

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Umas e Outras – Análise de Texto

Anterior – http://mpbsapiens.com/cara-a-cara-analise-de-texto/
 
Vimos, em Cara A Cara, Chico, o Ser Poético, conversando com o escudo 
Francisco, do Parecer Artístico, num diálogo responsável pelo que chamei de
Auto Exílio Interior, iniciado ainda no Brasil e antes de se tornar oficial com a
viagem para a Itália.
http://mpbsapiens.com/retrato-em-branco-e-preto-analise-de-texto
 
Em Umas e Outras o papo não mudou muito. Apenas ganhou novas feições,
ao se referir a duas mulheres, que vejo como Consciências de Ser e Parecer; 
e não houve um Diálogo, mas uma Narrativa do Ser sobre as posturas de 
ambos em Cara A Cara.
 Vídeo de takinnn
Se uma nunca tem sorriso
É pra melhor se reservar
E diz que espera o paraíso
E a hora de desabafar
A vida é feita de um rosário
Que custa tanto a se acabar
Por isso às vezes ela para
E senta um pouco pra chorar
 
Que dia! Nossa, pra que tanta conta
Já perdi a conta de tanto rezar
 
Se a outra não tem paraíso
Não dá muita importância não
Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão
A vida é sempre aquela dança
Aonde não se escolhe o par
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar
 
Que dia! Puxa, que vida danada
Tem tanta calçada pra se caminhar
 
Mas toda santa madrugada
Quando uma já sonhou com Deus
E a outra, triste namorada
Coitada, já deitou c´os seus
O acaso faz com que-essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se co´a mesma dor
 
Que dia! Cruzes, que vida comprida
Pra que tanta vida pra gente desanimar
 
Embora Umas e Outras tenha sido “uma” das “outras” aplicações que a RGE 
fizera no quarto disco, já da Philips, não dá para precisar a data da criação da
música, pela desconfiança que o cancioneiro oficial implica, o texto diz muito 
respeito ao momento da obra que tento traduzir. 
 
O texto sugere a Umas Santas e Outras Prostitutas, respectivamente Ser e
Parecer, onde o último diz não poder escolher o par na dança da vida. Troca 
de gravadoras e Anjos Gigolôs, com o Chico alternando as duas no interior. 
Como justificando o fato da primeira estar sob o escudo da última.
 
Chico é muito criterioso nos termos utilizados nas letras das composições. O
fato de eu qualificar a Outras como prostituta se deve ao uso do “Coitada”.
Pelo que observei na obra inteira, Chico só usou esse adjetivo em outras
duas ocasiões, além desta: Geni e o Zepelim e A Rosa.
 
Embora o termo – Coitada – seja mais usado para qualificar a alguém digno 
de pena ou dó; convém lembrar que o mesmo deriva de “Coito”, o que muda
o sentimento de dó por uma espécie de ofensa.
 
Temos de tomar muito cuidado, tanto em escutar quanto em nos referirmos a
alguém com tal adjetivo. Nunca se sabe né?
 
Há um consagrado pensamento do Fernando Pessoa descrevendo o poeta:
 
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
 
Isso se aplica ao Chico que, por sinal, até se usou desse pensamento na futura
Fantasia, LP Vida.
 
Digo isso baseado na próxima composição, Samba e Amor, onde ele 
sugerirá que toda essa guerra interior de Ser e Parecer, mais as preocupações
com a condição social do Pedro Pedreiro, são meros elementos de um
contexto muito mais individual e próprio.
 
Talvez, o pensamento descrito no fragmento:
 
O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor
 
Basta trocar Olhar por Fingir que a coisa fica melhor explicada e deixa o
Fernando Pessoa mais contente no seu além-mar do além-aquém.
 
Próxima – >   http://mpbsapiens.com/samba-e-amor-analise-de-texto/

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Cara A Cara – Análise de Texto

Anterior – > http://mpbsapiens.com/samba-de-orly-analise-de-texto/
 
 Vídeo de fadochico
Cara a Cara foi uma composição diferente , pois possui um ritmo do Rock 
Italiano em final dos anos 60. Não posso precisar aonde foi feita, na Itália ou
no Brasil, mas o texto reflete bem àquela bagunça que cercava o Chico na
época: Auto Exílio e troca de gravadoras.
 
Tenho um peito de lata
E um nó de gravata no coração
Tenho uma vida sensata, sem emoção
Tenho uma pressa danada
Não paro pra nada
Não presto atenção
Nos versos dessa canção inútil
 
Tira a pedra do caminho
Serve mais um vinho
Bota vento no moinho
Bota pra correr
Bota força nessa coisa
Que se a coisa para
A gente fica cara a cara
Cara a cara, Cara
Bota lenha na fornalha
Põe fogo na palha
Bota fogo na batalha 
Bota pra ferver
Bota força nessa coisa
Que se a coisa para
A gente fica cara a cara
Cara a cara, Cara
 
Tenho um metro quadrado
Um olho vidrado e a televisão
Tenho um sorriso comprado a prestação
Tenho uma pressa danada
Não paro pra nada
Não presto atenção
Nas cordas desse violão inútil
 
Repete Segunda Estrofe
 
Tenho o passo marcado
O rumo traçado sem discussão
Tenho um encontro marcado co´a solidão
Tenho uma pressa danada
Não moro do lado
Não chamo João
Não gosto nem digo que não é inútil
 
Repete Segunda Estrofe
 
Vou correndo, vou me embora
Faço um bota fora
Pega um lenço agita e chora
Cumpre o seu dever
Bota força nessa coisa
Que se a coisa para
A gente fica cara a cara
Cara-a cara, Cara
Com o que não quer ver.
 
O texto é só uma reação do Chico, como Benedito Silva, transformado em
Ben Silver na peça Roda Viva, em que o Ser Poético se queixa do cotidiano
obrigatório do Parecer do Artista, ou o poeta Chico reclamando da conduta
do seu instrumento Francisco.
http://mpbsapiens.com/roda-viva-disparada-claro-enigma/
http://mpbsapiens.com/filosofia-do-poder-na-mpb/
 
No verso – Cara a cara, Cara – deixei o Cara final em maiúscula para mostrar
que se trata de um aviso a determinado Cara, provavelmente ele mesmo.
 
Atenção para o jogo de negativas: “Não gosto, nem digo que não é inútil”. 
No fundo, apenas quer dizer: – Não gosto e digo que nada vale!
 
Embora tenha declarado não gostar do cara, esse recurso da Dupla Negativa 
nas falas era um recurso de estilo do ex-presidente Jânio Quadros:
 
“Não prescindo, mas confesso ser desnecessário”.
 
Cara A Cara tem o texto intimamente ligado ao da composição que virá a
seguir, Umas e Outras.
 
 
Próxima – > http://mpbsapiens.com/umas-e-outras-analise-de-texto/

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