| O poema Traduzir-se, de Ferreira Gullar, é um Marco da Literatura Poética |
| Brasileira por vários motivos. Permite tanto ao poeta, quanto ao analista do |
| poema, uma Auto-Pergunta em busca da Auto-Resposta, cuja conclusão é |
| a Auto-Crítica inconveniente, pura. |
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| Leva todo o jeitão de ter sido construído sempre sobre o pensamento |
| imediato anterior desde o título. Poema feito do próprio poema. |
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| As diversas formas, com que normalmente são dispostos os versos nos vários |
| sites de pesquisa pouco importam, tamanha a objetividade, tanto da |
| construção poética quanto da de texto. |
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| Essa pureza toda do verso permitiu a Gullar traduzir ao conceito do verso |
| por vários movimentos literários. Tem melodia própria que se descobre e |
| harmoniza a cada Pé de Verso, ou Metro, resultante do anterior. |
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| Uma das grandes dificuldades, para quem analisa às construções poéticas, |
| foi o fato de terem ousado colocar uma melodia nele, pouco importando a |
| qualidade poética do músico responsável, Fagner ou Chico Buarque. |
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| Costumo diferir os conceitos de Poetas e Compositores Musicais, pois |
| penso terem os segundos maiores dificuldades no acasalamento do poema à |
| melodia, mas Traduzir-se é um daqueles incomuns e inexplicáveis em tal |
| aspecto. |
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| É Puro, e talvez esse seja o motivo que tenha me exigido tantas linhas para |
| demonstrá-lo em estudo. Demorei todo esse tempo para expor a minha |
| análise dele, não pela dificuldade em encontrar explicações mais técnicas, |
| mas por ter certeza de que serão sempre insuficientres, embora esforçadas. |
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| Portanto sugiro a você, leitor, bastante atenção e paciência, pois o texto é |
| longo, mas creio interessante embora insuficiente. |
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| A Ciência Poética ganhou um grande entendimento entre Poetas e |
| gramáticos por ocasião do Trovadorismo. Finalmente os acordos entre |
| as partes se tornando mais coerentes permitiram à Versificação |
| ganhar normas mais lúcidas nas Construções Poéticas. |
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| Com a chegada do Parnasianismo tais entendimentos melhoraram |
| ainda mais e livraram os poetas dos muitos compromissos sintáticos, |
| tidos até então com os versos e as estrofes. |
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| Surgia o Poeta Livre. Não o Verso Livre. O poeta poderia escrever o |
| poema optando pelas bases da Ciência Poética ou não, mas isso não |
| significava bagunça na construção do poema, que deveria demonstrar |
| notórias lógicas Métrica e Rítmica |
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| Ao alcançar tal liberdade na construção dos poemas, tudo levava a crer |
| que não haveria mais discussões a respeito do verso, mas isso não |
| ocorreu, pois além das bases científicas alguns poetas começaram a se |
| preocupar com os possíveis Desenhos dos poemas escritos. |
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| À partir dessa idéia para os poemas surgiu um novo movimento: o |
| Simbolismo. Nos países de origem latina não teve a mesma influência dos |
| dos movimentos literários anteriores, por se tratar de um movimento |
| mais anglo-saxônico, mas deixou as suas marcas no norte americano. |
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| A ramificação norte americana do Simbolismo surgiu nos Estados |
| Unidos por volta de 1920, com o nome de Imagismo que, embora menos |
| importante que os anteriores, agora dividia os poetas em distintas |
| correntes de pensamento por já trazer uma influência maior da |
| propaganda da imprensa nos destinos literários do verso. Vejam este texto: |
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| “…Em uma palavra, sabendo, pela experiência de muitos séculos que os |
| homens vivem e se dirigem pelas idéias, que essas idéias somente são |
| inculcadas aos homens pela educação, ministrada com êxito em todas as |
| idades por processos diferentes, bem entendido, absorveremos e |
| adotaremos em nosso proveito, os derradeiros clarões da independência |
| de pensamento que de há muito já dirigimos para as matérias e idéias de |
| que carecemos. O sistema de repressão do pensamento já está em vigor |
| no método denominado Ensino pela Imagem, que deve transformar os |
| …….. em animais dóceis, que não pensam e esperam a representação |
| das cousas em imagens, a fim de compreendê-las… Na França, um de |
| nossos melhores agentes, Bourgeois, já proclamou o novo programa de |
| Educação pela Imagem…” |
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| Esse é um fragmento do capítulo XVI de um livro escrito em 1895, editado |
| em 1906 e já citado nas anteriores postagens abaixo: |
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| Leon Bourgeois recebeu o Prêmio Nobel da Paz, com Sociedade Das Nações |
| em 1920, mesmo ano em que se iniciava o Imagismo nos Estados Unidos, |
| que teve como um dos expoentes Ezra Loomis Pound. |
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| Segundo o Imagismo os poemas deveriam se voltar mais para os sentimentos |
| urbanos do leitor, o que recebeu o nome de Orbe Urbe, procurando anexar |
| aos versos curtos um possível reforço visual como auxiliar do texto objetivo. |
| Como uma espécie de Poema Jornalístico. |
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| O Imagismo começou a entrar no Brasil pegando carona na carruagem que |
| trazia o Modernismo para cá: Semana Literária de 1922. |
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| Dois foram os participantes, dessa também chamada Semana de Arte |
| Moderna de 22, que mais se afeiçoaram ao Imagismo: Os irmãos Osvald e |
| Mário de Andrade. |
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| Pela série de interesses políticos e sociais, que se misturaram a esse evento |
| literário ocorrido na capital de São Paulo, tivemos como resultante dele |
| algumas conflitantes correntes, quer ideológicas, quer literárias. |
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| Com a criação da União Soviética cinco anos antes, tivemos o Socialismo |
| como estrela ideológica principal, e em oposição a ele um movimento de |
| extrema nacionalista, posteriormente batizado como Integralismo. |
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| Dentre os poetas tivemos, da mistura de tendências Imagistas e Modernistas, |
| três correntes principais para o verso: |
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| Os Conservadores, que aceitavam às novidades poéticas, pela própria idéia |
| do Poeta Livre Parnasiano; e tentavam tímidos experimentos nos poemas. Os |
| Moderados, que simpatizavam com as novas estéticas visuais dos poemas |
| escritos, mas priorizando os Sons de Rimas e Ritmos nos poemas. Os de |
| Vanguarda, cuja preocupação maior era a Estética visual do verso, |
| independente das bases científicas anteriores e dos seus respectivos sons. |
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| Em 1940 tivemos mais um envento que reuniu os poetas brasileiros, porém |
| com força bem menor que a Semana de 22, propagada pela imprensa: |
| O chamado Grupo dos 40, que além dos poetas Graça Aranha, Menoti Del |
| Picchia e outros remanescentes de 22, contou com a participação de Carlos |
| Drummond de Andrade, que embora desse aos seus versos uma tendência |
| Modernista, não participou da semana de 22 por não concordar com muitos |
| dos motivos que a criaram e cercaram. |
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| Também nesse Grupo dos 40 estava Vinícius de Moraes, um dos grandes, |
| senão o maior, responsável pelo transporte da essência do Poeta Livre |
| Parnasiano para as letras da posterior MPB nos moldes que a efetivaram e |
| mantiveram como tal até hoje. |
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| Correndo por fora, do Grupo dos 40, havia os irmãos Osvald e Mário de |
| Andrade, simpatizantes do Imagismo de Pound. Tiveram seguidores que |
| habitariam espaços culturais jornalísticos nos anos 60, mas estávamos na |
| década de 50, carregada de interesses financeiros que ajudariam, por um |
| lado, e complicariam por outro os destinos dos versos na Poesia Brasileira. |
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| Foi quando Ferreira Gullar conheceu esses seguidores dos Andrade, e de |
| Pound por extensão, que desenvolviam um sub-movimento chamado |
| Concretismo. Rotulo a tal movimento como Sub pelo fato de ter sido só |
| uma tendência derivada das Artes Plásticas e não das Literárias. |
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| A tentativa do Concretismo entrar, e ficar, na Poesia Brasileira tinha |
| as mesmas estratégias com que o Imagismo se aproximara da cultura |
| brasileira em 1922. Pela imprensa. No fundo, era mais uma tentativa |
| do Imagismo desenvolver o seu Poema Jornalístico da Orbe Urbe. |
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| Gullar não ficou muito tempo convivendo com aquela gente, mas acabou |
| adotando, ou ganhando, não se sabe ao certo, o rótulo de Poeta Concretista. |
| Se por um lado o Concretismo teria a ganhar, contando com ele dentre |
| os seus seguidores, por outro, ele teria muito a perder com tal fama, pelo |
| fato de outros seguidores não se mostrarem, poeticamente, nem um |
| pouco parecidos com a competência literária dele. |
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| Creio que Ferreira Gullar, em termos de quadro literário, estaria |
| entre os Moderados da Semana de 22. Simpatizava com os possíveis |
| desenhos estróficos dos poemas, mas não abria mão do Som e do Ritmo |
| Poético, presentes neles desde o nascimento do primeiro Pé de Verso, o |
| Coreu, ou Cuore, que ligava o Coração às batidas dos Pés dos ouvintes na |
| forma de dança, ou Coreu Grafia, ou simplesmente Tum-tu Tum-tu… |
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| Legenda: |
| Uma barra inclinada / indica o término do Metro. |
| Duas barras // indicam à pausa interior da Cesura. |
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U ma / par te de mim // é to do mun / do: - 1 Troqueu(t) + 2 Coriambos (c)
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Ou tra / par te-é nin guém: // fun do sem fun / do. - 1t – 2c
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U ma / par te de mim // é mul ti dão: / - 1t – 2c
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Ou tra / par te-es tra nhe // za-e so li dão. / - 1t – 2c
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U ma / par te de mim // pe sa, pon de / ra: - 1t – 2c
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Ou tra / par te de li / ra. - 1t – 1c
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U ma / par te de mim // al mo / ça-e jan / ta: - 1t – 2c – 2 Jambos (j)
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Ou tra / parte se-es pan / ta. - 1t – 1c
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U ma / par te de mim // é per ma nen / te: - 1t – 2c
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Ou tra / par te se sa // be de / re pen / te. - 1t – 1c – 2j
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U ma / par te de mim // é só ver ti / gem: - 1t – 2c
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Ou tra / par te, lin gua / gem. - 1t – 1c
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Tra du zir / u ma par / te na-ou / tra par / te - 2 Anapestos (a) – 2j
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- Que é u / ma ques tão / de vi / da-ou mor / te - – 2a – 2j
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- Se rá ar / te? - 1 Espondeu
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| Coloquei os versos nessa disposição por suspeitar que o poema tenha |
| nascido assim. O Desenho final que o Gullar deu a ele, e que deve ter |
| coincidido com as descobertas das primeiras releituras, à proporção |
| em que novos Sons se anunciavam, tais como Delira, Espanta; |
| que coincidem com as súbitas mudanças nos pés de verso, ou metros. |
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| Havia no poeta uma busca da ruptura conceitual da Ciência Poética, |
| no entanto, para que o poema se mostrasse de forma mais nítida para |
| ele, foi obrigado a descrevê-lo nos tradicionais Decassílabos Heróicos, |
| mesclados com os respectivos e derivados Heróicos Quebrados. |
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| A disposição dos versos em Dísticos, além de atender aos normais vínculos |
| sintáticos do poeta de outrora, se prestou a mostrar mais uma, das minhas |
| suspeitas, das rupturas de Gullar com a Ciência Poética ancestral. |
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| Tivemos 7 estrofes Dístico e uma Monóstico, tendo esta última obedecido |
| às suas origens de Destaque. |
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| Sete Dísticos totalizam catorze versos. Sendo a maioria deles decassílabos |
| Heróicos, temos duas regras básicas que caracterizam o Soneto, mas não |
| existem sonetos cujos catorze versos estejam dispostos em sete Dísticos. |
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| Acho que o divertimento do Gullar com a ruptura começou aí, com |
| o verso final, o do Monóstico, fazendo a gozação com a sua invenção. |
| Todo Único: Um só Metro, de raríssimo uso na Poesia Latina, só usado |
| uma vez no poema, numa estrofe Monóstico e com única pergunta, |
| depois de sucessivas explicações. |
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| Gular usou pausas interiores nos decassílabos, mais usadas nos |
| Alexandrinos Latinos ancestrais, conhecidas por Cesura, que permitem |
| ao poeta dividir o verso longo em duas partes conhecidas por Hemistíquios. |
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| Usou quase todos os Metros possíveis das construções poéticas no poema, |
| finalizado com um metro Espondeu, que por apresentar a duas sílabas |
| tônicas em seguida se torna mais apropriado às declamações do que aos |
| cantos, daí o seu raro uso na MPB. |
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| Poderia até ter tentado usar o espondeu no centro dos decassílabos, mas |
| com isso perderia a Cesura, fundamental para o Desenho que desejava |
| dar ao poema, decidindo pelos outros quaternários Coriambos. |
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| A maioria das configurações do poema, que constam nos diversos sites da |
| internet, apresentam este desenho: |
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U ma / par te de mim /
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é to do mun / do:
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ou tra / par te-é nin guém: /
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fun do sem fun / do.
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U ma / par te de mim /
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é mul ti dão: /
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ou tra / par te-es tra nhe / za
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e so li dão. /
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U ma / par te de mim /
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pe sa, pon de / ra
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|
ou tra / par te
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|
de li / ra
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U ma / par te de mim /
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al mo / ça-e jan / ta
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ou tra / par te
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se-es pan / ta.
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U ma / par te de mim /
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é per ma nen / te:
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ou tra / par te se sa / be
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de / re pen / te
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U ma / par te de mim /
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é só ver ti / gem:
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ou tra / par te,
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lin gua / gem
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Tra du zir / u ma par / te
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na-ou / tra par / te
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- que é u / ma ques tão /
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de vi / da-ou mor / te -
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se rá ar te?
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| Procurei manter a Escansão dos Metros para mostrar que, embora o |
| visual seja diferente, os metros continuam fundamentais nos poemas, que |
| poderiam ser escritos até da forma abaixo. Aliás, rompendo mais ainda. |
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Uma
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parte de mim
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é todo mundo:
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Outra
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parte-é ninguém
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fundo sem fundo
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Uma
|
|
parte de mim
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é multidão:
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Outra par
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te-estranhe
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za-e solidão
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|
Uma
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|
parte de mim
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|
pesa, podera
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|
Outra
|
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parte delira
|
|
|
|
Uma
|
|
parte de mim
|
|
almo
|
|
ça-e janta:
|
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Outra
|
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parte se-espanta
|
|
Uma
|
|
parte de mim
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é permanente:
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Outra par
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|
te se sa
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be de
|
|
repente
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|
Uma
|
|
parte de mim
|
|
é só vertigem
|
|
Outra
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parte linguagem
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Traduzir
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|
uma par
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|
te na-ou
|
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tra parte
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- que é u
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|
ma questão
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de vi
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da-ou morte -
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Será arte?
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| A diferença é que Ferreira Gullar sabia do que tratava e buscava romper. |
| Alguns concretistas outros não. |
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| Vanguarda sem Retaguarda? |
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| - Fala Sério! |
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