Archive for maio, 2009

A Televisão – Análise Poética

           
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Sílabas nicas em Vermelho 
Números – Posição ordinal da sílaba no verso
Letras A, G e D = Timbre dos Versos.
A+  Anáclase – captura da sílaba átona inicial do verso posterior pela final do anterior
C – Cavalgamento
B – Verso Branco
           
     1     2     3    4     5     6    7     8      9  
 O-ho  mêm   da   ru    a     B        
   Fi   ca    por   tei   mo   si    a    
 Não   en  con  tra  com   pa  nhi    a    
 Mas  pra   ca   sa   não  vai  não      
  Em   ca  sa-a   ro   da     mu   dou    
Que-a   mo   da   mu  da-A    A+        
   ro  da-é  tris  te (C)    A   ro da-é   mu da-em  
  vol   ta     da    te   le   vi   são    
  No   céu    a   lu    a          
  Sur   ge  gran  de-e   mui   to  pro   sa    
 Dá-u   ma  vol   ta   gra   ci    o   sa    
  Pra  cha  mar   as    a  ten  ções      
 O-ho  mêm   da   ru    a          
 Que   da   lu  a-es    dis  tan    te    
 Por  ser   ne   go  bem   fa  lan    te    
  Fa    la    com  seus   bo  tões      
    1     2     3    4     5    6    7     8      9  
 O-ho  mêm   da   ru    a     B        
 Com  seu  tam   bo   rim   ca   la   do    
    po de-es   pe   rar  sen   ta   do    
  Su  a-es   co   la   não  vem  não      
   A   su    a  gen  te-Es    A+        
 tá-a  pren  den do-hu   mil   de  men   te    
  Um   ba   tu  que    di   fe  ren   te    
 Que  vem     da    te   le   vi  são    
  No  céu    a   lu    a          
 Que n´o-es   ta   va   no  pro  gra   ma    
 Che  ia-e   nu    a  che  ga-e  cha   ma    
 Pra  mos  trar    e   vo   lu  ções      
 O-ho  mêm   da   ru    a          
 Não  per   ce  be-o  seu  cha   me   go    
   E  por  fal   ta de-ou   tro     go    
 Sam   ba    com  seus   bo  tões      
    1     2     3     4     5     6     7     8     
  Os   na   mo   ra   dos     B        
      dis  pen  sam   seu   na   mo   ro    
Quem  quer    ri   so quem  quer   cho   ro    
 Não   faz  mais   es   for   ço   não      
  E-a   pró  pria   vi da-A    A+        
   in   da  vai  sen   tar  sen    ti   da    
 Ven  do-a   vi   da  mais    vi    vi   da    
 Que  vem     da   te    le    vi  são    
 O-ho  mêm   da   ru    a          
  Por    ser   ne   go  con   for   ma   do    
  Dei  xa-a   lu  a-a    li   de    la  do-E    A+  
  vai    li  gar   os  seus   bo   tões      
  No  céu    a   lu  a-En    A+        
  ca   bu   la  da-e     min  guan   do    
  Nu   ma   nu  vem  se-o  cul   tan   do    
 Vai   de  vol   ta  pros  ser   tões      
    1     2    3     4     5    6      7     8    
             
Composição feita em três Estrofes do tipo Composta, contendo 16 versos em 
cada, que totalizaram 113 sílabas por estrofe. Pelo fato de todas elas findarem
na mesma Rima – tões – podemos considerar à construção poética como Lírica.
 
Tal aspecto é reforçado pela forma com que Chico dispôs os versos nas 
estrofes, pois as pausas e os períodos sintáticos dos oitavos versos de cada
uma sugerem términos de estrofes, o que daria à composição, ao invés de três
Estrofes Polimétricas com 16 versos cada, seis Oitavas, só que daí a 
construção poética deixaria de ser Lírica, já que nem todas as possíveis Oitavas
terminariam em mesma Rima.
 
Mesmo esse aspecto, o das rimas determinantes do lirismo da obra, merece um 
reparo maior, já que as possíveis Oitavas 1, 3 e 5 terminariam todas em mesma
palavra – televisão – enquanto as 2, 4 e 6 terminariam em botões ou sertões;
ficando a obra “meio lírica” nas estrofes ímpares e nas pares.
 
Para acabar com qualquer possível interpretação semelhante à jocosa que fiz, 
Chico juntou as oitavas e não deixou dúvidas do que queria dizer poeticamente:
 
 - Isto é um pensamento pessoal e Zé Finí! (c´est fini)
 
Nem precisava tanto, pois afinal a crítica da época não sabia do que estava
tratando, mas a de alguns anos antes sim. Talvez aí morasse o seu cuidado.
 
Saindo um pouco das Rimas, mas continuando nas metragens das estrofes, ele
foi meio pilantra no sétimo verso da primeira estrofe ao usar um Cavalgamento,
pois cavalgou no sétimo verso um terço do conteúdo sintático do oitavo,
fazendo com que a parte transferida fosse igual à metragem inteira do verso
anterior. Usou um enorme cavalo.
 
Poderia dizer que montou um verdadeiro Cavalo Bretão no seu divertido
cavalgamento poético francês, Enjambement, pois se não o fizesse ficaria assim:
 
ro / da-é / tris / te (pausa)  -  1-3 G
A / ro / da-é / mu /da-em / vol /ta / / da / te / le / vi / são  2-4-6-8-11-13 A
 
perdendo totalmente a simetria na estética da estrofe. Não houve nenhuma falha
na utilização desse recurso poético, que exige breve pausa no interior do Verso
Cavalgado, com a metragem do Verso Cavalgador iniciando na primeira sílaba
do conteúdo sintático transferido.
 
A pausa foi dada logo após a sílaba átona de tris / te / P /, o que é difícil de se 
conseguir por causa do natural Ritmo Poético e da tendência idiomática, que nos
levam a juntar átonas seguidas num ditongo bem comum às sílabas poéticas.
 
Só é possível reparar nesses detalhes da construção poética quando é o próprio
compositor quem interpreta a canção, pois qualquer outro cantor, se não
avisado pelo Chico, cantaria o trecho desta maneira:
 
A / ro / da-é  /tris /te-a / ro / da-é / mu / da-Em
vol / ta / lá / da / te / le / vi / são
 
Sumiria com a pausa interior do verso, tranformaria duas sílabas poéticas em 
uma só e jogaria toda a nobreza poética do Cavalgamento no lixo, pois além
de ser mais fácil emendar tudo, pode-se levar a pausa pro fim do verso em 
benefício do estilo próprio de cantar.
 
Embora o visual regular da estrofe sugira ter havido uma Anáclase entre os 
versos 7 e 8, o Cavalgamento mostra que não houve, pois se trata apenas da
continuação do mesmo oitavo verso iniciado na metade do sétimo.
 
Quanto à Métrica, o restante da composição não apresentou maiores novidades
além das Anáclases costumeiras, que também só podem ser notadas quando a
composição é cantada pelo Chico, pois uma pequena vacilada na entonação
da sílaba final , ou inicial capturada joga a metragem pro verso errado.
 
As Rimas ainda merecem alguns reparos quanto às Colocações e Qualidades.
Quanto à Colocação, Chico buscou uma variação das Rimas Opostas, ao usar,
por exemplo, na primeira estrofe o esquema 2-3 / 4-8 / 6-7 / 9-13 / 10-11 /
12-16 e 14-15. 
 
Ou seja, deixou um vão de seis versos entre os grupos de rimas paralelas e um 
de 4 entre os opostos. Ficaram sem rima de final os versos 1 e 5. O 5 foi 
salvo logo abaixo pelo centro dele rimando com o começo do 6 – roda com 
 moda - mas o verso 1, por distar a 8 versos do possível parceiro, o 9, ficou 
realmente que nem o seu dono, o Homem da Rua. Só e Branco.
 
Coincidência ou não, parece até que o Chico brinca com a solidão do Homem
da Rua, sozinho e sem rimas lá no primeiro verso, quando diz : O homem da rua
Que da lua está distante / Por se nêgo bem falante / Fala só com seus botões.
 
Nas outras duas estrofes as características foram semelhantes às da primeira. A
única diferença ocorreu no quinto verso delas, que passou a rimar paralelamente
com o sexto e o sétimo, pois o Homem da rua voltou a ficar sozinho no
primeiro verso da segunda estrofe, e na terceira, os solitários foram os
namorados, o que, aliás, era o esperado.
 
As Qualidades das Rimas variaram entre Vulgares e Boas.
 
Segue abaixo um quadro da Geometria Poética para melhor visualizar como o
Chico conseguiu fazer a primeira estrofe ter o mesmo total de sílabas das outras:
                  
Versos      Estrofe I Estrofe II Estrofe III
     1        2-4 G      2-4 G      2-4 G
     2     1-3-5-7 G   1-3-5-7 G   1-3-5-7 G
     3     1-3-5-7 G   1-3-5-7 G   1-3-5-7 G
     4     1-3-5-7 A   1-3-5-7 A   1-3-5-7 A
     5     1-3-5-7 A +2    2-4 G      2-4 G
     6        2-4 G -3 1-3-5-7 G   1-3-5-7 G
     7        1-3 G -4 1-3-5-7 G   1-3-5-7 G
     8 2-4-6-8-11-13 A +5 1-3-6-8 A   1-3-6-8 A
     9        2-4 G      2-4 G      2-4 G
    10     1-3-5-7 G   1-3-5-7 G   1-3-5-7 G
    11     1-3-5-7 G   1-3-5-7 G   1-3-5-7 G
    12     1-3-5-7 A   1-3-5-7 A   1-3-5-7 A
    13        2-4 G      2-4 G      2-4 G
    14     1-3-5-7 G   1-3-5-7 G   1-3-5-7 G
    15     1-3-5-7 G   1-3-5-7 G   1-3-5-7 G
    16     1-3-5-7 A   1-3-5-7 A   1-3-5-7 A
 Totais         113        113       113
         
Os 48 versos usados foram estes:
 
Trissílabo Grave – 1
Tetrassílabos Graves – 12
Redondilhas Maiores Agudos – 10
Redondilhas Maiores Graves – 22
Octossílabos Simples – 2
Alexandrino Espanhol – 1
                  

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O Espectro da Arte – exemplo

             

Pelo fato da plataforma do site ser mais apropriada ao registro de textos, as
análises Espectrográficas das composições, feitas em Gráfico Cartesiano de 
Linhas, ainda são impossíveis de serem traduzidas neste espaço.
 
Os gráficos resultam de cálculos matemáticos, tanto das sílabas poéticas quanto 
das notas musicais respectivas. São feitos no Excel e já me disseram para tentar
salvá-los como desenhos, que depois seriam transferidos para o Word, o que
permitiria à plataforma do site reconhecê-los e imprimí-los.
 
Tentei várias possibilidades e não tive sucesso em nenhuma, portanto, se algum
dos senhores souber como fazê-lo, e puder me ensinar, acatarei às sugestões
com o entusiasmo do aprendiz grato ao mestre.
 
Embora os desenhos formados pelas Linhas Suavizadas do gráfico permitam
melhor entendimento das coreografias de sílabas e notas musicais nos versos,
tentarei dar abaixo uma parcial idéia dessa dança com um simples registro das 
posições delas no eixo X, e as suas respectivas cores no eixo Y, ficando a linha
de ligação entre elas dependente da imaginação de cada um.
 
O primeiro gráfico trará apenas o sobe e desce das sílabas poéticas. O segundo
mostrará o comportamento das notas musicais. O terceiro trará as Médias
Geométricas entre as sílabas e as respectivas notas. O quarto juntará às três
observações anteriores.
 
Pelo fato da visão humana enxergar das baixas frequências do Vermelho às altas
do Violeta, temos um melhor reconhecimento nas frequências centrais do
Espectro, cuja cor está entre o Amarelo-Limão e o Verde-Limão.
 
Por exemplo, se uma sílaba poética está localizada na décima quinta, das vinte e 
uma possibilidades de cores, para que a média seja bem notada, a sua nota
musical respectiva deverá ser a Si Bemol Barítona.
 
As análises se baseiam nas três Oitavas Centrais do piano: Baixa, Média e Alta. 
Uso registrar o Bemol da nota pertencente à primeira com duas letras minúsculas
(do), outro pertencente à Média com uma Maiúscula seguida de minúscula (Do), 
e o da Alta com duas maiúsculas (DO); com os Sustenidos # acompanhando a
cor da nota sustenida.

 

Tem mais sam ba no-en con tro que na-es pe ra  
 Do  Do  Do Do   Do  Mi Do  Do   Do  si  si  

           

                      ra
                         
      sam
  Tem
                         
    mais
                que
        ba pe L
              tro
            con
                         
                         
                  na-es
                         
                         
          no-en              

                 

A letra L que finaliza à direita corresponde à cor média das sílabas poéticas.

                      

            N
                         
  N N N N N N N N M
                    N N  

              

As letras N correspondem às notas musicais da melodia, e a letra M à direita corresponde à cor média das notas que compõem o verso.   

                           

      3 11
  1 2
        4 6 8 Md.
              7 10
                         
                  9
                         
          5              

              

Cada número é o de ordem do conjunto sílaba poética – nota musical no verso, representando à média de cada conjunto, cuja média final deles se encontra à direita – Md. .

             

                      ra
                         
      sam
  Tem
                         
    mais
      3 que 11
  1 2 ba N pe L
        4 6 tro 8 Md.
  N N N N N con N – 7 N N 10 M
                    N N
                  9
                  na-es
          5
                         
          no-en              

 

 

 

 

Uma curiosidade ocorre na sétima sílaba poética, que por estar somente uma
tonalidade de cor, acima da nota, fez a média do conjunto coincidir com a cor
da melodia; e a curiosidade fica mais intrigante ainda quando se observa a 
palavra onde ocorreu o evento: Encontro; que apesar de ter a primeira sílaba lá 
embaixo, teve as duas outras, dentre as quais a sílaba tônica central do verso, 
próximas da melodia o bastante a causar os”encontros” vistos.
 
O mesmo ocorre lá nas médias da ponta direita. Esse verso é o próprio
ponta-direita, tipo Garrincha, cheio dos dribles, mas sempre com a obediente
bola bem perto dos pés nas suas inesquecíveis coreografias futebolísticas.
 
Muitas conclusões podem ser tiradas dessas análises, ao se contemplar os 
acasalamentos das sílabas com as notas musicais, que muitas vezes coincidem
na cor, ou distam simetricamente da linha central do espectro, ou ponderam, 
caprichosamente nos valores, para fazer com que a média deles se aloje em
determinada cor…
 
Lembro que todo esse estudo da Espectrometria se presta à Tradução da Arte
embutida no seu Instrumento Artístico, no caso, o Poeta.
 
Quando nasce um poema, na maioria das vezes, ocorre de forma espontânea,
sem que o poeta domine cientificamente o Instante da Tradução. O instante da
transformação do imaginário quadro, também conhecido como Inspiração, em 
caracteres alfabéticos, por ser muito violento, deixa no poeta uma sensação de
constante busca pelo término mais adequado.
 
Ele não sabe disso. Apenas sente, o que incomoda o bastante a fazê-lo 
escrever sempre sobre os inacabados assuntos dos poemas anteriores. Os 
temas podem até mudar, sugerindo a novos assuntos, mas dentro do poeta fica
a incômoda sensação de continuidade do outro assunto interior inacabado, 
embora o texto objetivo já pertença a um novo tema.
 
Essa constante dependência é que torna o poeta um Instrumento da Arte, que o
escraviza pelo lado Emocional em eterno conflito com o Racional, pois, na 
maioria das vezes, não sabe que o seu Alfabeto Tradutor, inventado e mais 
usado pelo insensível Comércio, nasceu da Arte Plástica, descrita em rochas
pelos originais e anônimos artistas da Pictografia Rupestre.
 
De alguma forma a Arte persistiu embutida na grosseira forma que o comércio 
deu às originais Pictografias e Ideografias, e é essa presença oculta que a
Espectrometria ousa tentar desvendar.
 
Muito se fala sobre a Musicalidade Natural do Poema sem que, no entanto, se
consiga definí-la. Outros poetas dizem Sonhar as Cores do Poema. Eles não 
sabem o que é a Coisa, mas sentem que a coisa existe, embora indescritível.
 
Todo e qualquer texto possui melodia natural, basta que o interpretem pelas 
cores que resulta, logo, qualquer poema possui sim o seu som de fundo, basta
que o calculem e entreguem o resultado a um sensível instrumentista musical.
 
Certamente a Poesia original estará bem alojada na Melodia residencial que a
concebeu no inconsciente artístico do Poeta Escravo.

 

 

 

 

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
       
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
      
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : “Fui eu ?”
Deus sabe, porque o escreveu.
                                         (Fernando Pessoa)
 

 

 

 

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Aos Navegantes do MPB Sapiens

 

O conteúdo informativo do espaço cultural MPB Sapiens me exigiu anos de
estudo, os quais passo gratuitamente a cada um de vocês que me honram com
suas visitas, quer para atender às simples curiosidades, quer para pesquisas, ou
mesmo para que copiem o conteúdo e coloquem em seus respectivos blogs
como textos próprios, pois mostram resultado cultural, ainda que oportunista.
Esse aspecto último incomoda um pouco, talvez por um breve ciúme do que
me é próprio sendo usado por terceiros. Enquanto tudo isso se resumir à
simples informação é apenas deselegante, mas no momento em que o blog
se destinar a parcerias comerciais, a deselegância vira roubo, já que a proposta
desse novo dono da informação copiada, transformada em própria e financeiramente
lucrativa, não obedece às práticas comerciais vigentes sobre a Cultura.
O material que tenho a passar é bem vasto e suponho duradouro. Pode vir com
maior ou menor velocidade, o que é determinado pela minha presença diante do
PC editando textos, e isso custa, no mínimo, a manutenção do meu dia a dia.
Não pretendo submeter este nosso espaço cultural a um monte de propagandas
circundando cada postagem, pois além de dar à página um visual feio e tirar
a atenção do leitor, como Educador nunca concordei que Cultura seja matéria-
prima negociável, mas sim permutável, como já devem ter presumido pelos
textos das postagens.
Proponho então uma parceria com os senhores, que se usam destas informações:
Quando forem executar àlguma operação financeira, em caixas eletrônicos dos
bancos ou da internet, lembrem deste que os serve com alguma ajuda, que se
torna efetiva diante de um depósito qualquer na conta abaixo:
Cx. Econ. Federal ag.2152 operação 013 - cc 00042465-4 – Dalton B.S.
P.S. A vocês que copiam para colar nos blogs próprios como textos seus, cabe
a seguinte sugestão: – Mudem, ao menos, os textos originais!

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Drummond E A Banda

                  

 
O jeito, no momento é ver a banda passar, cantando coisas de amor. Pois de 
amor, andamos todos precisados, em dose tal que nos alegre, nos reumanize, 
corrija, nos dê paciência e esperança, força, capacidade de entender, perdoar,
ir para a frente. Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine 
o feio, o errado, o triste, o mau, o absurdo e o que mais estamos vivendo ou 
presenciando.
 
A ordem, meus manos e desconhecidos meus, é abrir a janela, abrir não,
escancará-la, é subir no terraço como fez o velho que era fraco mas subiiu assim
mesmo, é correr à rua no rastro da meninada, e ver e ouvir a banda que passa.
Viva a música, viva o sôpro de amor que a música e a banda vêm trazendo, 
Chico Buarque de Holanda à frente, e que restaura em nós hipotecados 
palácios em ruínas, jardins pisoteados, cisternas sêcas, compensando-nos da
confiança perdida nos homens e suas promessas, da perda de sonhos, que o
desamor puiu e lixou, e que são agora como o paletó roído de traça, a pele
escarificada de onde fugiu a beleza, o pó do ar, na falta de ar.
 
A felicidade geral com que foi recebida a passagem dessa banda tão simples, 
tão brasileira e tão antiga na sua tradição lírica, que um rapaz de pouco mais de 
vinte anos botou na rua, alvoroçando novos e velhos, dá bem a idéia de como
andávamos precisando de amor. Pois a banda não vem entoando marchas 
militares, dobrados de guerra, não convida a matar o inimigo, ela não tem
inimigos, nem a festejar com uma pirâmide de camélias e discursos a conquista 
da violência. Esta banda é de amor, prefere rasgar corações, na receita do sábio
maestro Anacleto Medeiros, fazendo penetrar nêles o fogo que arde sem se ver,
o contentamento descontente, a dor que desatina sem doer, abrindo ferida que 
dói e não se sente, como explicou um velho e imortal especialista português 
nessas matérias cordiais.
 
Meu partido está tomado, não sou da Arena nem do MDB, sou dêsse partido
congregacional e superior às classificações de emergência, que encontra na 
banda o remédio, a angra, o roteiro, a solução. Êle não obedece a cálculos da
conveniência momentânea, não admite cassações sem acomodações para evitá-
las, e principalmente não é um partido, mas o desejo, a vontade de 
compreender pelo amor, e de amar pela compreensão.
 
Se uma banda sozinha fez a cidade toda se enfeitar e provoca até o 
aparecimento da lua cheia no céu confuso e soturno, crivado de signos
ameaçadores, é porque há uma beleza generosa e solidária na banda, há uma
indicação clara para todos, os que têm responsabilidade de mandar e os que 
são mandados, os que estão contando dinheiro e os que não o têm para contar 
e muito menos para gastar, os espertos e os zangados, os vingadores e os 
ressentidos, os ambiciosos e todos, mas todos os etecéteras que eu poderia 
alinhar aqui se dispusesse da página inteira. Coisas de amor são finezas que se 
oferecem a qualquer um que saiba cultivá-las e distribuí-las, começando por
querer que elas floresçam. E não se limitam ao jardinzinho particular de afetos
que cobre a área da nossa vida particular; abrange terrenos infinitos, nas 
relações humanas, no país como entidade social carente de amor, no universo-
mundo onde a voz do Papa soa como uma trompa longínqua, chamando o velho
fraco, a mocinha feia, o homem sério, o faroleiro…todos que viram a banda
passar, e por uns minutos se sentiram melhores. E se o que era doce acabou, 
depois que a banda passou, que venha outra banda, Chico, e que nunca uma
banda como essa deixe de musicalizar a alma da gente.
 
 
Crônica de Carlos Drummond de Andrade, publicada no Correio da Manhã de
14 de Outubro de 1966 e transcrita com autorização do autor.
 
Já se foram quarenta e dois anos que Drummond escreveu isso. Independente
do restante do texto, será que este último pensamento dele:
 
… E se o que era doce acabou, depois que a banda passou, que venha outra
banda, Chico, e que nunca uma banda como essa deixe de muzicalizar a
 alma da gente.
hoje estaria obsoleto?
 
Pois é, Cara, ainda sobra espaço no barraco e no cordão!
 
Hoje A Banda surgiu
Procurando você
Quem te viu?
Quem te vê?
Quem não o conhece
Agora paga pra ver
Quem jamais o esquece
Nem pode mais ver pra crer.
 

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Manuscrito A Banda – Índice

 

Todas as composições que constam no  manuscrito,  A Banda, apresentam
primeiro ilustrações de Eduardo Vasconcelos, todas datadas de 1966, 
seguidas das partiruras respectivas, e por último os originais das letras.
 
Segue abaixo o índice do conteúdo:
 
Introdução
http://mpbsapiens.com/manuscrito-a-banda-1966-introducao/
Noite Dos Mascarados
http://mpbsapiens.com/noite-dos-mascarados-analise-de-texto/
Tamandaré
http://mpbsapiens.com/tamandare-analise-de-texto/
Amanhã Ninguém Sabe
http://mpbsapiens.com/amanha-ninguem-sabe-analise-de-texto/
Meu Refrão
http://mpbsapiens.com/meu-refrao-analise-de-texto/
Fica
http://mpbsapiens.com/fica-analise-de-texto/
Você Não Ouviu
http://mpbsapiens.com/voce-nao-ouviu-analise-de-texto/
Pedro Pedreiro
http://mpbsapiens.com/pedro-pedreiro-analise-de-texto/
Olê Olá
http://mpbsapiens.com/ole-ola-analise-de-texto/
Ela E Sua Janela
http://mpbsapiens.com/ela-e-sua-janela-analise-de-texto/
Malandro Quando Morre
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Tem Mais Samba
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A Banda
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A Rita
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Madalena Foi Pro Mar
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