Archive for abril, 2009

O Mestre-Sala Dos Mares-Conto

      a

Faz muito tempo.

Fui procurar um amigo na Galeria Pajé – SP. Vendo que a sua antiga sala virara um escuro estúdio fotográfico, temeroso adentrei à procura do Ramirez, mas só encontrei um fotógrafo russo com estranhas roupas da década de 40.

Perguntei pelo amigo Ramirez e o estranho fotógrafo pediu-me uma foto dele. Não a tendo, pois ninguém costuma andar com fotos de amigos na carteira, insisti e o russo me mostrou algumas abreugrafias para tentar reconhecê-lo pelos pulmões.

Reparei também que havia sobre a mesa um velho gibi do Tio Patinhas: O Holandês Voador; largando então a simpática chapa dos pulmões e me apossando do gibi.

De súbito, uma câmera disparou um flash vermelho duplo: Um em minha direção e outro na do gibi. O russo pegou o filme e preocupou com o resultado: Eu e o Tio Patinhas dentro do navio Holandês. As últimas palavras que lembro foram dele gritando: – Você antrou no Univerrso Parralelo!

Ao dar por mim, estava no passadiço de um Navio Negreiro, com minha roupa de moto, diante de um velho Comandante dando as suas últimas instruções, em vida, ao seu Imediato, um homem negro.

O navio era uma corveta chamada Dianna, pertencente ao Comandante José Marques de Sant´ Anna. Foi quando o negro virou pra mim e disse: – Innocêncio Marques de Sant´ Anna a seu dispor, e o senhor?

Ainda sem entender o que se passava, tentei um salvador “Veja Bem”, ele balançou a cabeça e mandou que o seguisse. Pendurei o capacete no timão do navio e fui atrás em direção ao tombadilho.

Estávamos num porto e pela quantidade de homens negros com poucas vestimentas suspeitei se tratar da África remota. Entramos num forte chamado São Jorge. Innocêncio conversou algo com um rei chamado Adandozan, saiu junto com dois outros negros trajados com roupas multicoloridas. Depois vim a saber que eram embaixadores; voltamos ao navio já carregado com escravos e zarpamos.

Tudo acontecia muito rápido, já que depois de instantes chegávamos a Salvador, que se encontrava bem agitada por um levante de escravos Malés. Os embaixadores eram conhecidos deles, logo, seriam bem impopulares em terra firme.

Demos um tempo de alguns segundos, anoiteceu subitamente, o porto esvaziou, Innocêncio escondeu-nos na casa da viúva do Comandante José de Sant´Anna, saiu e voltou logo em seguida. Embarcou-nos novamente e zarpamos.

Depois de constatar que o capacete permanecera aonde o deixara, sem que o timão se movesse, subitamente percebi que estávamos adentrando em novo porto. Pelo sotaque dos estranhíssimos transeuntes do cais, suspeitei estarmos em alguma localidade portuguesa.

Em seguida, Innocêncio nos levou a uma espécie de palácio, que depois descobri ser o Palácio Real de Lisboa,  onde só os três conversaram com um rei, cuja fisionomia não me era estranha, mas ainda indecifrável. A dúvida durou até o momento em que Marieta Severo, vestida à carater, passou rapidamente ao meu lado e foi em direção a eles.

Encontrando alguém mais contemporâneo, e carente de maiores informações acerca de tudo aquilo, tentei me aproximar dela na esperança de que se lembrasse da ocasião em que me pagou um sorvete no Festival da Canção de 1966. Infelizmente fui contido por um grupo de polidos eunucos.

Pelas vestimentas de Marieta pude me localizar melhor no espaço e no tempo. Era a Carlota Joaquina no Palácio Real de Lisboa, logo, o rei só poderia ser o D. João VI.

Já um pouco mais aliviado pela descoberta, andei pelos arredores notando que a minha roupa de moto causava grande interesse nos fidalgos transeuntes. Pensei no Ramirez vendendo suas coisas do Paraguai pós guerra numa corte em tempo de pré guerra.

Embora a Pré Guerra fosse em relação à que o Brasil teve com os vizinhos paraguáios, se encaixava também naquele instante, pois Lisboa estava prestes a ser invadida pelas tropas de Napoleão Bonaparte.

Terminada a conversa, D.João carregou alguns barcos com as coisas da esposa Carlota Marieta, pegou o cofre, pôs Innocêncio na Comissão de Frente da esquadra e rapidamente zarpamos todos em direção a algum lugar possível e inimaginável.

Depois de minutos descobri, por um dos dóceis eunucos, que estávamos chegando à Ilha de Cabo Verde, aonde nos separamos. A esquadra do D. João veio para o Brasil e nós fomos com o Dianna para aquele forte aonde tudo começou.

Deixamos os embaixadores por lá, pegamos mais um cento de escravos e notei, pelas características das águas, que seguíamos para Salvador. Ao chegar, Innocêncio ficou bravo, pois D. João já se mandara para a capitania de São Tomé, cujo belo porto chamava Rio de Janeiro, e o combinado não fora bem aquele.

Não deu outra. Conferi a situação do meu capacete e fomos atrás.

Tinha muito tempo que Innocêncio não negociava por lá. Apesar de curta, a viagem foi agradável, pois pude identificar, em algumas encostas, escarpas falésias com várias imagens esculpidas dos meus futuros ídolos de uma MPB que estaria ainda por vir.

Chegando ao porto do Rio de Janeiro, Innocêncio descarregou o seu produto vital na Rua da Alfândega, leiloou, pegou a grana e voltamos para Salvador em nova e agradável viagem, desta feita com um número bem maior de ídolos esculpidos nas falésias.

Lá chegando, fomos até a casa da viúva, que aparentava estar aflita por novas notícias e finanças. Innocêncio tranquilizou-a com boa soma de dinheiro em espécie e jurou-lhe igual fê-lo a José, quando entrei na história.

Comprou mais um barco, que batizou como Dragão, ficando a corveta Dianna a cargo de um outro negro, Manuel Luis, que se tornara imediato da Dianna após a graduação do Innocêncio. Apanhei o capacete,  fomos para o Dragão e pendurei-o no novo timão, confeccionado em marfim e localizado num tombadilho muito mais confortável do que o anterior.

Fizemos viagens à África. Na primeira, a carga foi destinada a São Tomé e depois ficamos um bom tempo descarregando apenas em Salvador. Na última, o forte São Jorge havia mudado de dono. Parece que o rei Adandozan vendera à própria mãe, Ná Agotimé, como escrava. Seu irmão caçula, Guezo, o matara e tomara o poder na região, cujo nome era Daomé, e se tornara proprietário do forte.

Ao voltarmos dessa viagem, o Brasil se tornara independente e já tinha o rei Pedro I. O jovem rei Guezo veio junto conosco e trouxe um presente para o nosso, também jovem, rei. O trono da Dinastia Vodun  Daometana ocupado pelo Adandozan em seus últimos dias como monarca.

Chegando a São Tomé, Innocêncio foi para a Alfândega leiloar, Guezo foi pro palácio formalizar o presente real e eu fiquei no Dragão apreciando o timão de marfim verdadeiro e cuidando do capacete.

Pensava sobre elefantes e já íamos zarpar novamente para Salvador, onde Guezo começaria as suas buscas visando encontrar à rainha Ná Agotimé, sua mãe, mas dei de cara novamente com o fotógrafo russo segurando o gibi do Tio Patinhas, o Ramirez segurando a Abreugrafia e eu, no espelho ao lado, segurando o Capacete.

Estranhei o silêncio que imperava na primeiro andar da Galeria Pajé, normalmente barulhenta. Por um breve instante nos olhamos e subitamente surgiu a voz do João Bosco cantando:

Jeje minha sede é dos rios
A minha cor é o arco-íris
Minha fome é tanta
Planta flor irmã da bandeira…
                  
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
        
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
         
Rubras cascatas
Jorravam das costas dos centos
Entre cantos e chibatas
Inundando o coração
Do pessoal do porão
Que, a exemplo do feiticeiro, gritava então:
         
- Glória aos piratas
Às mulatas, às sereias!
        
- Glória à farofa
à cachaça, às baleias!
       
Glória
A todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve
O navegante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
         
 Mas faz muito tempo…
                

Escutamos a composição em silêncio, olhei pro Ramirez e disse:

 - Por falar em pirata, conheci um lugar… ! Depois a gente conversa, tô atrasado, fui…….!

O pior é que os demais personagens, além de mim, existiram, conforme Pierre Verger citou no livro Libertos, Sete Caminhos na Liberdade…; e Robert E. Conrad idem no livro Tumbeiros.

Pelo que pude apurar, o trono de Adandozan andou pela Biblioteca Nacional – RJ.

A rainha Ná Agotimé, esposa do rei Agonglo, foi adquirida como escrava por fazendeiros do Maranhão, sendo mais tarde responsável pelo surgimento, em São Luis, da primeira casa do Candomblé Jeje no Brasil, conhecida como Casa Das Minas, frequentada, originalmente, só por mulheres e posteriormente por ambos os sexos. – Por que será?

Os povos Jejes constituem o que se chamou por Nação Daomé, de Daho Mi (justiça em mim), em homenagem ao primeiro rei da dinastia Vodun, Dadaho, também conhecido por Dadá e por Daho, cujo cetro era um Oxé, símbolo místico atribuido ao orixá Xangô, responsável pela Justiça.

Guezo foi um dos últimos soberanos Voduns, estando o antigo Daomé hoje representado mais fortemente pelos países Nigéria, Gana e Burundi, cujos historiadores se recusaram a me fornecer maiores informações sobre o rei Adandozan, que pelo visto foi apagado das respectivas Histórias.

Ainda sobre Ná Agotimé, a rainha acabou virando enredo de uma escola de samba, Mocidade Independente de Padre Miguel, creio.

No filme Amistad, do Spielberg, pude identificar a alguns cantos fúnebres voduns, além da destruição do forte, descoberto pelo navegador português Diogo Cão, a serviço da França, em 23 de Abril de 1482, sendo batizado por ele como Forte São Jorge D´Ajuda, posteriormente rebatizado como São Jorge das Minas, de onde saiu a maioria das remessas de escravos chegadas ao Brasil.

Há uma outra versão, também histórica, que associa O Mestre-Sala Dos Mares a João Candido no episódio conhecido como Revolta Da Chibata, que por ter ocorrido por volta de 1910 foge um pouco da letra da composição, que contém muito mais de festa com dor presente do que de batalhas imaginárias em guerras ausentes.

Embora conste, nas letras apresentadas pela internet, o texto: Jorravam das costas dos “santos”…; fui informado que o original diz: Jorravam das costas dos “centos” – Centos de Escravos.

Este Conto começou com essa descoberta, pois além de também cantar de forma errada, o termo Santos era totalmente justificado pela rima com o Cantos do verso posterior. O termo Centos levou a interpretação do texto para bem mais longe da simples associação com a imagem de São Sebastião que imaginava até então.

Marieta Severo, dentre outros méritos, ficou famosa como protagonista do filme Carlota Joaquina.

O Levante dos Malés, em Salvador, faz parte da História do Brasil, que também registra o Comerciante de Escravos José Marques de Sant´Anna, cujo sobrenome herdou do ancestral Marquês de Santana, e possuía um fiel escravo chamado Innocêncio, com sobrenome herdado do dono, como era comum ocorrer na ocasião com os escravos após libertos: Fulano “De Tal”. O Manoel Luis também ganhou o sobrenome na ocasião.

Daí o orgulho do Innocêncio ao se apresentar a mim, pois acabara de ganhar o sobrenome naquela hora com a morte do seu dono.

Uma Holografia resulta do envio de único raio laser, que dividido em dois é focalizado em dois pontos: Um para o que se quer holografar e outro para o filme em que ficará impressa.

O Holandês Voador, no gibi do Tio Patinhas, existiu, assim como o Ramirez da Pajé.

Embora haja diversas origens para as Fotografias Espirituais, na década de setenta a revista Planeta trouxe em um dos seus exemplares as experiências de um fotógrafo russo, nos anos 40, que por um engano na montagem da máquina, quando buscava a um flash eletrônico e automático, acabou nas revelações obtendo fotos de pessoas determinadas com outras imagens, bem definidas, de outras pessoas além das fotografadas. Só não lembro do nome do cara.

Curiosamente, a maioria dos sites sobre a obra do Aldir Blanc não trás a letra da composição dentre as tantas feitas por ele. Qual será o motivo?

Neste meu Sonho Holográfico de Ectoplasma, só procurei tornar uma História Verdadeira em algo menos triste, além de comprovar que um poeta pode até mirar a sua letra num alvo fixo, mas a Composição Artística sempre faz com que também acerte em alvos nunca previstos.

Mas faz muito tempo:

 
Apadê
Olonan ê
Mojubá odjixé
Awá-axé awô
Awá-axé awô
Awá-axé awô
Mojubá odjixé…
 
           a

Nenhum comentário »

A Rita – Análise Poética

             
Voltar – >  http://mpbsapiens.com/a-rita-analise-de-texto/
              
Ver http://mpbsapiens.com/breve-glossario-poetico/
Sílabas nicas em Vermelho
Sequência numérica à direita = Ritmo Poético
Letras A, G ou D = Timbres de Verso: Agudo, Grave ou Dáctilo
 A+  Anáclase – sílaba do verso posterior para o anterior
A-  Anáclase – sílaba do verso anterior para o posterior
C - Cavalgamento

 

 A / Ri / ta / le / vou / meu / sor / ri / so     2-5-8 G 

No / sor / ri / so / de / la, / Meu / as / sun / to  C – 1-3-5 G 

le / vou / jun / to / com / e / la- A+     1-3-7-10 G

-e-o / Que / me-é / de / di / rei / to     2-5 G                      

Ar / ran / cou / me / do / pei / to-  A-     1-3-6 A                         

-E / tem / mais:     3 A           

Le /vou / seu / re / tra / to     2-5 G                      

Seu / tra / po, / seu / pra /to,     2-5 G                        

Que / pa / pel! 1-3 A

U / ma-i / ma / gem / de / São / Fran / cis / co     1-3-6-8 G

E-um / bom / dis / co/ de / No / el     1-3-5-7 A

                                                        

A / Ri / ta / ma / tou / nos / so-a / mor C     2-5-8-11 G

de / vin / gan / ça, / P / Nem / he / ran / ça / dei / xou     1-3-6 A

Não / le / vou / um / tos /tão     1-3-6 A

Pôr / que / não / ti / nha / não     1-3-6 A                 

Mas / cau / sou / per / das / e / da / nos     1-4-7 G

Le / vou / os / meus / pla / nos     2-5 G

Meus / po / bres / en / ga / nos     2-5 G

Os / meus / vin / te / a / nos     2-5 G

O / meu / co / ra / ção     2-5 A

E-a / lém / de / tu / do     2-4 G

Me / dêi / xou / mu / do     2-4 G

Um / vi / o / lão     2-4 A

Composição em duas Estrofes Livres e Irregulares, tendo a primeira onze versos, construídos com setenta e duas sílabas, e a segunda doze versos, feitos com setenta e cinco.

Nas Rimas, observa-se um estudo do Chico com Rimas Cruzadas e de Eco, além das convencionais, situadas nas extremidades dos versos com sonâncias boas e vulgares. Por exemplo:

Levou seu retrato

Seu trapo, seu prato

Que papel?

Uma imagem de São Francisco

E um bom disco de Noel

Letra com disposição confusa do texto nos primeiros versos da primeira estrofe.

Quando isso ocorre, é prudente recolocar o pensamento em texto comum. Por constar no Manuscrito A Banda, colocarei o texto com a pontuação dada pelo próprio Chico. Usarei apenas colocar alguns Ps, de Pausa, por economia de tempo e espaço:

“A Rita levou meu sorriso / no sorriso dela, P meu assunto P

Imaginemos que Chico tentou um Cavalgamento de parte do conteúdo sintático do terceiro para o segundo verso. Para que o Recurso Poético fosse feito corretamente no poema, o P deveria ter durado mais e o outro P nem existir. Como foi feito, por exemplo, em A Banda:

A namorada que contava as estrelas P Parou

para ver, ouvir e dar passagem

http://mpbsapiens.com/a-banda-cp/

Não houve qualquer pausa após o Parou colocado no verso anterior.

Vejamos agora o que ocorreu nos dois primeiros versos da segunda estrofe:

“A Rita matou nosso amor / de vingança, P  Nem herança deixou”

Cavalgamento de verso anterior para posterior com a exata pausa interior no verso cavalgado. Essa foi a diferença:

- Chico começou a prova montando um Pangaré e a terminou montado num Puro Sangue!

Digo isso baseado nas irregularidades rítmicas “herdadas” do Cavalgamento mal feito na primeira estrofe, onde Chico teve que se usar de três Anácleses para não perder o controle nos pés do Pangaré louco de vontade de Mancar.

Já na segunda estrofe, em que trocou para um Puro Sangue, o conforto da montaria, permitiu até que a “herança da Rita” ficasse resumida à primeira estrofe, conforme contou o texto dos seus versos cavalgados:

“A Rita matou nosso amor

de vingança, /P/ Nem herança deixou…”

Quando o Chico comete enganos na construção poética das composições, ao constatar o erro cometido, em vez de corrigí-lo prefere brincar intimamente com o texto do seu mundo poético…

Os vinte e três versos foram nestes tipos:

Trissílabos Agudos – 2

Tetrassílabos Agudos – 1

Tetrassílabos Graves – 2

Redondilhas Menores Agudos – 1

Redondilhas Menores Graves – 7

Heróicos Quebrados Agudos – 4

Redondilhas Maiores Agudos – 1

Octossílabos Graves – 2

Gaita Galega Grave – 1

Hendecassílabo Arte Maior Grave – 1

        a

Nenhum comentário »

A Banda – Análise Poética

               
Volta – >  http://mpbsapiens.com/a-banda-analise-de-texto/
                 
Ver http://mpbsapiens.com/breve-glossario-poetico/
Sílabas nicas em Vermelho A+  Anáclase – sílaba do verso posterior para o anterior
Sequência numérica à direita = Ritmo Poético
Letras A, G ou D = Timbres de Verso: Agudo, Grave ou Dáctilo
A-  Anáclase – sílaba do verso anterior para o posterior
C -Cavalgamento
         
Es / ta / va-à / to / a / na / vi / da-  A-     2-4-7 A
-O / meu / a / mor / me / cha / mou     2-4-7 A
Pra / ver / a / ban / da / pas / sar     2-4-7 A
Can / tan / do / coi / sas / de-a / mor     2-4-7 A
A / mi / nha / gen / te / so / fri / da     2-4-7 G     
Des / pe / diu / se / da / dor    1-3-6 A
Pra / ver / a / ban / da / pas / sar     2-4-7 A
Can / tan / do / coi / sas / de-a / mor      2-4-7 A
                                 
O /ho/mem //rio /que/ con/ta/va /di/nhei/ro /pa/rou     2-4-6-8-11-14 A
O /fa/ro/lei/ro /que/ con/ta/va /van/ta/gens /pa/rou     2-4-6-8-11-14 A
A /na/mo/ra/da /que /con/ta/va-as /es/tre/las/ C /Pa/rou     2-4-6-8-11 G
pa / ra / ver / ou / vir / e / dar / pas / sa / gem     2-5-7-9-11 G
A /mo/ça /tris/ te /que /vi /vi/ a /ca /la/ da  /sor /riu     2-4-6-8-11-14 A
A /ro/ sa /tris/ te /que/ vi /vi/ a /fe /cha/ da/  se-a /briu     2-4-6-8-11-14 A
E-a /me/ ni /na/ da /to/ da /se-as/ sa /nhou     2-4-6-8-10 A
Pra / ver / a / ban / da / pas / sar     2-4-7 A
Can / tan / do / coi / sas / de-a / mor      2-4-7 A

    

Repete a primeira estrofe
                        
O /ve/lho /fra/co/se-es/que/ceu/ do /can/sa/ço-e/ pen/sou 2-4-6-8-11-14 A
Que-in/da-e/ra /mo/ço /pra/ sa/ir/ no/ ter/ra/ço-e/dan/çou   2-4-6-8-11-14 A
A / mo / ça / fe / ia / de / bru / çou / na / ja / ne / la     2-4-6-8-11 G
Pen / san / do / que-a / ban / da / to / ca / va / pra / e / la     2-5-8-11 G
A/mar/chaa/le/gre/sees/pa/lhou/naa/ve/ni/da-e-in/sis/tiu 2-4-6-8-11-14 A
A /lu/ a /che/ ia /que/ vi /vi/ a-es/ con /di/ da/ sur /giu     2-4-6-8-11-14 A
Mi / nhá / ci / da / de / to / da / se-en / fei / tou     2-4-6-8-10 A
Pra / ver / a / ban / da / pas / sar     2-4-7 A
Can / tan / do / coi / sas / de-a / mor     2-4-7 A                                 
    
Mas / pa / ra / meu / de / sen / can / to-   A-     2-4-7 A
-O / que-e / ra / do / ce-a / ca / bou     2-4-7 A
Tu /  / to / mou / seu / lu / gar     2-4-7 A
De / pois / que-a / ban / da / pas / sou     2-4-7 A
E / ca / da / qual / no / seu / can / to-  A-   2-4-7 A
-E-em / Ca / da / can / to-u / ma / dor     2-4-7 A
De / pois / da / ban / da / pas / sar     2-4-7 A
Can / tan / do / coi / sas / de-a / mor      2-4-7 A

Começarei a análise poética da composição observando as Rimas. Quanto às colocações nos finais dos versos, a grande maioria delas apresenta Sons Vulgares, porém, com algumas se apresentando conjugadas ao longo dos versos inteiros, numa clara intenção de Rima Paralela nos versos inteiros, assim:

 A moça triste que vivia calada sorriu 
A rosa triste que vivia fechada  se-abriu 
    

Reparem que foi uma quase repetição de versos, com sonâncias Vulgares e colocadas em palavras de Mesma Categoria Gramatical, o que define às Rimas Pobres, só que ocorrendo ao longo do verso inteiro.

Quando um poeta busca um maior Quilate nas rimas, fatalmente foge da vulgaridade nas sonâncias. Quanto menos Vulgar é a Rima, menos Popular ela se torna. Quanto menos popular a rima, menor a possibilidade de fixação do texto na memória do ouvinte. Quanto menos decorado é o texto, menor é o sucesso popular da composição.

Esse conceito acima, das Rimas, não é invenção minha, justamente por não ser nenhuma novidade no meio poético, mas sempre é bom ser lembrado, principalmente para justificar ao imenso encaixe da Banda em nossos ouvidos.

Outro tipo de rima usado por Chico na composição foi a Leonina:

O homem sério que contava dinheiro parou 
O faroleiro que contava vantagens parou
A namorada que contava as estrelas 

Nas Rimas Internas, embora tenhamos algumas apenas Toantes, as sonoridades e as categorias gramaticais já ficaram bem diferentes, dando a elas um Quilate maior que as Externas nas Extremidades, levando o Chico à seguinte constatação:

- Quando colocadas nos finais de verso, As Rimas Vulgares, ou mesmo as Pobres, permitem melhor assimilação do texto por parte do ouvinte, por outro lado, para manter a construção poética no alto nível que espero, posso trabalhar com Rimas Internas de maior Quilate, que além de melhor educar o ouvinte, não afeta à assimilação de texto conseguida com as Vulgares finais!

Chico pode nem ter pensado nisso que escrevi acima, mas as suas construções poéticas futuras, sem dúvidas, mostraram a constatação.

A composição foi feita em quatro estrofes, formando dois pares de idênticas: A primeira e a quarta foram Oitavas. A segunda e a terceira foram Nonas. O fato de todas terminarem em mesma sonância no último verso tornou A Banda uma composição Lírica, sendo tal aspecto poético reforçado pelo fato do verso – Cantando coisas de amor – ter sido o último em cada uma delas.

Quanto à Métrica dos versos, a predominância dos Redondilhas Maiores só dá continuidade à idéia da busca do Popular, vista nas Rimas, já que tais versos são os mais populares na Poesia Brasileira.

Houve também uma grande presença de Versos Bárbaros, cuja regra básica exigiria simples acentuação na sétima sílaba, porém, dando a eles a cadência 2-4-6-8-11-14; Chico conseguiu uma interessante e agradável sequência de quatro Pés Jambos seguidos de dois Anapestos, todos em Timbre Agudo, tornando tais versos limítrofes entre a Poesia e a Prosa, o que ocorre nas catorze sílabas poéticas.

O terceiro verso da segunda estrofe, que insinou fazer parte do grupo Bárbaro, fê-lo somente em estética de estrofe, pois Chico usou um Cavalgamento sintático do verso posterior para o anterior, cuja contagem silábica, obrigatoriamene iniciada na primeira sílaba da parte cavalgada, deu a ambos os versos as mesmas onze sílabas dos seus correspondentes na idêntica terceira estrofe.

O Cavalgamento é um Recurso Poético de alto risco, pois ao menor descuido do poeta o poema ganha um verso Manco, pela série de exigências métricas e rítmicas que cercam o seu uso, sendo a principal delas a necessidade de uma pausa interior, de um tempo rítmico poético, antes da primeira sílaba do fragmento sintático cavalgado para o verso anterior:

A namorada que contava-as estrelas /pausa/ Parou
para ver, ouvir e dar passagem

Ainda por cima, Chico brinca com o assunto da Pausa, usando o significado do termo Parou

Como já foi visto nas análises de composições anteriores, Chico usa brincar, consigo mesmo, enquanto constrói o poema a ser alojado na melodia e se tornar composição musical. Vejam o que ele fez com o sexto verso da composição.

Interrompeu a uma sequência de cinco Redondilhas Maiores e enfiou no meio deles um verso com seis sílabas.  Manteve o Ritmo Poético, mas perdeu a Regularidade Métrica da estrofe.

Basta reparar na última estrofe para perceber como ficaria a Regularidade da primeira se ele não tivesse cismado de colocar o Sexto verso com Seis sílabas

Apesar da alta nobreza conseguida pelo poeta que o utiliza, o Cavalgamento não deve ser feito muitas vezes num só poema, porque, curiosamente, costuma torná-lo desagradável ao ouvido.

Usarei este espaço de Análise Poética para um assunto, mais literário, que envolveu o jovem poeta de vinte e dois anos, que era ele na época em que escreveu A Banda, e dois outros, já mais velhos, renomados poetas da Literatura Brasileira.

Antes de Chico surgir no cenário artístico nacional com Sonho De Um Carnaval, em 1965, já presenciara, desde a infância, outros renomados poetas que usavam visitar seu pai, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda.

Os mais frequentes eram Vinícius de Moraes e Manuel Bandeira. Por ter atingido à maturidade poética bem depois do Bandeira, Vinícius era mais contemporâneo, pois já enveredara pela MPB na década de quarenta.

Ao contrário dele, Bandeira se mantivera fiel aos conceitos Modernistas do Verso Livre sacramentados na Semana Literária de 1922, também conhecida pelo nome de Semana de Arte Moderna de 22; que determinou aos poetas certas regras tais como:

1- A não utilização da Rima nas construções poéticas.

2- A proibição de uso  do Enjambement, importado da Poesia Francesa e rebatizado por aqui com o nome de Cavalgamento.

Argumentaram na época, que por ter vindo de uma outra realidade gramatical, embora também latina, o Cavalgamento não atendia às nossas necessidades poéticas, quer em beleza poética, quer em correção gramatical.

Quando Chico escreveu A Banda, com todo um jogo contrastante de Rimas Vulgares nos finas de versos e de grande quilate nos interiores dos mesmos, já fora contra a primeira regra dos Modernistas de 22.

Ao usar com grande êxito o recurso Cavalgamento foi de encontro à segunda regra do mesmo movimento literário, ao qual Bandeira ainda pertencia orgulhosamente.

Pelas regras do “Velho Poeta”, a composição do Chico tinha todos os ingredientes para não ser bem sucedida. Só que ocorreu o inverso, com um sucesso bastante a rotulá-lo como Unanimidade Nacional.

Chico não era mais um jovem poeta aprendiz, mas representava  um movimento literário amordaçado pelo Modernismo de 1922: O Parnasianismo Brasileiro, que permitia, inclusive, liberdade ao poeta para fazer o que Chico fez em A Banda com tamanho sucesso.

Era apenas uma luta de um poeta velho, insatisfeito com o sucesso alcançado por um poeta novo, que encontrou num Movimento Avô as soluções que o Movimento Pai não fôra capaz de encontrar ao amordaçá-lo. Exatamente o que o Modernismo de 22 fez com o Parnasianismo Brasileiro.

Foi a partir dessa cobrança, do Bandeira pra cima do Chico, que a peça Roda Viva começou a ser construída, portanto, A Banda, também, foi responsável direta pelo nascimento de outra obra bem sucedida.

Correndo por fora da Questão Literária particular, na mesma época um outro modernista, Carlos Drummond de Andrade, escreveu uma crônica onde enxergava com bons olhos o nascimento da nova tendência poética A Banda, mostrando mais uma vez que o verso só é Livre quando o poeta também é.

Drummond era mais o Verso Próprio do que um movimento que o justificasse. Bandeira o inverso.

Achei errado algumas atitudes da assessoria do Chico em relação a esse episódio, contado na peça Roda Viva, num poema sobre o Velho Poeta, que buscou preservar a imagem do Manuel Bandeira, mesmo após a deflagrada tentativa de colocar mordaça no Chico, com a cobrança do súbito sucesso da Banda.

Essa “preservação” de imagem literária ocorreu no Manuscrito A Banda, em cuja introdução Chico diz:

“Correndo atrás da poesia, espero pelos meus 25 anos. Creio porém que por hoje, as “incovenências da aurora” são superadas nos versos do samba, pela espontaneidade da linguagem popular, que não tem idade…”.

O Manuscrito deve ter sido bem original mesmo, caso contrário o erro de Português, destacado em vermelho, não teria ido adiante em edição, mas penso que o texto seja bem claro, com relação ao que venho tratando.

As “inconveniências da aurora” nada mais foram do que uma justificativa a um “entardecer temeroso” , pelas naturais Trevas Posteriores, tentando levar consigo  uma Luz que se anunciava Nova, justamente por buscar a uma Linguagem Popular…

Partindo de dados oficiais temos: Chico nasceu em 1944. A Banda concorreu no Festival da Canção de 1966, logo, Chico estaria esperando, quando muito, pelos seus 23 anos.

- Por qual motivo estaria ele esperando pelos seus 25 anos em 1966?

Esse tipo de atitude das assessorias é que entorta o curso verídico da História, tornando a Óbvia Verdade refém de interesses comerciais, e carente de Investigação para ser reconhecida oficialmente.

Um dos motivos que me levam a tentar a Biografia da Obra do Chico, e não a do Artista Francisco, é esse tipo de permissão, dada pelo segundo, para que o trabalho do primeiro sofra toda essa sorte de “conveniências de aurora” que o cercam e amordaçam.

Cabe sempre o seguinte fragmento de A Missão do Artista:

“Até que então, porque o Atavismo manteve acesa a labareda do desejo de dizer, nasceu um homem para falar. E falou. Viu-se então que toda a sua necessidade era a de exprimir-se de qualquer jeito mais à mão. Ele tinha certas coisas para as quais necessitava encontrar certas palavras, certas frases, certos ritmos. Criou muito, é verdade, mas plasmando o material encontrado e querendo, antes de tudo, ser entendido. Entendido por todos. Até pelas pedras.

Esse é o Artista. Ele não veio para impor um idioma, mas para criar um estilo e expor uma interpretação do mundo” .

Os 34 versos da composição foram nestes tipos:

Heróico Quebrado Agudo – 1

Redondilhas Maiores Agudos – 18

Redondilhas Maiores Graves – 1

Heróicos Agudos – 2

Hendecassílabos Graves – 4

Bárbaros Agudos – 8

 

        a

Comentário (1) »

Chico, a Viúva e as Partituras-Conto

    a

Estávamos em Março de 1964. Chico, com 19 anos resolveu ir encontrar os amigos num local em que costumavam se ver em Sampa: Esquina das ruas Maria Antônia e Dr. Vila Nova.

Ao chegar por lá observou uma confusão numa casa vizinha à Sapataria do Pepe, com caminhão do exército e tudo. Várias vezes ele tinha parado em frente a ela curioso, por causa de alguns solos de violão vindos do seu interior, porém, nunca se propusera a desvendar o enigma que tanto o cativava.

Havia cinco soldados do exército, uma viúva e três amigos dele a conversar em alto e bom tom.

O finado marido violonista morrera pisoteado numa greve e os soldados estavam lá para comunicar à viúva o falecimento do instrumentista. A viúva, atendendo a um velho desejo do marido, lia a uma espécie de Testamento dele que regia:

-Imediatamente após a minha morte, todas as minhas Partituras de Melodias Inéditas deverão ser entregues aos três primeiros violonistas que se aproximarem, com as seguintes condições:

1 – O primeiro violonista que se aproximar deverá receber, do total das partituras, o mesmo que o som de três cordas representam para o meu violão.

2 – Ao segundo violonista caberá uma quantidade de partituras proporcional aos sons emitidos por duas cordas do mesmo violão.

3 – Por fim, ao terceiro violonista caberá, do total das partituras, o equivalente ao som de duas cordas, do mesmo violão, num total dos sons emitidos por três violões.

A confusão causada pelo Testamento do Violonista era evidente entre a viúva, os violonistas e também os soldados, curiosos pelo desfecho do episódio. Foi quando o Chico pediu licença e interviu:

- O som de três cordas é meio violão. O das duas cordas dele é o mesmo que um dos três violões de vocês. O som das duas cordas de um dos três violões de vocês é o mesmo que um terço de terço, logo: Metade, um terço e um nono!

Determinadas as parcelas da partilha das partituras, Chico perguntou à viúva:

- Quantas são as partituras, minha interessante senhora?

- Setenta e uma! Disse ela.

Nova confusão ficou estabelecida, pois metade das setenta e uma partituras seria trinta e cinco partituras e meia. Um terço delas seria vinte e três partituras e meia mais um Refrão. Um nono das setenta e uma partituras seria sete inteiras, meia partitura, um Refrão e mais uma Quadra.

Chico interviu novamente:

- Tirei ontem à noite num bar esta música inédita, que escrevi neste guardanapo. Não está tão bem escrita quanto nessas partituras, meio amassada e cheirando a cachaça, mas também é inédita e acho que se eu der ela a vocês todos ficaremos felizes!

Ficaram todos sem entender qual era a do Chico, dando uma música inédita de presente para resolver um problema alheio. Tá certo que ele vivia bêbado, mas àquela hora da manhã?

Em seguida, Chico pegou o bloco de partituras, embrulhou num jornal e disse aos amigos:

- Temos agora setenta e duas canções a serem divididas entre vocês três!

- O primeiro, que iria receber trinta e cinco, mais meia partitura, irá receber trinta e seis. Aceita?

- Claro! Respondeu o primeiro.

- Você, segundo, que iria receber vinte e três partituras e meia, mais um Refrão, ficará com vinte e quatro. Ficou bom assim?

- Ótimo! Respondeu o segundo.

- O terceiro, que iria receber sete partituras e meia, mais um Refrão e uma Quadra, irá ganhar oito. Topa isso?

- Claro que topo, Meu Herói! Exclamou o terceiro.

Chico abriu o embrulho de jornal, deu a cada amigo o número de partituras que lhe cabia, fechou rapidinho o embrulho, colocou debaixo do braço e foi embora feliz assobiando um samba antigo.

Os amigos pasmaram com aquela aparente idiotice dele:

- É nisso que dá beber logo cedo. Perde uma música e ainda vai embora feliz!

Nenhum deles percebera que não tinha recebido a música do Chico, escrita num guardanapo amassado. O que teria acontecido naquele episódio ocorrido em Março de 1964?

Chico acabara de ganhar algumas melodias para sonhar com um LP completo, pois todos ficaram tão satisfeitos com as proporções lógicas apresentadas por ele, que não se deram ao trabalho de Somar às quantidades de cada um dos três herdeiros: 36 + 24 + 8 = 68.

Além de ficar com a que tinha escrito, Chico saiu com mais três melodias inéditas no lucro. Esse foi o motivo dele ter fechado rapidamente o embrulho de jornal e saido logo em seguida desbaratinando ao som de um samba antigo assobiado:

…Um pescador me confirmou

Que um passarinho lhe cantou…

Chico não costuma falar sobre as coisas que fez naquele período da vida, mas tem um senhor, chamado João, que vive andando lá pelos arredores da Consolação em Sampa…

     a

Nenhum comentário »

Poesia Dos Números

Dentre as artes resultadas pelo Homem, poemas podem ser escritos de várias formas para traduzir à sua Inspiração, que deve morar em algum local entre o Coração e o Cérebro, mas é interessante a forma como outros caracteres, apenas parentes dos alfabéticos, se agrupam e resultam em outras linguagens poéticas pelo mesmo Homem Artista.

Números também usam dançar as coreografias  próprias, só que providos de outros elementos métricos nos Pés de Verso, os mágicos Algarismos do ”poeta”  árabe Al Karishmi.

O que vem a seguir está muito mais para um Poeta, em comunicação com a sua Mãe Arte, do que para um Calculista em comunicação com os Deuses do Comércio, mesmo porque, para o que mais serviria essa esplendorosa construção senão para atingir à alma da Arte presente em cada um de nós? Quem seria capaz de construir algo assim sem Sonhar?

         

1 x 8 + 1 = 9                                                            
12 x 8 + 2 = 98                                                       
123 x 8 + 3 = 987                                                   
1234 x 8 + 4 = 9876                                             
12345 x 8 + 5 = 98765                                         
123456 x 8 + 6 = 987654                                    
1234567 x 8 + 7 = 9876543                                
12345678 x 8 + 8 = 98765432                           
123456789 x 8 + 9 = 987654321                      

1 x 9 + 2 = 11                                                           
12 x 9 + 3 = 111                                                       
123 x 9 + 4 = 1111                                                   
1234 x 9 + 5 = 11111                                             
12345 x 9 + 6 = 111111                                         
123456 x 9 + 7 = 1111111                                      
1234567 x 9 + 8 = 11111111                                 
12345678 x 9 + 9 = 111111111                             
123456789 x 9 +10 = 1111111111                       

9 x 9 + 7 = 88                                                           
98 x 9 + 6 = 888                                                       
987 x 9 + 5 = 8888                                                   
9876 x 9 + 4 = 88888                                             
98765 x 9 + 3 = 888888                                         

987654 x 9 + 2 = 8888888                                    
9876543 x 9 + 1 = 88888888                                
98765432 x 9 + 0 = 888888888                            

1 x 1 = 1                                                                        
11 x 11 = 121                                                                
111 x 111 = 12321                                                      
1111 x 1111 = 1234321                                              
11111 x 11111 = 123454321                                      
111111 x 111111 = 12345654321                            
1111111 x 1111111 = 1234567654321                    
11111111 x 11111111 = 123456787654321           
111111111 x 111111111 = 12345678987654321   

É impressionante o poder das Estrofes Oitavas. Por mais que o poeta, em poemas de qualquer natureza, tente fugir do algarismo 8, não consegue. Basta olhar qual dessas quatro estrofes foi a única Oitava.

É um exemplo do tanto que temos a aprender sobre o real significado do termo Poesia.

     a

Nenhum comentário »