Archive for junho, 2008

Verso Trissílabo (exemplos)

            
O Verso Trissílabo é aquele que possui três (Tri) sílabas. Combinam bem 
com Heróicos Quebrados (6 sílabas). Exemplos:
 
Sei / que / sou - 3
Um / a / man / te / do / ver / so  3-6
Com / a-his / / ria-e-o / in / cer / to  3-6
Que / res / tou - 3
 
Es / tu / dar - 3
O-em / bri / ão / da / poe /si / a  3-6
E / da / fi / lo / so / fi / a  3-6
Do / meu / lar - 3
E / as / sim - 3
Que / se-es / pa / lha-a / se / men / te  3-6
Pa / ra / to / da-es / sa / gen / te  3-6
Vis / ta-em / mim - 3
 
 

Os Versos Trissílabos podem combinar também com os Redondilhas Maiores (7 sílabas). Como tanto os Heróicos Quebrados, quanto os Redondilhas Maiores combinam com os Decassílabos (10 sílabas), muitas vezes os Trissílabos também aparecem nos poemas que os apresentem acentuados internamente nas sextas ou sétimas sílabas respectivamente:

Po / de / ser  - 3
Que / se / der / mos / ao / mo / men / to  3-5-7
A / ra / zão / de-um / bre / ve / tem / po  3-5-7
Que / de / fa / to / e / le / é  - 3
 
Ou / tal / vez  - 3
Nos / ca / mi / nhos / in / cer / tos / de / nós / dois    3-6-8-10
Nos / des / ti / nos / re / ver / sos / do / de / pois    3-6-8-10
Dei / xe / am / bos / sem / ri / t / mo / no / pé   3-6-8-10
  

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Verso Tetrassílabo (exemplos)

           
O Verso Tetrassílabo é o que apresenta quatro (tetra) sílabas, também chamado
Quebrado de Redondilha Maior. Exemplos:
 
Meu / co / ra / ção
Não / sei /  por / que
Ba / te / fe / liz
Quan / do / te / vê
(Carinhoso – Pixinguinha e João de Barro)
 
                

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Roda Viva – O Divisor Das Flores

 

Anterior – > http://mpbsapiens.com/roda-viva-a-peca-parte-4/

                    
…No milagre desmascarado
E, no entanto
Ainda quis me defender
Ainda me expliquei
Não fui eu que comecei
Não fui eu que me inventei
Mas aí a festa me chamou
E eu aceitei
O rei me convidou
E eu dei-lhe a mão…

Se me pedissem para resumir em poucas palavras a peça Roda Viva, esse trecho  retirado da declamação de Ben Silver ao amigo Mané bastaria, pois todo o restante dela foi feito para explicar a essa passagem.

Foi uma espécie de honesta auto-biografia do conjunto Chico – Francisco nos seus poucos 3 anos de carreira, e talvez esse seja o real motivo pelo qual a sua equipe de Anjos e Capetas insista em furtá-la de um melhor esclarecimento público até hoje.

Quando assisti à peça contava apenas com 16 anos. Como nessa idade se usa espernear feito criança, quando não tratado como adulto, valia tudo para protestar. Até aplaudir “Arremessos de Fígado” na platéia, como de fato ocorreu na peça.

Roda Viva teria todos os ingredientes necessários para que nós, jovens de então, recebêssemos uma lição histórica acerca dos meandros do Poder Invisível, que assolava e cercava o Visível dos Militares, através dos veículos de comunicação.

Infelizmente a direção da mesma, talvez propositalmente, acabou por transformá-la em algo semelhante a um programa contemporâneo do Chacrinha, em que oferecia e arremessava coisas no público: “- Vocês querem Bacalhau???”.

Imaginemos o que poderia estar se passando pela cabeça do jovem compositor de 24 anos, cujo pai era um famoso sociólogo, logo, ciente desses movimentos sociais, sentindo o seu talento literário disputado a tapas por dois “Reis”:

- Um europeu, com o trono perdido 10 anos antes, e um americano que lhe sucedera nessa absurda Dinastia Capitalista.

Ainda na sua infância artística, ao ser cobrado pelo “velho poeta” do súbito sucesso na carreira (A Banda), e, talvez, por desconhecer a parte da História à qual o próprio pai participara – Semana Literária de 1922 – Chico não tenha se dado conta de que ambos, o pai e o velho poeta, na tal Semana já podiam ter igualmente recebido os mesmos benefícios e estendido as mãos ao mesmo Rei, só que europeu.

A peça começou a ser escrita em 1967, quando Chico escreveu, e inscreveu, a composição Roda Viva. Acima de qualquer competição dos Festivais, pulsava uma reação honesta do artista a todas essas pressões da mídia, justificada por:

A gente vai contra “a corrente”
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a Roda Viva
E carrega a roseira pra lá 

Logo após esse festival, um dos Capetas de São Paulo começou a bagunçar os caminhos da MPB, pois tivemos nas 4 primeiras colocações Edu Lobo, Gilberto Gil, Chico e Caetano, respectivamente.

Esses quatro compositores poderiam, caso se unissem no propósito da Cultura Popular, fincar de vez as raízes históricas da Razão em nossa consciência artística, mas sendo jovens e entusiasmados com os próprios sucessos, se tornaram presas fáceis dos múltiplos tentáculos do “Polvo Capeta”.

Tínhamos em São Paulo dois Capetas: Um fiel aos interesses europeus, e outro representando à nova realeza americana.

Chico possuia, em atavismo e genética, maior proximidade dos europeus, no entanto estava, profissionalmente, sujeito à chefia americana.

Como se não bastasse esse jogo dos Bastidores do Poder extra militar, havia sido lançado no meio artístico por ninguém menos que Geraldo Vandré, na composição Sonho de Um Carnaval.

Ao escrever a peça, e praticamente assumir a identidade do Ben Silver, Chico acabou dando um mote a Vandré, que talvez por gozação, usou as flores finalizantes dela para escrever a composição “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, inscrita no Festival de 1968, cujo texto apresenta, em um dos fragmentos, a seguinte resposta a Chico:

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções*
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não

Obs.  * “Tijolo por tijolo num desenho lógico” seria uma parede erguida pelo Pedro Pedreiro na Construção, ou uma jovem Lira Poética tentando dizer algo?           

Vandré apenas deu um refresco a Chico, pois generalizou o ”assédio” da mídia a todos os artistas, mas não deixou também de alerta-los no trecho final da música:

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A História na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma “nova lição

Caberia a cada um dos colegas compositores entender o recado do Vandré e optar. 

Os articulistas concretistas do tal Capeta Americano conseguiram convencer Gil e Caetano a desenvolverem na MPB um movimento conhecido como Tropicalismo onde, segundo Caetano, tentavam até enfear às letras mas não conseguiam.

Edu Lobo resolveu estudar melhor as suas melodias e sumiu do mapa. Chico continuou na dele, se mandou para a Itália, mas bem incomodado com o fato de ter tentado abrir o jogo, os demais colegas terem fugido da ráia e ele ficado só na questão.

Suspeito até que a ida para a Itália, logo após a peça, já estivesse programada pela dupla Capeta-Anjo, européia, que no futuro o comandaria, antes mesmo da peça ser exibida.

A quantidade de “coincidências” dos caminhos do Ben Silver, que foi transformado no exportável Benedito Lampião, e o da sua esposa-irmã; com os fatos que cercaram os dias de Chico e Marieta Severo, nas imediatas fases pré e pós peça, apenas o sugerem bem possível.

Nos meus estudos preliminares, dessa fase da MPB, acreditava que Chico realmente havia sido mandado para fora do país e se consumado formalmente um Exílio no qual ele optara por passar na Itália.

Imaginava também que, curiosamente, antes mesmo de estar fora do Brasil, já compunha como um exilado, haja vista que algumas composições imediatas futuras possuem os textos com características de terem sido feitos por alguém fora do país. Retrato em Branco e Preto, por exemplo.

Essa fase chamei de Auto-Exílio-Interior. Tudo isso, somado ao que aconteceria com Sabiá, no mesmo Festival de 1968, acabou dando ao Chico uma idéia de Traição aos amigos, companheiros, ou mesmo ao povo brasileiro.

Sentimento esse que nos rendeu belíssimos resultados, frutos da sua consciência, dentre os quais destaco Calabar, O Elogio da Traição, aonde se projetou no personagem Sebastião Souto.

Não me furtarei a melhor explicar esses movimentos ocorridos nos Bastidores do Poder, pois a partir da peça Roda Viva a obra do Chico virou uma romântica e idealística Novela Literária.

Uma novela cheia de linguagens cifradas, nas quais enxerguei a divertidas batalhas entre o que ele, talvez, quisesse dizer e o que os jornais diziam ter Chico dito contra os militares.

 Mostrarei adiante o próprio Chico sendo mais claro ainda acerca do tema. Não percam a ousadia do Auto-Exilado, pois não foi mandado embora coisa alguma, logo, o que se afigurou como Tragédia Histórico-Literária, nada mais foi do que uma Bonita Comédia de Bastidores do Poder, visto que voltou da Itália bem acertadinho com a sua nova gravadora, a Phillips.

           

Próxima – > http://mpbsapiens.com/roda-viva-como-andava-a-mpb/

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Verso Alexandrino Francês

                   
O Alexandrino Francês é o verso dodecassílabo (12 sílabas) conhecido como
Alexandrino Clássico ou Alexandrino Romântico.
 
                  

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Roda Viva – A Peça – Parte 4

 

Anterior – > http://mpbsapiens.com/roda-viva-a-peca-parte-3/

                   

Em seguida, é cantada a música tema: Roda Viva.                  

Tem dias que gente se sente               
Como quem partiu ou morreu               
A gente estancou de repente                
Ou foi o mundo então que cresceu                
A gente quer ter voz ativa             
No nosso destino mandar
Mas eis que chega roda viva
E carrega o destino pra lá
                   
Refrão
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
                    
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega roda viva
E carrega a roseira pra lá
                    
Refrão
                    
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola pra lá
                    
Refrão
                 
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega roda viva
E carrega a saudade pra lá
                   
Refrão repetitivo e acelerando

Na cena seguinte Benedito começa a conversar com Mané sobre o que é feito de alguns amigos de outrora, dos quais destaco Rita, que casou, Dora, que morreu, mas renascerá em Gota D´Água (…que amava Dora que amava toda a quadrilha…), do partido comunista, que faliu, e por fim da Ana Maria, a Bahia, apelido de Ana Buarque.

A seguir o Capeta grita:

- Extra! Cachaça derruba Ben Silver!

No que Anjo desmente, apesar da manguaça do Benedito. Dá algum dinheiro pro Capeta, que também desmente. Anjo resolve então trocar o rótulo, Ben Silver, pelo do Nacionalista Benedito Lampião e decide exportá-lo para os USA.

Quando Capeta descobre que não está incluído nos planos de viagem sai com esta:

- Extra! Benedito Lampião trai seu povo! Depois de pregar a reforma agrária, vai receber dólares dos americanos! **

Anjo contrata um outro Capeta, concorrente do original, que louva:

- Fenomenal! Benedito Lampião vai cantar na Casa Branca!

No que o Capeta original revida:

- Extra! Benedito Lampião puxa o saco de Tio Sam!

Obs. Esse momento da peça, onde Anjo contrata um Capeta novo, sugere as primeiras tentativas das trocas de gravadoras  para os discos do Chico, o que viraria fato logo após a sua saida do Brasil.

** – Nesse trecho da peça, que tratava da própria carreira, sem perceber Chico acaba expondo a um pensamento seu nunca externado nas  composições anteriores: A Reforma Agrária, tratada subjetivamente só muitos anos adiante com a composição Assentamento.

Por fim, Anjo decide matar Benedito de uma vez e substituí-lo por Juliana, que cantará músicas em sua memória. Capeta brada:

- Extra! Benedito Lampião suicidou-se. Rei morto, Rainha posta! E pra Jujú, viúva do Rei, nada? Tudo…!

Capeta e Anjo fazem as pazes e cantam junto com demais personagens, que restaram vivos na peça, a seguinte composição:        

Para nós, no Universo
Só existe paz e amores
Nós só cantamos um verso
Que fala em flores, flores, flores
           
Há quem nos fale de guerra
Morte, miséria terrores
Quando nos falam de terra
Plantamos flores, flores, flores
Flores, flores
          
Quem não gostou desta peça
Saia daqui, diga horrores
Nos divertimos à beça
E tomem flores, flores, flores

Depois de algumas apresentações o teatro pegou fogo e a peça nunca mais foi apresentada, no entanto, no mesmo ano, 1968, Geraldo Vandré inscreveu num festival a composição “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, que mais tarde recebeu o nome de Caminhando. Nova luta estava começando.      

Após o incêndio casual, Chico e Marieta Severo foram para a Itália e o Real Capeta Nosso de Cada Dia nos brindou desta forma:

- Extra! O cantor Chico Buarque é exilado e vai para a Itália carregando junto a amante e atriz Marieta Severo!                     

                       

 

Próxima – > http://mpbsapiens.com/roda-viva-o-divisor-das-flores/
                     

 

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