O Hino de Duran, o Direito e a Obrigação

 

Comecei a ir à escola nos anos 50, com pouca idade, já que nasci no final de 
dezembro.
 
Lembro que, nos quatro primeiros anos, as professoras corrigiam os nossos 
desvios comportamentais, inicialmente, com uma bronca e, persistindo a falha, 
com a régua em duas posições, proporcionalmente à gravidade do desvio: 
 
De chapa, para os mais leves, ou de de quina, para os mais graves.
 
Se, ainda após a régua, o desvio persistisse, éramos levados à diretoria, que
mandava uma advertência escrita exigindo a presença dos pais na escola.
 
Normalmente, a coisa se resumia à bronca verbal, do diretor pra cima deles, 
seguida, em casa, por surra deles pra cima de nós. A cinta, por ser de eficiente
retorno, era a estratégia mais usada, pois surtia o efeito desejado na maioria.
 
Era assim que aprendíamos a frear às naturais individualidades, e tolerávamos
viver em uma sociedade fundamentada em Leis, que nos cercavam em vários
aspectos cotidianos, para que milhões de nós pudessem levar uma vida com
crescimento, velhice e morte.
 
Inicialmente, poucos discordavam disso, mas, com o passar dos anos, 
o número discordantes não parava de crescer e, munido de uma série de
estratégias racionais, transformou o conceito original do Direito, que resultava
da Obrigação não cumprida e, invertendo as posições do pensamento, fez
com que chegássemos à definição atual:
 
 - A Obrigação resulta do Direito não obedecido!
 
Mas para o que servem a Lei e a Polícia?
 
 Vídeo de gmpxeb
 
Se tu falas muitas palavras sutis
Se gostas de senhas, sussurros, ardís
A lei tem ouvidos pra te delatar
Nas pedras do teu próprio lar
 
Se trazes no bolso a contravenção
Muambas, baganas e nem um tostão
A lei te vigia, bandido infeliz
Com seus olhos de raios X (meretriz)
 
Se vives nas sombras frequentas porões
Se tramas assaltos ou revoluções
A lei te procura amanhã de manhã
Com seu faro de dobermam
 
E se definitivamente a sociedade
Só te tem desprezo e horror
E mesmo nas galeras és nocivo,
És um estorvo, és um tumor
A lei fecha o livro, te pregam na cruz
Depois chamam os urubus
 
Se pensas que burlas as normas penais
Insuflas agitas e gritas demais
A lei logo vai te abraçar infrator
Com seus braços de estivador
 
Se pensas que pensas
Estás redondamente enganado
E como já viste
Vem chegando aí o Dr. “Eiras” (de eiras e beiras)
E junto com o delegado pra te levar…
 
Excepcionalmente, hoje de manhã acompanhei na televisão a um noticiário, em
que vi, numa rodovia com passarela para pedestres, muitos deles cruzando a
estrada diretamente sobre as pistas, assim ignorando a uma série de riscos. Na
mesma cena, vi também um motoqueiro cruzando a rodovia usando a 
imprópria passarela, também ignorando a outros riscos. Ambos com uma
inversão dos valores semelhante à ocorrida com os significados de Direito e
Obrigação vistos lá no começo.
 
Aonde começam, ou terminam, os Direitos Humanos?
 
No cumprimento ou no não cumprimento de leis que, castrando à nossa 
natureza individualista logo na infância, deveriam servir para que tivéssemos 
um posterior ajuste em forma de sociedade?
 
Com palavras bem encaixadas, podemos dar a um texto o que melhor
acharmos, mas até onde vai a nossa Liberdade de Expressão quando a
usamos de forma inconsequente?
 
Será que o uso da Régua era tão errado assim, já que estamos prestes a
tornar o simples beliscão num grave delito social?
 
Se tu falas muitas palavras sutis
Se gostas de senhas, sussurros, ardís
A lei tem ouvidos pra te delatar
Nas pedras do teu próprio lar
 
Se pensas que pensas
Estás redondamente enganado
E como já viste
Vem chegando aí o Dr. “Eiras” (de eiras e beiras)
E junto com o delegado pra te levar…
 

     a

Nenhum comentário »

Chico e a Palavra

 

Palavra boa
Não de fazer literatura, palavra!
Mas de habitar
Fundo
O coração do pensamento, palavra!

 

Uma das coisas que mais me fascinam, no estudo da obra do Chico na MPB, é o compromisso que ele tem com o significado da palavra usada.

Embora sejam raríssimas as ocasiões em que tenha fugido um pouco da responsabilidade gramatical, como o ocorrido em Sem Fantasia e Tatuagem, quando misturou conjugações em Terceira e Segunda Pessoa do Singular, Chico sempre buscou fidelidade integral, ou “entregal” à Etmologia.

Tendo já um texto original, talvez, acima dos fundamentos da construção poética, na hora de lapidar a gema com rimas, ritmos e metragens, sempre busca palavras, preferencialmente populares, pertencentes aos já consagrados históricos dos textos desenvolvidos.

Vejam o zelo com que ele tratou, na obra inteira, o termo Coitada, no feminino. Por originar de Coito, o uso do termo implica em muito mais responsabilidade do que normalmente temos ao utilizá-lo como sinônimo de infeliz, principalmente, se usado no masculino.

Pode haver até uma possibilidade, mínima, de eu estar enganado, mas tal termo só foi usado por ele em quatro ocasiões:

No Masculino, só em uma, em O Malandro nº 2:

O coitado
Foi encontrado
Mais furado
Que Jesus…

Chamo a atenção para a fidelidade etmológica dos elementos da rima Coitado-Furado. Por maior que seja a baixaria imaginável, o texto apresentou continuidade bem objetiva.

No Feminino, em três músicas:

Umas e Outras:

Mas toda santa madrugada
Quando Uma já sonhou com Deus
E a Outra triste namorada
Coitada já deitou com os seus…

No texto da música, Uma é quase angelical e Outra é prostituta

Geni e o Zepelim:

Mas de fato logo ela
Tão coitada, tão singela…

No texto da música, Geni “deu-se assim desde menina”.

A Rosa:

E chega nas altas da madrugada
Coitada, trabalha de plantonista…

Neste caso chamo a atenção para a complicidade textual dos termos Coitada e Plantonista. Não deixa de ser uma qualidade das prostitutas fazer plantão tanto em bordel quanto em ruas e avenidas.

Na música, Com Açucar, Com Afeto, em que a mulher fala das andanças do homem no cotidiano fora de casa, ressalto o fragmento:

Vem a noite, mais um copo
Sei que alegre “ma non troppo”
Você vai querer cantar…

A expressão Allegro Ma Non Troppo, na teoria da Música, designa a um Andamento Musical, que significa um Allegro (outro tipo de Andamento) menos veloz. 

Além de lançar mão de um trocadilho, ao transformar o musical Allegro no popular Alegre, o significado da expressão musical italiana está intimamente ligado à ação do personagem da música, que, já à noite, tenta ”moderar” a velocidade da farra para não voltar logo para casa.

Outro caso interessante ocorre na música A Ciranda da Bailarina:

Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina…

Muitas outras formas de gerúndio poderiam ocupar o lugar de “Confessando”, mas o cotidiano religioso do catolicismo não admitiria a troca, pois o “Confessionário”, além de ser normalmente evitado pela maioria dos fiéis, que é pecadora, para a criança, que é quem canta a música, trata-se de uma verdadeira sessão de tortura.

Quando Chico escolhe as palavras que usará nas letras das músicas, o faz com o incomparável zelo que o difere da maioria dos compositores da MPB, portanto, Caetano Veloso se enganou ao escrever, em sua homenagem, a música Festa Imodesta, que diz:

E acima da Razão a Rima…

A coisa não é bem assim!

 

 

 

Comentários (4) »

IF – Rudyard Kipling & The Cup

 

O norte-americano Dempsey chuta de longe e Green não segura
 

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or, being lied about, don’t deal in lies,
Or, being hated, don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise;

If you can dream – and not make dreams your master;
If you can think – and not make thoughts your aim;
If you can meet with triumph and disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to broken,
And stoop and build ‘em up with wornout tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: “Hold on”;

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings – nor lose the common touch;
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run -
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And – which is more – you’ll be a Man my son!

Tradução de Guilherme de Almeida – SE

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar –sem que a isso só te atires,
De sonhar –sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”;

 

Of an old English for an English contemporary:
- The world is one Poetical Jabulani!
Ou:

De um inglês antigo para um inglês contemporâneo:

- O mundo é uma Jabulani Poética!

  

       .

Comentários (2) »

Ritmos Eneassílabos

Anterior – > http://mpbsapiens.com/ritmos/
Ritmos Eneassílabos – Possuindo como ritmo mais famoso o 3-6-9, cujo
nome é Gregoriano Anapesto, as nove sílabas permitem vinte e três 
possibilidades rítmicas distintas: 
 
Ritmo 1-3-5-7-9
       Eu não sei o que fazer pra ser
Eu / não / sei / o / que / fa / zer / pra / ser – verso finalizado em palavra oxítona,
com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Só um professor do verso pleno
/ um / pro / fes / sor / do / ver / so / ple / no – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Mais real do que um sonho esplêndido
Mais / re / al / do / que / um / so / nho-es / plên / di / do – verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 3-6-9
       O meu símbolo manso da paz
O / meu / sím / bo / lo / man / so / da / paz – verso finalizado em palavra 
oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       No meu sino que tange esperança
No / meu / si / no / que / tan / ge-es / pe / ran / ça – verso finalizado em 
palavra paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Um bom hino se faz anapéstico
Um / bom / hi / no / se / faz / a / na / pés / ti / co – verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-3-6-9
       Pois a sua cadência nos traz
Pois / a / su / a / ca / dên / cia / nos / traz -  verso finalizado em palavra 
oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Duas sílabas átonas antes
Du / as / / la / bas / á / to / nas / an / tes – verso finalizado em palavra 
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Entre todas as sílabas tônicas
En / tre / to / das / as / / la / bas / / ni / cas – verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-4-6-9
       Quando me sinto perto do fim
Quan / do / me / sin / to / per / to / do / fim – verso finalizado em palavra 
oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Sempre me lembro assim do passado
Sem / pre / me / lem / bro-as / sim / do / pas / sa / do – verso finalizado em
palavra paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Rebobinado em forma de música
Re / bo / bi / na / do-em / for / ma / de / / si / ca – verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-4-7-9
       Por mais que eu tente aumentar a luz
Por / mais / que-eu / ten / te-au / men / tar / a / luz – verso finalizado em 
palavra oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Argumentando num verso simples
Ar / gu / men / tan / do / num / ver / so / sim / ples - verso finalizado em
palavra paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Todas as luzes são mais alquímicas
To / das / as / lu / zes / são / mais / al / quí / mi / cas – verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-4-6-9
       Nem sei se posso ter essa luz
Nem / sei / se / pos / so / ter / es / sa / luz – verso finalizado em palavra
oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Do que já nasce bem luminoso
Do / que / já / nas / ce / bem / lu / mi / no / so – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       E tenha a própria luz sempre fúlgida
E / te / nha-a / pró / pria / luz / sem / pre / fúl / gi / da – verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-4-7-9
       A vida nasce da luz do sol
A / vi / da / nas / ce / da / luz / do / sol -  verso finalizado em palavra oxítona,
com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Depois se torna talvez mais solta
De / pois / se / tor / na / tal / vez / mais / sol / ta – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Na proporção em que mudam óticas
Na / pro / por / ção / em / que / mu / dam / ó / ti / cas – verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-5-7-9
       Porque nós crescemos feito pão
Por / que / nós / cres / ce / mos / fei / to-o / pão – verso finalizado em palavra
oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Que nasce do grão pequeno em trigo
Que / nas / ce / do / grão / pe / que / no-em / tri / go – verso finalizado em 
palavra paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       E mata a uma fome do homem bípede
E / ma / ta-a-u / ma / fo / me / do-ho / mem / / pe / de – verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-3-5-7-9
       Chorei triste e fundo por estar
Cho / rei / tris / te-e fun / do / por / es / tar – verso finalizado em palavra
oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Com dor forte em coração partido
Com / dor / for / te-em / co / ra / ção / par / ti / do – verso finalizado em 
palavra paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Nas mil formas vis das minhas lástimas
Nas / mil / for / mas / vis / das / mi / nhas / lás / ti mas – verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-3-6-9
       Busquei ter um suave calor
Bus / quei / ter / um / su / a / ve / ca / lor – verso finalizado em palavra oxítona,
com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Porém tive mais frio do que antes
Po / rém / ti / ve / mais / frio / do / que / an / tes – verso finalizado em 
palavra paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Após tempo de múltiplas páginas
A / pós / tem / po / de / múl / ti / plas / / gi / nas – verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-4-5-7-9
       Compreendi bem aquela dor
Com / pre / en / di / bem / a / que / la / dor – verso finalizado em palavra 
oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Que molestou forte o pobre peito
Que / mo / les / toufor / te-o / po / bre / pei / to – verso finalizado em 
palavra paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       E absorvi, tolo, às minhas lágrimas
E-a / b(i) / sor / vi / to / lo-às / mi / nhas / / gri / mas – verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-4-5-7-9
       Não sei com quem posso mais contar
Não / sei / com / quem / pos / so / mais / con / tar – verso finalizado em 
palavra oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Talvez c´o algum novo e doce Metro
Tal / vez / c´o-al / gum / no / vo-e / do / ce / Me / tro – verso finalizado em 
palavra paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       De amor, de véu vão, saudável, lépido
De-a / mor / de / véu / vão / sau / / vel / / pi / do – verso finalizado em 
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-3-5-6-9
       Comparando amor morto a um fel
Com / pa / ran / do-a / mor / mor / to-a / um / fel – verso finalizado em 
palavra oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       E a sua dor viva ao amargo
E / a / su / a / dor / vi / va-ao / a / mar / go – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       É normal sentir medo no espírito
É / nor / mal / sen / tir / me / do / no-es / / ri / to -  verso finalizado em 
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-5-6-9
       Porque essa dor pode voltar
Por / que / es / sa / dor / po / de / vol tar – verso finalizado em palavra
oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Ainda maior, toda presente
A / in / da / ma / ior / to / da / pre / sen / te – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       No fim de um pezar grande e incômodo
No / fim / de-um / pe / zar / gran / de-e / in / / mo / do – verso finalizado em 
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 3-6-7-9
       Poderia dizer não à dor
Po / de / ri / a / di / zer / não / à / dor – verso finalizado em palavra oxítona,
com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Fingiria dizer sim ao mundo
Fin / gi / ri / a / di / zer / sim / ao / mun / do – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Vagabundo, feliz, falso e estúpido
Va / ga / bun / do / fe / liz / fal / so-e-es / / pi / do -  verso finalizado em 
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-3-6-7-9
       Mas não sou de amargar dor menor
Mas / não / sou / de-a / mar / gar / dor / me / nor – verso finalizado em palavra
oxítona, com a pausa terminal colocada em tempo rítmico.
       Concordando em sofrer cada gota
Con / cor / dan / do-em / so / frer / ca / da / go / ta – verso finalizado em 
palavra paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       De uma lágrima assim, só poética
De-u / ma /  / gri / ma-as / sim / po / é / ti /ca - verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-4-6-7-9
       Posso dizer que estou bem enfim
Pos / so / di / zer / que-es / tou / bem / en / fim - verso finalizado em palavra
oxítona, com a pausa terminal colocada em tempo rítmico.
       Mesmo fingindo a dor doce e falsa
Mes / mo / fin / gin / do-a / dor / do / ce-e / fal / sa – verso finalizado em 
palavra paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Como se fosse até rosa cálida
Co / mo / se / fos / se-a / / ro / sa / / li / da – verso finalizado em palavra
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-4-6-8-9
       É certo ser assim servil só?
É / cer / to / ser / as / sim / ser / vil / só? – verso finalizado em palavra
oxítona, com a pausa terminal colocada em tempo rítmico.
      É certo ser algoz ou vil, torpe?
É / cer / to / ser / al / goz / ou / viltor / pe? – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       É certo ser, talvez, normal cínico?
É / cer / to / ser / tal / vez / nor / mal / / ni / co? – verso finalizado em 
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-5-8-9
       Além de entender uma flor sã
A / lém / de-en / ten / der / u / ma / flor / – verso finalizado em palavra
oxítona, com a pausa terminal colocada em tempo rítmico.
       Também quero ter outra flor falsa
Tam / bém / que / ro / ter / ou / tra / flor / fal / sa – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Porém cada qual no local único
Po / rém / ca / da / qual / no / lo / cal / ú / ni / co – verso finalizado em palavra
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-3-5-8-9
       Sei agora o tanto do meu mal
Sei / a / go / ra-o / tan / to / do / meumal – verso finalizado em palavra
oxítona, com a pausa terminal colocada em tempo rítmico.
       Pois fui eu que errei nesse mal feito
Pois / fui / eu / que-er / rei / nes / se / mal / fei / to – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       No meu jeito fútil de errar náufrago
No / meu / jei / to / / til / de-er / rarnáu / fra / go – verso finalizado em 
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-4-6-8-9
       Sinto bem mais embora sem ver
Sin / to / bem / mais / em / bo / ra / sem/ ver – verso finalizado em 
palavra oxítona, com a pausa terminal colocada em tempo rítmico.
       Toda a aflição em seu sofrer mudo
To / da-a / fli / ção / em / seu / so / frer / mu / do – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Prantos além da conta e não ávidos
Pran / tos / a / lém / da / con / ta-e / não / á / vi / dos – verso finalizado em 
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 3-6-8-9
       Se vertendo no instante após não
Se / ver / ten / do / no-ins / tan / te-a / pós / não – verso finalizado em palavra 
oxítona, com a pausa terminal colocada em tempo rítmico.
       Comovendo ao incerto sim certo
Co / mo / ven / do-ao / in / cer / to / sim / cer / to -  verso finalizado em 
palavra paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
       De um peito desfeito em mil lágrimas
De / um / pei / to / des / fei / to-em / mil / / gri / mas – verso finalizado em 
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-3-6-8-9
       Não se deve acabar assim, não
Não / se / de / ve-a / ca / bar / as / sim / não – verso finalizado em palavra
oxítona, com a pausa terminal colocada em tempo rítmico.
       Ao que então começou até nobre
Ao / que-en / tão / co me / çou / a / / no / bre – verso finalizado em 
palavra paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Pra depois terminar num fim pálido
Pra / de / pois / ter / mi / nar / num / fim / / li / do -  verso finalizado em 
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
 Próxima – > http://mpbsapiens.com/decassilabos/

a

Nenhum comentário »

Ritmos Octossílabos

 

 

  

Anterior – > http://mpbsapiens.com/ritmos/
 
Ritmos Octossílabos – Alguns ritmos dos octossílabos, com tonicidade na 
quarta sílaba, recebem o nome de Sáfico Quebrado, mas tal nome não se 
estende às demais possibilidades rítmicas, que são catorze no total. 
 
Ritmo 2-4-6-8
        Ganhei até a minha vez
Ga / nhei / a / / a / mi / nha / vez – verso finalizado em palavra oxítona, com
a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
        De ter também mais uma chance
De / ter / tam / bém / mais / u / ma / chan / ce – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       A chance que pedi nas súplicas
A / chan / ce / que / pe / di / nas / / pli / cas – verso finalizado em palavra
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-5-8
       Também poderia ganhar
Tam / bém / po / de / ri / a / ga / nhar – verso finalizado em palavra oxítona, 
com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
      Talvez essa chance segunda 
Tal / vez / es / sa / chan / ce / se / gun /da – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Depois de estar mais lúcido
De / pois / de / es / tar / bem / mais / / ci / do – verso finalizado em palavra
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
      
Ritmo 1-3-6-8
      Sendo mais paciente enfim
Sen / do / mais / pa / ci / en / te-en / fim – verso finalizado em palavra oxítona,
com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Com o próprio cantar do servo
Com / o / pró / prio / can / tar / do / ser / vo – verso finalizado em palavra
       No seu verso até mais ínfimo
No / seu / ver / so / a  / / mais / ín / fi / mo – verso finalizado em palavra 
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-4-6-8
       Comprometi o verso meu
Com / pro / me / ti / o / ver / so / meu – verso finalizado em palavra oxítona, 
com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Sem perceber que era tudo
Sem / per / ce / ber / que / e / ra / tu / do – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Mais que sisudo e meio fúnebre
Mais / que / si / su / do-e / me / io / / ne / bre – verso finalizado em palavra
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-3-5-8
       Tento em vão assim apagar
Ten / to-em / vão / as / sim / a / pa / gar – verso finalizado em palavra oxítona, 
com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Marcas tristes desse passado
Mar / cas / tris / tes / des / se / pas / sa / do – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Sério, infindo-ou breve e bem frívolo
/ rio-in / fin / do-ou / bre / ve-e / bem / frí / vo / lo – verso finalizado em palavra
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-4-5-8
      Numa emoção limpa em seu dom
Nu / ma-e / mo / ção / lim / pa-em / seu / dom – verso finalizado em palavra 
oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
      Pronto a fazer rir à mais triste 
Pron / to-a / fa / zer / rir / à / mais / tris / te – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Cena até vê-la mais nítida
Ce / na / a / / vê- / la / mais / / ti / da – verso finalizado em palavra
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-4-5-8
       Quem disse que não me esforcei
Quem / dis / se / que / não / me-es / for / cei – verso finalizado em palavra 
oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
      Pra agora ser esse poeta 
Pra-a / go / ra / ser / es / se / po / e / ta – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Comum e bem vindo na Ágora?
Co / mum / e / bem / vin / do / na / Á / go / ra? – verso finalizado em palavra
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 3-4-6-8
       Pode ser turvo  meu viver
Po / de / ser / tur / vo-o / meu / vi / ver – verso finalizado em palavra oxítona,
com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Nem estar claro o meu conceito
Nem / es / tar / cla / ro-o / meu / con / cei / to – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       De aumentar essa vã retórica
De-au / men / tar / es / sa / / re / / ri / ca – verso finalizado em palavra
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-3-5-8
       Canção certa, linda e igual
Can / ção / cer / ta / lin / da-e / i / gual – verso finalizado em palavra oxítona,
com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Leal forma abrindo o meu peito
Le / al / for / ma-a / brin / do-o / meu / pei /to – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Que está preso ao mesmo fenômeno
Que-es / / pre / so-ao / mes / mo / fe / / me / no -  verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-3-6-8
       Atroz, pleno em palavras vãs
A / troz / ple / no-em / pa / la / vras / vãs – verso finalizado em palavra oxítona,
com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Viés, cheio de idéias breves
Vi / és / che / io / de-i / / ias / bre / ves – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Convés farto de passos trôpegos
Con / vés / far / to / de / pas / sos / trô / pe / gos – verso finalizado em palavra
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 1-4-7-8
       Eu saberia calar sim
Eu / sa / be / ri / a / ca / lar / sim – verso finalizado em palavra oxítona, com a
pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Nem poderia falar algo
Nem / po / de / ri / a / fa / lar / al / go – verso finalizado em palavra paroxítona,
com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Tendo por trás o estopim trágico
Ten / do / por / trás / o-es / to / pim / trá / gi / co? – verso finalizado em palavra
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-4-7-8
       Jamais prestei pra falar não
Ja / mais / pres / tei / pra / fa / lar / não – verso finalizado em palavra oxítona,
com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Vai bem na vida quem dis tudo?
Vai / bem / na / vi / da / quem / diz / tu / do? – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Vai bem na vida quem é plácido?
Vai / bem / na / vi / da / quem / é / plá / ci / do? – verso finalizado em palavra
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 3-5-7-8
       Vence a vida quem só diz sim!
Ven / ce-a / vi / da / quem / só / diz / sim! – verso finalizado em palavra
oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Vê-se a vida por um triz hoje!
/ se-a / vi / da / por / um / triz / ho / je! – verso finalizado em palavra
paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Vivo a vida como um giz mágico!
Vi / vo-a / vi / da / co / mo-um / giz / gi / co! – verso finalizado em palavra
proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
Ritmo 2-5-7-8
       Quem sabe esse verso igual vá
Quem / sa / be-es / se / ver / so-i / gual / – verso finalizado em palavra
oxítona, com a pausa terminal colocada só em tempo rítmico.
       Por si restaurar à nau presta
Por / si / res / tau / rar / à / nau / pres / ta – verso finalizado em 
palavra paroxítona, com a pausa terminal colocada em sílaba átona.
       Tornando o navio mais meu, próximo
Tor / nan / do-o / na / vio / mais / meu / pró / xi / mo – verso finalizado em
palavra proparoxítona, com a pausa terminal colocada em sílabas átonas.
 
  Próxima – >http//mpbsapiens.com/

a

Nenhum comentário »